O então (e atual) Prefeito Eduardo Paes assinou decreto que declara como "patrimônio cultural carioca" os grupos de clóvis (ou bate bolas) dos subúrbios do Rio.
O decreto saiu no dia 17 de fevereiro de 2012, no Diário Oficial
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Qualquer carioca na faixa etária a partir dos 60 , em algum momento de seus verões infantis,se apavorou com um “clóvis”.
Era durante o carnaval que o “bicho papão”,tão invocado na hora das punições e castigos, aparecia ao vivo e a cores.
Normalmente no final da tarde,porque o calor de fevereiro e o peso da fantasia não eram ( o calor continua sendo terrível) não eram de brincadeira:para ser um “clóvis”, o folião tinha -e tem que ter- uma saúde de ferro.
O nome desses personagens do carnaval carioca(`as vezes chamados de “bate-bola”)é uma corruptela de clown -palhaço,em inglês.

Com seus amplos macacões coloridos,usando perucas com franjas, vestidos de caveira,morcego,palhaço e nêga-maluca, sempre andavam em grupo.
As máscaras,importadas da Alemanha,feitas de malha e entretela,por serem muito quentes foram substituídas por outras,transparentes,produzidas com as meias de nylon das senhoras das família.
O orifício no lugar da boca era preenchido com uma chupeta ou um apito.
O som da bexiga arranhando o asfalto escaldante era de arrepiar os cabelos.
Oriundos de Santa Cruz,um município da Zona Oeste do Rio de Janeiro,e logo espalhados por toda a cidade,os “clóvis’ se assemelhavam aos arlequins,colombinas,dominós e pierrots medievais, que também usavam bastões para agredir e as bexigas de porco ou de boi,compradas em matadouros.
Quanto maior a metragem de tecido usado no macacão,maior a roda.
Se a permissão não era concedida,o tempo literalmente esquentava e as bexigadas se generalizavam
Os “clóvis” nunca falavam,se comunicavam por mímica ou pelo som do apito.
















