quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Merce Cunningham & John Cage- Dois em um-literalmente




Este  texto do blog é dedicado à Clara Gama, minha neta querida, bailarina, Mestre em Ciência da Dança e ao trabalho que ela desenvolve. 
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 A parceria no trabalho e na vida.



Merce Cunningham
“A dança ficou órfã”,dizia a materia de capa do SEGUNDO CADERNO, por Suzana Velasco, publicada em “O GLOBO”,no dia seguinte à morte do coreógrafo.
Verdade.Em menos de um mês, a dança moderna  havia perdido Pai e Mãe.
Foram-se Pina Bausch e Merce Cunningham.

A dança ficou órfã,mas tornou-se  herdeira do talento e criatividade dos dois e, certamente, continuará  rica,aumentando o rendimento do capital artístico,tanto na chegada das novas vocações como na garra dos discípulos dos Mestres.

Merce, considerado o Einstein da dança,era companheiro em vida e obra,   de John Cage , o Senhor do Silêncio,que revolucionou a música contemporânea.
Os dois ,em parceria,criaram trabalhos em que som e dança eram independentes  mas poderiam se apresentar simultaneamente Relacionadas ou não,as performances aconteciam no mesmo tempo e espaço.Uma verdadeira revolução estético-auditiva que balançou as estruturas da arte no século XX.
O primeiro sucesso na nova formatação foi  o ballet "The Seasons(As Estações), de 1947
Os dois fizeram parte de um grande grupo de artistas  de vanguarda em Nova York( nomes como Robert Rauschenberg, Robert Motherwell, Jasper Johns e  Cy Twombly) que mais tarde se chamou "The New York City Ballet” . 

Merce Cunningham (1919-2009)


O Einstein da Dança
 
Mercier Philip Cunningham,nasceu em Centralia, Estado de Washington em 16 de abril de 1919 e aos 12 anos,começou a estudar dança.

 Matriculou-se numa escola de teatro aos 16,para aperfeiçoar as técnicas de palco.

Em 1939,já influenciado por John Cage,começou a praticar com Martha Graham e, durante quatro  anos, ali desenvolveu seu talento vanguardista.
O aluno surpreendeu a mestra com um solo “Totem Ancestor”,música de Cage.
Aí se concretiza a parceria.Viajaram juntos em turnês em que mesclavam coreografia e a música contemporânea.

Aos 28 anos,Cunningham desenvolveu para Cage a coreografia “The Seasons”,abriu a própria escola onde passou a ensinar seu método peculiar.Fundou a  Merce Cunningham Dance Company,sempre com Cage.
Apresentou em público as coreografias “SOLO SUITE IN SPACE AND TIME”,” DIME A DANCE”, “UNTITLED SOLO”  e “ FRAGMENTS”
 Merce e John

Merce foi um exemplo do que a gente estuda em Semiologia como “corte epistemológico do paradigma”, ao se afastar das coreografias tradicionais de seu tempo que englobavam ,como ensinavam os compêndios, “finalidade, construção e técnica”

Após a primeira turnê mundial, aos 45 anos,seu grupo  foi reconhecido oficialmente,como companhia residente na Brooklyn Academy of Music.

Já conhecido como o “Einstein da dança”,criou cerca de 200 coregrafias, com a colaboração de Jasper Johns, Andy Warhol e Robert Rauschenberg. 

Aos 50, assumiu a direção da Companhia de Dança Moderna de Nova York.

Existe material disponível em videos na internet,no Youtube e em sites especializados, mostrando como -para Merce- a dança deveria ser um movimento natural.Ele indicava a direção,os tempos e as paradas.

O resto, sem encadeamento, ficava por conta dos bailarinos. Eram os EVENTS : a dança no presente, aqui e agora,

Segundo sua definicão, em cada Event, a dança era um “acompanhamento sonoro  que poderia variar da variar da música instrumental à música eletrônica”

Internauta de primeira hora,a partir dos 70 anos  começou a usar o computador para desenvolver  novas possibilidades na coreografia.

Merce Cunningham abriu novo mundo para jovens coreógrafos e é o criador dasduas tendências da dança moderna americana:  NOUVELLE DANSE e o POS MODERN. 

Esteve no Brasil doente, em cadeira de rodas, para dar aulas e preparar novos e privilegiados colegas coreógrafos.

