terça-feira, 17 de novembro de 2015

O GALÃ ERA GAY - CARY GRANT

 Convido para meu texto  
http://textosdetherezapires.blogspot.com.br/2012/04/o-bservo-as-pessoas-fumando-na-rua-com.html 
sobre o Código de Hays  de censura no cinema(  só abolido em 1956), que moldou e entortou a cabeça de gerações nos EEUU,enquanto a indústria do tabaco pagava merchandising por minuto de fumacê nas telas.
Inicio aqui uma trilogiazinha  sobre hipocrisia e mentiras  em Hollywood.

*************************************
 





  Cary  Grant, nome artístico de Archibald Alexander Leach,ator estadunidense  nascido na Inglaterra.

(1904-1986)

Cinco casamentos, uma filha

Esposas:

Barbara Harris (1981 - 1986)
Dyan Cannon (1965 - 1968 -mãe da filha Jennifer)
Betsy Drake (1949 - 1962)
Barbara Hutton (1942 - 1945)
Virginia Cherrill (1934 - 1935)
 

Apesar de transitar entre múltiplos casamentos, seu nome consta de várias enciclpédias( não gays, inclusive), como companheiro do também ator Randolph Scott durante cerca de  doze anos.
******************

Cary Grant era filho de Maria Elsie Kingdon e Elias James Leach, operário numa tinturaria.

A família da classe trabalhadora morava em uma casa geminada de pedra em Bristol, Inglaterra, mantida "aquecida" tanto por lareiras queimando carvão quanto pelas brigas constantes do casal

  Criança muito bonita e ativa, Grant estudou  na  escola episcopal da cidade,ajudava  em casa,vestido como uma menina pela mãe.

Ia ao cinema com o pai e,um dia, aos seis anos, foi assistir a uma pantomima (representação de uma história exclusivamente através de gestos, expressões faciais e movimentos)e gostou tanto que foi entregue ao produtor Robert Lamas que precisava de uma criança para atuar, com um documento de guarda provisória.

A trupe foi vista pelo empresário americano Jesse Lasky, que a convidou para se apresentações em Nova York Aos sete anos, a criança estava num navio, com destino à Broadway.
 

Acabada a temporada, retornou à Bristol  e aos estudos. 
Aos nove anos, passou a viver apenas com o pai e a internação da mãe em um hospital para doentes mentais causou uma reviravolta completa na vida do futuro Cary Grant.Foi informado que ela tinha morrido. 
Aos treze anos, deixou a escola,falsificou a assinatura do pai e entrou para a trupe do comediante Bob Pender.

Durante dois anos,trabalhou em diversas cidades da Inglaterra Em julho de 1920, aos dezesseis anos, foi um das oito artistas escolhidos por Pender para uma vitoriosa turnê de dois anos pelos Estados Unidos,trabalhando em trapézios,malabarismos e outras acrobacias.

Terminada esta etapa, resolveu não retornar mais à Inglaterra.
Um pequeno período na Broadway fazendo teatro e logo se mudou para a Califórnia, assinando um contrato com a Paramount com seu novo nome Cary Grant.
Neste momento,recebeu carta do pai,comunicando novo casamento e o nascimento de um irmão,Eric Leslie Archer.
Circulando no círculo charmoso da Bradway, o rapaz de 17 anos não deu muita importância ao nascimento do irmão.

Por conta de seu modesto currículo e ,também, por conta de seu passado de vaudeville e da bela figura, passou a encarnar galãs sofisticados e saudáveis.

**************************
Randolph Scott


Cary e Randolph Scott se conheceram no set do filme "Hot Saturday" (1932) e movidos por atração mútua passaram a circular juntos o tempo todo. 
Os amigos daquela época contaram a biógrafos que os dois atores  viviam uma relação estável e frequentavam os círculos gays de Hollywood.
Também é conhecido o relacionamento anterior de Cary, com o designer de moda Orry-Kelly (1897-1964).


O jornalista gay (ainda no armário) Ben Maddox escreveu texto para uma reportagem
sobre a dupla (ou casal) para a Modern Screen, em 1933.

As fotos mostram Cary Grant e Randolph Scott compartilhando a casa e vivendo uma verdadeira relação , e o texto - certamente para se proteger das sanções do Código Hays de censura,utilizava alguns códigos que seriam compreendidos pelos leitores gays da publicação.