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John Cage (1912-1992)

O Senhor do Silêncio

O nome de John Cage está agregado ao do coreógrafo,como se fossem dois em um.
John Milton Cage Jr ,compositor, filósofo,poeta,músico,artista plástico,pioneiro da música eletrônica e do uso não convencional dos instrumentos musicais,nasceu em  5 de setembro de 2012, em Los Angeles. 
Abandonou um curso de arquitetura para estudar com Schoenberg.
Com pedaços de madeira,borracha e metal, tirou novos sons do piano   (Bacchanale, 1938, Concerto para Piano e Orquestra de Câmara, 1951). 

E acrescentava em suas peças ruídos do  cotidianos e efeitos eletrônicos. 
 Cage  usava o silêncio para captar sons ambientes, que mudavam a cada apresentação de sua famosa 4’33, de 1952,três movimentos  sem nenhuma nota emitida pelos instrumentos,durando os quatro minutos e trinta e três segundos sugeridos no título e marcados num relógio, parte integrante da obra

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 4'33

https://www.youtube.com/watch?v=JTEFKFiXSx4

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Filme sobre o início do movimento LGBT será lançado dia 25/9 nos EEUU


  Texto original no site Observatório do Cinema
 




 


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A Roadside Attractions anunciou a data de estreia de Stonewall, filme do diretor Roland Emmerich  O drama gay chega aos cinemas dos EUA no dia 25 de setembro.
Escrito por Jon Robin Baitz , gira em torno do violento conflito entre militantes homossexuais e policiais de Nova York na década de 1970, que foi apelidado de Rebelião de Stonewall. O evento é reconhecido como o catalisador dos movimentos dos direitos civis LGBT por ter sido a primeira vez em que um grande número de pessoas se reuniu para protestar contra os maus tratos da polícia à comunidade.
StonewallA trama será contada pelo ponto de vista do jovem Danny Winters (Jeremy Irvine, de Cavalo de Guerra), que se muda para Nova York após ser expulso de casa.

Sem teto ou dinheiro, o personagem cria amizade com um grupo de adolescentes que lhe apresenta o Stonewall Inn, casa noturna dirigida pela máfia e que também serve como abrigo para homossexuais, travestis e outros grupos socialmente rejeitados da época.

Em meio aos shows de drag queens, o protagonista se envolve com o personagem de Jonathan Rhys Meyers  (The Tudors, Drácula), ao mesmo tempo em que desperta a inimizade do gerente da casa, vivido por Ron Perlman (Hellboy).
Não há previsão de lançamento para Stonewall no Brasil.


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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Quentin Crisp



Estava eu traduzindo,adaptando e ilustrando o excelente artigo do Dr.Shaun Cole sobre as interrelações entre moda e o movimento lgbt quando me deparei com citação a Quentin Crisp, Aí,me dei conta que até hoje não tinha dedicado nem um simples  espaço a ele aqui no blog.
Para reparar,aí vai uma minibiografia dessa figura ímpar.

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Descrito nas enciclopédias como escritor excêntrico e contador de histórias, Quentin Crisp ficou conhecido principalmente por sua autobiografia, intitulada The Naked Civil Servant,"Vida Nua" em português , que foi adaptada para o cinema em 1975, com John Hurt vivendo o papel principal.

Quentin, aliás, Denis  Charles Pratt,  nasceu no dia de Natal de 1909,em Sutton, Condado de Surrey, Inglaterra.
Foi o quarto filho de  
Spencer Charles Pratt  e de Frances Marion Pratt  .
Em torno dos  20 anos, saiu da casa da família e mudou-se para o centro de Londres, onde foi cultivar seu lado trans que chocava os conterâneos e provocava violentos ataques homofóbicos.

Estudou na  Kingswood House Scholl, ,ganhou bolsa de estudos para o Denstone Colege   e  ,depoism  foi matriculado no curso de jornalismo do King's College London 
Em 1928, deixou a facudade para seguir aulas de arte na Regent Street Polytechnic.
 Assumiu abertamente a homossexualidade- parte importante de sua produção- tanto nas artes visuais como nos textos impressos.


 Ainda jovem, quando adotou o pseudônimo,trabalhou como prostituto durante seis meses, nos cafés do Soho.
"Procurava amor", como disse em entrevista de 1999-mas "só encontrou degradação ". 
 Ao decidir se expor   em público maquiado, de unhas esmaltadas e sapatos altos, contava bem humorado, foi parado várias vezes nas ruas pela polícia. 

Mesmo sendo ridicularizado e sofrendo violência, continuou fiel ao seu estilo de vida.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, tentou se alistar no exército britânico,mas foi banido pelo Conselho Médico sob a alegação de sofrer de perversão sexual.
 Decidiu, então, permanecer em Londres.

Foi auxiliar de engenheiros, posou como modelo para artistas e escreveu durante todo esse período.

 Ali surgiu,sua obra mais famosa,  The Naked Civil Servant , detalhando sua vida e  homofóbica sociedade britânica homofóbica. Publicado 1968,teve  boas críticas, no geral e causou o interesse de Denis Mitchell para ser argumento de  um pequeno filme ,onde falava de sua vida,explicava suas opiniões e,ao mesmo tempo, cuidava das unhas.Foi o ponto de partida para uma série de televisão.
 Quando o livro foi adaptado para a televisão, Crisp tornou-se  artista e professor.  
Aos 72 anos, começou nova etapa na vida, com  a mudança para Nova York. que inspirou sua canção de sucesso  "An Englishman in New York". 

Continuou a trabalhar em turnês, gravações e leituras, incluindo instruções sobre como viver a vida com estilo e da importância de boas maneiras.  
Participou de  alguns papéis na televisão americana da década de 1990 
 Em 1992, fez o papel de Elizabeth I no filme Orlando. 
Depois de conhecer e se encontrar muitas vezes com Crisp  o cantor e autor Sting compôs para homenageá-lo   "An Englishman in New York." 
Palavras de Sting sobre a canção :

  "É parte sobre mim e parte sobre Quentin. Novamente, estava em busca de uma metáfora. Quentin é um herói para mim, alguém que conheço muito bem. Ele é gay e foi gay numa altura da história em que era perigoso sê-lo. Ele recebeu agressões diariamente, muitas vezes com a aceitação pública"


 
Quentin Crisp morreu em 21 de novembro de 1999,perto de seu 91º aniversário, durante uma turnê como one-man-show

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Tributos 
(direto da Wikipedia Portugal)


*Crisp foi o inspiração  de um retrato fotográfico de Herb Ritts e foi também descrito nos diários de Andy Warhol. 

*Na sua autobiografia de 1995, Take It Like a Man, Boy George discute como sentiu afinidade por Crisp durante a  infância, uma vez que enfrentavam problemas semelhantesmenquanto jovens,os homossexuais residentes numa zona homofóbica.

*Crisp foi ainda objeto da peça Resident Alien por  Tim Gountain  e protagonizado  por Bette Bourne   em 1999. 
A peça começou no  Bush Theatre,em Londres e foi transferida para o New York Theatre Workshop em 2001, onde ganhou dois Obies (por atuação e design). 

Ganhou ainda um Herald Angel (de melhor ator) no Festival de  Edimburgo, em 2002. Produções seguintes foram vistas ao longo dos Estados Unidos e Austrália. 
Um filme com o mesmo nome foi lançado pela Greycat Fim

*A canção The Ballad of Jack Williams (e outros três compositores) do ciclo de canções de Wikkian Finn,ELEGIES, , refere-se a ele.
Foi para o ar uma nova edição em 2009, do The Naked Civil Servant.

 Uma produção chamada An Englishman in New York,    documentava os anos mais tardios de Crisp em Manhattan. 

Trinta e três anos depois do seu primeiro prêmio por interpretar Crisp, John Hurt voltou a fazer o mesmo papel    O filme foi realizado pelo diretor britânico Richard Laxton  e fez a sua estreia no BERLINARE (o Festival Internacional de Filme em Berlim), no início de Fevereiro de 2009.  

*Anda em 2009, o sobrinho de Crisp, o realizador de cinema Adrian Goycoolea, estreou um pequeno documentário, Uncle Denis , no vigésimo terceiro Festival Londrino de Filmes Lésbicos & Gays. 
 O filme usou entrevistas da família e um nunca visto filme caseiro.  
*Goycoolea também criou uma instalação chamada Personal Effects juntamente com Crisperanto curador de Philip Ward no MIX NYC de 2010, que recriou o apartamente de Crisp em Nova York. 