As fotos são tão explícitas e bandeirosas que a mídia hétero os ridicularizou e deixou no ar a possibilidade de haver "alguma coisa" entre eles. 
Cary e Virginia

**** 
Para "limpar a barra", a Paramount providenciou o que seria o 1º de uma série de casamentos.

Em Fevereiro de1934, aconteceu a cerimônia que o uniu a Virginia Cherril e, em um ano ,veio o divórcio,depois da tentativa de suicídio do ator.

Virginia alegou que, além de estar bebendo muito, Cary Grant a agredia fisicamente,além de demonstrar desinteresse sexual. 
O astro voltou para Randolph assim que o divórcio foi oficializado.

O estúdio capitulou (por enquanto) e começou a plantar notícias sobre a"Bachelor House", Casa de Solteiros,com a charmosa dupla praticando esportes e curtindo a casa de praia
.

*******
Em 1936, Grant deixou a Paramount e contratou um agente independente para representá-lo , Frank Vincent.
Passou a a ter mais independência na carreira e na vida.
Entre 1937 e 1940, continuou a personificar o galã elegante e irresistível.Estrelou para a RKO  e  para a Columbia Pictures filmes leves e descontraídos.

Já famoso,ficou sabendo que a mãe Elsie estava viva e ainda morava no mesmo asilo.
Foi a seu encontro,assumiu as despesas, tirou-a da instituição e comprou-lhe uma casa em Bristol já que ela se recusou a viver  nos Estados Unidos. 
Costumava visita-la com frequência.
Elsie se recuperou bem e,com melhor de saúde física e mental,viveu até 95 anos.
 
 ***********
 Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial , tornou-se cidadão estadunidense.  
Em julho de 1942 , casou-se com a milionária Barbara Hutton , de quem se divorciou três anos mais tarde.

Por ser ator independente,a fama interncional custou a chegar e veio ,em 1946, com o filme de Alfred

Hitchcock Interlúdio (Notorious), e firmou-se ,em 1957 ,com Tarde Demais para Esquecer (An affair to remember).
A essas alturas, no terceiro casamento com  Betsy Drake,  e apaixonou-se  por  Sophia Loren.Já   envolvida com o produtor italiano  Carlo Ponti, ela não o quís, 

1965-58 Na ciranda dos casamentos,veio a vez da atriz Dyan Cannon, a número 4, com que teve a filha Jennifer.
Ao divórcio,seguiu-se uma batalha judicial e Cary conseguiu a guarda da menina.
Foi um pai muito dedicado, decidido a oferecer o carinho e dedicação que não recebeu em casa.

Em 1981, Cary casou-se pela 5a e última vez com a atriz  Barbara Harris.
 
********
Cary Grant inspirou  o escritor inglês Ian Fleming a criar especialmente para ele o personagem 007.
Convite  feito e recusado,Sean Connery pegou o papel.
 
Foi indicado duas vezes ao Oscar nos  anos 40 pelos filmes Serenata Prateada  (Penny Serenade, 1941), e "Apenas Um Coração Solitário)  (None but the lonely heart, 1944)].

 A carreira foi encerrada em 1966, com o filme "Walk, Don't Run"  , pois se achava  velho para interpretar papéis principais e não desejava se expor em papéis secundários.
Estátua em Bristol, cidade natal
Lindo até em bronze !
Em 1970, a Academia de Cinema de Hollywood  lhe deu um Oscar pelo conjunto da obra.

**********************************
Frank Sinatra entrega o Oscar

 https://www.youtube.com/watch?v=R0Zijgn-c9w
 ****


Aos 82 anos,teve uma hemorragia cerebral fulminante quando saía do  Teatro Adler, em Davenport, Iowa, onde ensaiava o espetáculo Uma conversa com Cary 
Seu corpo,levado para Los Angeles, ali  foi cremado. 
..............


************************************************

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Vita Sackville-West e Violet Trefusis na Paris dos loucos anos 20

Vita e Violet





Vita ( de vestido escuro) passeando com o marido (em 1º plano) e amigos- foto de 1913

Victoria Mary Sackville-West,Lady Nicolson (1892-1962), mais conhecida por Vita Sackville-West, poeta, romancista e paisagista inglesa.  

                            Violet Keppel Trefusis (1894 – 1972)  escritora e socialite inglesa


 *******************
O livro "Os anos Loucos", de William Wiser (José Olympio Editora,1991)  trata, justamente,do pós guerra 14/18.  
A França, mais exatamente Paris,virou o centro do mundo com a chegada dos americanos que haviam lutado e sobrevivido e desejavam curtir as delícias da liberdade e do câmbio favorável do dólar.