 *Em 2013, o Museu de Artes e Design  teve um esptáculo durante 3 meses, sobre uma retrospectiva a Quentin Crisp chamada Ladies and Gentleman, Mr, Quentin Crisp. A retrospectiva consistia numa tela que passava entrevistas, os espetáculos de Crisp, documentários e outros filmes gravados "


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 De Sting para Crisp

https://www.youtube.com/watch?v=d27gTrPPAyk


"An Englishman in New York "

(filme completo em inglês)

https://www.youtube.com/watch?v=-asjrirawRM

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Gus Van Sant



O diretor de cinema ,produtor,fotógrafo,músico  e roteirista Gus Van Sant Júnior  nasceu em 24 de julho de 1952 em Louisville, Kentucky,filho de Elizabeth (Betty) e Gus Green Van Sant Senior, que se tornou um próspero fabricante e vendedor de capas de chuva (a Mac Raincoat).

A mobilidade exigida pela profissão do pai fez a família residir em várias cidades.


Os estudos de 1º grau foram realizados na Darlen High Scholl em Connecticut e na Catlin Gabel Scholl em Portland,Oregon,onde nasceu a paixão pela pintura e pelo filmes.


Já na Rhode Island Scholl of Design, em 1970,

seus curta-metragem realizados com câmera Super 8 câmera Super 8 foram aprimorados pela descoberta do cinema de vanguarda de  Stan Brakhage et Jonas Mekas.

Em 1976,depois de algumas viagens à Europa,começou a trabalhar em Los Angeles, como assistente de produção. 

Esta fase foi recordada no média metragem Alice in Hollywood, de 1981, sobre uma jovem atriz ingênua que perde as ilusões em Hollywood.Este filme nunca veio a público. 

Seu lado musical emergiria novamente em 18 Songs About Golf,gravado em 1983 e que seria lançado apenas em 1998.

Começa a ser reconhecido como diretor e se fixa em Portland.
e forma sintonia artística com William S.Burrough,escritor e ícone beatnik.

Agora Gus se instala em Nova York por cerca 

de dois anos,trabalhando em agência de publicidade e resolve adaptar um curta semiautobiográfico de Walt Curtis,Mala Noche  (investiu 22 mil dólares de suas economias no projeto). 
Em 16mm e preto e branco ,conta a história de amor entre dois clandestinos mexicanos.

A acolhida favorável da crítica do jornal Los Angeles Times- que escolhe o filme como Melhor Filme Independente de 1985 leva o filme a vários festivais.  



Filma outro grande sucesso, Drugstore Cowboy (1989) ,com Matt Dillon,sobre a "família" composta por quatro jovens toxicômanos à procura de dinheiro,assaltando farmácias para suprir a falta da droga.O roteiro é baseado numa autobiografia de James Fogle, ex- usuário e traficante de drogas 
.
O próximo trabalho,  My own private Idaho (1991-"Garotos de Programa " no Brasil) é uma espécie de amostra de Gerry (2002)
Um crítico o descreveu como "périplo shakespeariano de dois  rebeldes" : Keanu Reeves et River Phoenix.
Trata-se de uma relação complicada entre dois jovens que se prostituem mesclando identidades,amizade amorosa e familiar.
Ganha o prêmio de melhor roteiro independente no  Independent Spirit Awards   e dá  à River Phoenix  o prêmio de melhor ator no Festival de  Veneza  (1991) 

 Roda da fortuna do sucesso



Em 1993,confirmado o sucesso,Gus Van San adapta para a tela o famoso 
romance de Tom Robbins  Even Cowgirls Get the Blues("Até as vaqueiras ficam tristes" no Brasil) com Uma 
Thurman,John Hurt e Keanu Reeves,
contando a jornada de Sissy,mulher que percorre as estradas americanas em busca de si mesma.

Com orçamento de 8 milhões de 

dólares, o filme foi um fracasso de critica e de público que comprometeu por algum tempo sua reputação como realizador.   

Mais focado, lança   To Die For (1995-"Um sonho sem limites" no Brasil),comédia de humor negro sobre uma novata aspirante a jornalista(Nicole Kidman) que não permite que o amoroso  marido (Matt Dillon) atrapalhe sua carreira.
 Joaquim Phoenix, ex-ator infantil, teve ali seu primeiro papel adulto importante.