Loucuras de Amor em Paris

Revistas literárias, "salões"como o de Gertrude Stein,Sylvia Beach na sua livraria Shakeaspeare & Company,Coco Chanel mudando para sempre o visual das mulheres e a art déco na grande Exposição de 1915. Este era o pano de fundo  da alegria de viver ..até  a queda da Bolsa em 1929 provocar o êxodo.

Neste cenário se desenvolvia o já florescente  romance entre Vita Sackeville-Wesy e Violet Trefusis, que  haviam se envolvido antes,ambas casadas. 
O relacionamento de Vita e marido era aberto.Violet  casada com Denys Trefusis, recém chegado do front.
O  marido de Vita, o diplomata Harold Nicolson  participava da Conferência de Paz em Versalhes.

Elas atravessaram o canal, da Inglaterra para a França, e circularam apaixonadas pela cidade.
 Vita de rosto pintado, usando  uma faixa manchada na cabeça, vestida de soldado e assumindo a personalidade de "Julian".
O romance durou cerca de dez anos e deixou como legado uma vasta correspondência.

*****************************************

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

São Sérgio e São Baco

 Sérgio à esquerda e Baco

 
Mártires da Igreja Ortodoxa e patronos das uniões homossexuais.

No  começo do século 4 dC, Sergio de Resapha e Baco de Barbalissus  - considerados erastai ( casal de amantes ) - viviam em Coele, Síria.
Eram dois importantes nobres romanos que  desempenhavam altos cargos no exército do imperador Cesar Maximiano. Sergio de Resapha como primicerius, uma espécie de comandante em chefe da tropa de elite e Bacco de Barbalissus como secundarius, seu auxiliar direto.
O  grupo que comandavam, composto de bárbaros, era chamado de   Schola Gentilium  ( Escola dos Pagãos).

Acolhimento e tolerância

A homossexualidade  de Sergio e Baco não representava nenhum problema. A Igreja  católica da época não só  recebia bem os gays como os unia em matrimônio.
Este acolhimento  da igreja foi descrito  pelo historiador da Universidade de Yale John Boswell (1947-1994), autor de inúmeros títulos sobre o assunto, que publicou suas pesquisas sobre os santos  no livro “Cristianismo, tolerancia social e homosexualidade” (Ed. Munchnik).

Duplo Martírio

Convertidos ao cristianismo, Sergio e Baco foram denunciados pela recusa de participação nos ritos pagãos.
Era tamanho o respeito e estima  que Maximiano tinha pelo casal que não acreditou nos informantes. Para testar  sua lealdade ordenou que oferecessem sacrifício no templo de Zeus e Júpiter e, quando Sergio e Baco assumiram oficialmente sua fé cristã, a  punição foi terrível.
Foram torturados tão severamente com chicotadas que Bacco morreu logo. Sergio sobrevivente da etapa inicial de  atrocidade,  teve que suportar intensos sofrimentos: correu quilômetros com os sapatos forrados  com pregos afiados que lhe atravessavam os pés e,  finalmente,  foi decapitado..
Ambos foram enterrados nos arredores da cidade de Resapah. 
Anos mais tarde, após a canonização, o Imperador Justiniano  construiu em honra   de Sergio igrejas em Constantinopla e Acre.  A primeira foi transformada em mesquita e  tem em seu interior raros exemplares da arte bizantina.

Em Roma

Construída no século VII, existe em Roma uma igreja consagrada a  Sergio e Baco. Os dois santos são representados pela arte cristã como soldados com roupas do exército e empunhando palmas de flores.
Os primeiros martiriológios do cristianismo registram as atrocidades e Teodoreto, respeitado historiador da época, confirma a veneração.


Na Igreja ortodoxa

Aos pés do Monte Sinai (1570 m) onde, conta a tradição, Moisés recebeu as Tábuas  da Lei, encontra-se o Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, mandado construir pela Imperatriz Helena de Bizâncio e hoje dirigido por monges ortodoxos.
A origem do mosteiro remonta ao século IV dC, quando anacoretas perseguidos pelas tribos bárbaras buscavam refúgio nas terras do Sinai. Ali são encontrados ícones de São Sergio e São Baco representados  lado a lado, segurando, juntos, uma cruz. São venerados na liturgia bizantina em 7 de outubro.
Em fevereiro de 2000, o Papa João Paulo II visitou o local.  