Foi o primeiro trabalho de Van Sant para um 
grande estúdio (Columbia), e o sucesso colaborou para aprovação de outros projetos, esses de sua própria escolha.
Também em 95,atuou como produtor executivo em  "Kids" de Larry Clark,contando um dia da vida de um grupo de jovens em Nova York e a seu comportamento diante de sexo e drogas  no momento   em que o HIV era implacável com suas vítimas,
As fotos de Clark tinham sido referência para  Drugstore Cowboy.

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 Estamos agora em 1997 e nosso diretor ganhou credibilidade e aceitação graças a Good Will Hunting, estrelado e escrito por MaDamon e Ben Affleck (Gênio Indomável,no Brasil)  

O filme  sobre um conturbado gênio da matemática faturou 220 milhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.

No Oscar daquele ano Van Sant recebeu indicação de Melhor Diretor,ganhou Oscar de Melhor Roteiro e outro Oscar de Ator  o Coadjuvante foi  para Robin Williams. 


Psicose :Nova abordagem

 1998 

O sucesso de Good Will Hunting /Gênio Indomável deu a Van Sant oportunidade de refilmar Psycho,  /Psicose,no Brasil,clássico deAlfred Hitchcock de 1960,em cores e com elenco de jovens talentos: Anne Heche , Vince Vaughn, e Julianne Moore 

O filme despertou curiosidade e críticas ácidas e não teve boa bilheteria.
Tarimbado, Gus Van Sant não se deixou abater e deu sequência a novos projetos:lançou dois álbuns e um romance, ROSA,considerado como tributo à memória  de River Phoenix,morto em 1993.
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O ano 2000 veio com ares mais leves:Finding Forrester (Encontrando Forrester, no Brasil),drama que narra o encontro de um jovem estudante negro de 16 anos do Bronx, jogador de basquete (Rob Brown),que tem como sonho se tornar escritor com um romancista solitário,interpretado por Sen Connery vencedor de um Prêmio Pulitzer que nunca mais conseeguiu  lançar outra obra

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Cinema de Arte :volta às origens
  
Gus Van Sant decidiu retornar aos métodos mais simples de filmar e deixou os  grandes orçamentos para se dedicar Gerry, de 2002, filmado nos desertos da Argentina,Estados Unidos e Jordânia , com Matt Damon e Casey Affleck.
ambos chamados Gerry ,vagam  atrás de um objetivo misterioso e seguindo caminho selvagem.Acabam se desinteressando da busca e, ao tentar a volta,percebem que estão perdidos. A estréia no Sundance Film Festival teve elogios e críticas mas deixou  o público deslumbrado com o 
trabalho do Diretor de Fotografia Harris Savides .

Enquanto Gerry não chegava ao circuito comercial,Van Sant começou a produzir seu próximo filme, Elephant,baseado no massacre da  Columbine High School de 1999, influenciado pelo filme de 1989 de Alan Clarke de mesmo nome . 




O filme provocou  fortes reações do público no Festival de Cannes 2003.
O júri foi unânime e concedeu-lhe seu prêmio máximo, a Palma de Ouro e  para Van Sant  sua primeira estátua de Melhor Diretor do Festival.
O sucesso do Elefante . levou Van Sant a investir e arrecadar fundos para a Outside In , uma organização que trabalha para ajudar os jovens que vivem nas ruas de Portland , Oregon.

Em 2005, foi lançado Last Days ( Br-Últimos Dias) ,final do que ele se chama  "Trilogia da Morte" ( as outras partes sendo Gerry e Elephant ) 
É uma visão ficcional dos últimos dias do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain .


Em 2006, começa a produção de Paranoid Park a partir do livro de Blake Nelsen.Lançado na Europa em 2008, conta a história de um adolescente praticante de skate que provoca acidentalmente a morte de uma pessoa.
Também em 2008, Gus dirigiu o segmento "Le Marais" no filme "Paris je t'aime"   

  MILK


Ainda em 2008, sai Milk (Harvey Milk no original,2007) biografia de Harvey Milk, primeiro homem abertamente gay a ser eleito 


para um cargo público na Califórnia, como 


supervisor da cidade de São Francisco,

O político e ativista gay de origem lituana foi interpretado  com grande sensibilidade por 
Sean Penn -e Matt Demon como o assassino que surpreendeu platéia e crítica no Festival 
 de Veneza naquele ano.
O filme recebeu oito indicações ao Oscar   incluindo Melhor Filme ganhando o de Melhor Ator para Penn e Melhor Roteiro Original para o escritor Dustin Lance Black .Van Sant foi indicado para Melhor Diretor.  

  Terra Prometida e o próximo lançamento

Promised Land ( Br-Terra Prometida ),   baseado em uma história de Dave Eggers,foi lançado em 28 de dezembro de 2012.  O filme é estrelado por Frances McDormand,Matt Damon e John Krasinski. 
Funcionários de uma grande corporação são enviados a uma pequena cidade do interior, de base agrícola e em decadência econômica, para fazer uma proposta aparentemente irrecusável 

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Matthew McConaughey e Ken Watanabe estão no próximo filme, sobre um homem que se dirige ao local mais procurado para prática de suicídios  no Japão,quando encontra outro homem que deseja se matar também. Os dois,então, embarcam em uma jornada espiritual.
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Encerro esta postagem com a reflexão de uma enciclopédia virtual sobre o caminho trilhado por nosso talentoso Diretor:


"Um dos mais instigantes talentos que emergiram do cinema independente durante as últimas décadas,Gus Van Sant está bem confortável com sua orientação sexual.Mais importante ainda:no seu trabalho apresenta a homossexualidade num tom "neutro" com
naturalidade.
Quando Hollywood ainda estava hesitante a respeito, "Mala Noche", de 1985, irrompeu nos festivais gays com uma franqueza impressionante." 

Clique aqui e assista "Mala Noche"

www.dailymotion.com/video/x126nqk_mala-noche-1985-1-2_shortfilms

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domingo, 19 de julho de 2015

"Reconstruindo as muralhas de Sodoma"- sobre ser homo na Bahia em1689

  Publicado na  coluna de Ancelmo Góis, no  O GLOBO. domingo,19/7/2016

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 "De Delgado a Malafaia

 

 As pessoas civilizadas condenam, com razão, a postura homofóbica de certas igrejas pentecostais no Brasil. Sobretudo, de alguns de seus pastores — como Silas Malafaia, telepregador que não esconde seus preconceitos, para quem homossexualismo é “doença”.

Mas, em 1689, na Bahia, berço do movimento LGBT brasileiro, a Igreja Católica condenou ao degredo Luiz Delgado, um violeiro de Évora, que, fugido das perseguições por sua condição de gay em Portugal, estabeleceu-se em Salvador como estanqueiro de tabaco.

As aventuras e desventuras de Delgado são reveladas em dissertação de mestrado do professor de História Matheus Rodrigues Pinto, 27 anos, defendida há pouco na UFF. Ele conta: “Delgado levava uma vida relativamente sossegada, passeando (na Salvador daquele tempo) ao lado de seu ‘sobrinho’, cobrindo-o de mimos e dormindo na mesma cama que ele, às vistas de sua mulher e da sociedade da época.”

Segundo o professor, uma testemunha relatou naqueles dias que a mulher do ex-violeiro até gostava da relação de Delgado com seu rapaz, pois, assim, o jovem “a descansava do marido, porque o beijava e o abraçava”.

— Delgado contava com certa tolerância tácita da sociedade baiana de então, embora fosse “afamado”. Sua sorte mudou quando foi preso, em 1689. Aí, sua fama e sua celebridade atuaram em seu desfavor, e abundaram testemunhas de suas aventuras sodomíticas. Nosso herói foi degredado pelo Santo Ofício para Angola e, depois, nada mais sabemos dele — diz o mestre.

Para o professor, cuja dissertação se chama “Reconstruindo as muralhas de Sodoma”, investidas homofóbicas como as de Malafaia, hoje, são reação às conquistas dos gays de lá para cá:

— A situação é imensamente melhor que há alguns anos, e temos de ter em conta a importância da religiosidade no país. Daqui a alguns anos, espero, todo esse descalabro homofóbico será uma vergonhosa lembrança.

Amém! "

segunda-feira, 29 de junho de 2015

George Sand





Crossdressser, anfitriã da intteligensia
 e avó devotada



Imagine o tamanho de seu espanto, ao se deparar hoje – em pleno século 21- com uma bela baronesa divorciada vestindo smoking, fumando seu charuto cubano e com um diversificado portfólio amoroso : um tórrido caso de amor com o compositor mais famoso do mundo e com o médico que o tratou das mazelas de sua saúde, um escritor jovem e talentoso bem mais moço, a atriz mais cortejada e admirada de sua época, uma prima dona cantora de ópera e com um padre excomungado, entre outros.
 

E que a mulher, ela mesma, fosse a mais conhecida, lida e admirada escritora de seu país, pelos seus dezoito livros, vinte peças teatrais e inflamada militância política. 
Baronesa Dudevant

Amandine Aurore Lucie Dupin, mais conhecida pelo pseudônimo masculino George Sand, nasceu em Paris no dia 1º de Julho de 1804.
Com a morte do pai, foi morar com a aristocrática avó em Nohant e lá viveu até os 13 anos, quando foi estudar num convento de freiras inglesas.
Aos 18, casou-se com o Barão Dudevant, com quem teve os filhos Maurice e Solange (segundo as más línguas, Solange era filha de um outro nobre das redondezas).
Em 1831, já separada, conhece o escritor Jules Sandeau que lhe inspira o codinome que a tornará imortal.
 

Codinome George Sand

Os temas que abordava eram ousados demais para uma época em que a uma mulher estava sempre destinado o papel de esposa, mãe, dona de casa.
A Baronesa Dudevant, inspirada pelo entusiasmo que sua mãe lhe passou pela causa socialista e pelo espírito independente que herdou da avó, decidiu usar roupas masculinas para poder frequentar, sem restrições, o ambiente literário, político e boêmio da capital francesa.

Mandou confeccionar um comprido casaco masculino de cor cinza, um chapéu da mesma tonalidade, botas e um echarpe. Assim, circulava à vontade, fumava, usava uma linguagem livre e chegava em casa tarde da noite.
 

Escreveu “Indiana”, que lhe trouxe fama instantânea, ”Valentine” e “Lélia”. Passa a ser colaboradora do “Le Figaro” e de muitos outros jornais e revistas.
O público ficou surpreso com a revelação de que se tratava de uma mulher. Seu comportamento inusitado provocava espanto e irritação.

Alfred de Musset

Em 1832, por ocasião da publicação de "Indiana", conheceu o poeta Allfred de Musset, então com 20 anos – doze anos mais moço. Um caso de amor à primeira vista. Depois de poucas semanas de convívio partiram para uma viagem romântica à Itália, em companhia do compositor Liszt e esposa.
Em Veneza, Musset ficou gravemente doente e foi tratado por Pietro Pagello, que também se apaixonou por George Sand. O romance relâmpago com o médico italiano motivou rompimento do casal.
Musset amava Pauline que amava George Sand.

Pauline Garcia Viardot (1821 - 1910) foi uma famosa compositora e cantora lírica no século 19. Cortejada por Musset, era também uma mulher fora dos padrões de sua época. Falava correntemente meia dúzia de idiomas e usava várias técnicas de composição.
A carreira bem sucedida a levou por toda a Europa, e acabou se fixando em São Petesburgo. Suas performances inspiraram Chopin, Berlioz e Sain-Saëns.
George Sand, com quem manteve uma curta ligação tornou-a imortal como a heroína do romance “ Consuelo”, em 1843.

Frédéric Chopin


Chopin conhece Sand em 1836. A escritora logo se apaixona pelo compositor doente, carente, desamparado, seis anos mais moço e logo passa a chama-lo de "pobre anjo muito triste”. No entanto, a primeira impressão de Chopin não foi favorável, por conta das idéias socialistas e do desafio constante aos padrões da moral vitoriana da época.
Mas, em 1838, o genial musicista acaba sucumbindo à insistência de George Sand, e passam a viver juntos.
Para cuidar melhor da saúde do compositor, dar um tempo na sociedade parisiense que não a aceitava bem e se afastar dos ex-maridos, resolve levá-lo para Maiorca, no litoral da Espanha.
Foi um erro drameatico; a umidade e alimentação precária agravaram o estado de saúde de Chopin.
Pelo aspecto criativo, a estadia acabou sendo proveitosa: Sand escreveu seu livro “Espiridião” e Chopin concluiu seus 24 prelúdios e duas Polonaises.

Voltando a Paris, Sand se torna ainda mais maternal e sufocante e a relação acaba se desgastando.
Em meio a brigas, suspeitas de traições e problemas domésticos envolvendo os filhos da companheira, Chopin põe fim ao casamento, no verão de 1847.
 O exílio no castelo
Dando continuidade à sua carreira literária, funda um jornal, escreve as “Cartas ao Povo”. Seu lado político se realiza com a queda de Luís Felipe.
Mais tarde, luta pela causa dos proscritos pela Revolução de 1848.
O castelo de Nohant, a dez quilômetros de Chartres, passa a ser sua propriedade em 1821, com a morte da avó. George Sand se instala ali, definitivamente, em 1853. Nohant tem espaço suficiente para receber os amigos :Chopin(que morou sete anos no local), Delacroix ( que ali instalou seu atelier), Balzac, Flaubert, Dumas, Gautier, Baudelaire, Franz Liszt, Elizabeth e Robert Browning, Dostoievski entre tantos outros.
O artista plástico Alexandre Manceau foi seu último companheiro.
Depois de uma vida transgressora e movimentada, George Sand se torna,então, a boa e acolhedora senhora do castelo e sonha com um mundo onde o amor fraterno unisse todas as criaturas e onde não houvessem diferenças sociais.
Apaixonada por teatro de marionettes, escreveu histórias para seus netos. Produziu até o seus útlimos dias : peças de teatro, livros, críticas literárias e uma autobiografia.
Sofrendo de reumatismo, problemas intestinais e fadiga crônica, não conseguia mais suportar as dores.
Morreu em 8 de junho de 1875, sem que os médicos tenham chegado a um diagnóstico.

Nohant hoje

Apesar das transformacões trazidas pelo progresso, o castelo e as terras de George Sand foram tombados e fazem parte do Patrimônio Histórico da França.
A cidade, a região e os habitantes foram cenário para muitas dos romances pastorais desta mulher de vanguarda, que vivenciou seus relacionamentos afetivos com a ótica masculina. E que a todos fascinava pela ousadia e liberdade.

sábado, 20 de junho de 2015

Em carta de 1928, Mário de Andrade revela homossexualidade


 Mário Raul de Moraes Andrade (1893-1945) poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta brasileiro.
Um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro "Paulicéia Desvairada". em 1922.
Autor de "Macunaíma",1928
 e mais:

Poesia

Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917),   Losango Cáqui (1926), Clã do Jabuti (1927), Remate de Males (1930), Poesias (1941), Lira Paulistana (1946), O Carro da Miséria (1946), Poesias Completas (1955).

Romance

Amar, Verbo Intransitivo (1927

Contos

Primeiro Andar (1926), Belasarte (1934), Contos Novos

Crônicas

Os filhos da Candinha (1943).

Ensaios

A Escrava que não é Isaura (1925), O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935), O Movimento 
Modernista (1942), O Baile das Quatro Artes (1943), O Empalhador de Passarinhos (1944)

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 Fonte do texto abaixo:
Brasil 247: o seu jornal digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.


 "Documento destinado a Manuel Bandeira, datado de 7 de abril de 1928, foi liberada na quinta (18/6/2015) pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio, por determinação da Controladoria-Geral da República (CGU); "Si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua [...] e si saio com alguém é porque esse alguém me convida, si toco no assunto, é porque se poderia tirar dele um argumento para explicar minhas amizades platônicas, só minhas", diz

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Assim como se especulava, nos trechos inéditos de uma carta escrita a Manuel Bandeira, Mário de Andrade trata da sua "tão falada (pelos outros) homossexualidade".
A carta, datada de 7 de abril de 1928, foi liberado na quinta (18/6/2915) pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio, por determinação da Controladoria-Geral da República (CGU).

"Si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua [...] e si saio com alguém é porque esse alguém me convida, si toco no assunto, é porque se poderia tirar dele um argumento para explicar minhas amizades platônicas, só minhas", diz.

O acervo de Manuel Bandeira foi entregue em 1978 para guarda da Fundação Casa de Ruy Barbosa (FCRB), instituição ligada ao Ministério da Cultura.

 Em 1995, houve análise sobre o sigilo das correspondências, quando completaram-se 50 anos da morte de Mário de Andrade. Segundo a presidente da FCRB, Lia Calabre, a carta-testamento de Andrade dava esse prazo para divulgação de suas cartas. 

Porém, uma interpretação da família do escritor impediu que essa fosse aberta a pesquisadores, alegando que a divulgação autorizada seria das cartas recebidas por ele, e não das enviadas" (com Agência Brasil).

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Ovos Fabergé e Boa Páscoa para meus leitores

ovo Fabergé   " Que a luz desta data ilumine a caminhada por respeito e igualdade.  Que o renascimento traga ainda mais força para a  v...