Ícones

Os ícones são  sinônimo de Arte Sacra Bizantina e estão em todas as Igrejas Ortodoxas espalhadas pelo mundo.
A palavra ícone vem do grego EIKÓN e significa imagem. No Oriente Cristão -que não cultua estátuas -  é uma imagem pintada sobre madeira, com uma técnica especial.
O Império Romano do Oriente,também chamado Império Bizantino era formado pela Península balcânica, Ásia Menor, Síria, Egito e Cirenaica, com 20 povos de línguas e raízes diversas.
Bizâncio, fundada pelos gregos, tornou-se uma nova Roma e teve um importantíssimo papel histórico
Os cidadãos que ali  adotavam o cristianismo foram perseguidos por ordem de Diocleciano (284 a 305).
O império romano do ocidente sucumbiu aos bárbaros no séc. VI, mas a parte oriental sobreviveu até o séc. XV.

 ************************************************************************
 .

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A revista "The Advocate"



The Advocate,( O advogado, em inglês)  é uma revista quinzenal norte-americana,com sede em Los Angeles, sobre temas da comunidade  LGBT e  a mais antiga publicada no país.
Fundada em 1967,é a única sobrevivente das que apareceram no mercado editorial nos Estados Unidos depois dos enfrentamentos de Stonewall,que são considerados o início do movimento dos direitos LGBT.
O  site da revista contém aproximadamente 30% da revista impressa  e é atualizado diariamente.

Os arquivos podem ser alcançados, por assinatura, nos bancos de dados  EBSCO e InfoTrac 

*******

Aqui está o link da revista para que você se informe sobre  tudo que está acontecendo nos EEUU e no mundo envolvendo a comunidade LGBT

http://www.advocate.com/

***************

************************************

domingo, 27 de setembro de 2015

-"A pele de Vênus", de Roman Polanski

Risadinhas nervosas,meio histéricas de senhoras na fila de trás na sessão das 17.50 do Shopping da Gávea,ontem.

Platéia estupefaciada.
Polanski, realmente, não é para principiantes....,

 E me autoelogiei em silêncio pela compreensão e captação da mensagem que ele desejou passar. 
A vivência de tantos anos ,lidando com pessoas da comunidade LGBT portadoras de problemas e angústias  , bem que ajudou.
Todas elas traumatizadas pela inadaptação ao meio em que vivem e ao silêncio em que são obrigadas a se refugiar.
***********************
 TEXTO DE INACIO ARAUJO
Crítico de cinema da FOLHA

""Uma atriz entra no teatro onde acaba de terminar uma sessão de testes para a peça "A Pele de Vênus".
Vanda (Emanuelle Seigner) é o seu nome e parece ter todas as qualidades para ser rejeitada: é mal educada, vulgar, ignorante. E, pior, já vai dizendo que a peça, adaptada do romance de Leopold von Sacher Masoch (1836-1895) é pornográfica.

Vanda é insistente. Tanto que o adaptador e diretor Thomas (Mathieu Amalric) não consegue se livrar dela. Ao fim, concede-lhe o direito de ler uma cena.

Então, a surpresa: Thomas percebe que Vanda não é a atriz pornô que ele imaginava. Ela se transfigura. Na pele de Wanda von Dunajev mudam a voz, os gestos, o olhar.


Thomas, boquiaberto, começa a lhe dar as réplicas. 
A satisfação do encenador faz com que a comunicação entre os dois se aprofunde. Aturdido, ele percebe que Vanda tem a peça decorada.

A Vênus diante dele não deixa de lembrar Marlene Dietrich (1901-1992). E lembrar Marlene é, imediatamente, evocar um jogo de dominação de que a perversão não está ausente. Afinal, ninguém adapta Masoch impunemente.

De leitor, Thomas converte-se em Séverin, o personagem masculino. Como resistir, afinal, a uma atriz que conhece tão bem o seu papel? E que dá sugestões pertinentes sobre a peça?

Com isso, o jogo está lançado: quem dirige? Thomas ou Wanda? O conflito de poder, algo bem a gosto do diretor Roman Polanski, entra em cena. Mas o homem parece não ter muitas armas. Quando Vanda lhe diz que a peça é sexista, tudo que ele pode articular são alguns lugares comuns sobre a mania de reduzir tudo a um fenômeno social ou psicológico.

Existe ainda a troca constante de papéis, como se os personagens se duplicassem. 

As tensões interpessoais e as perversões, também. 
E presente está, sobretudo, a atriz Emmanuelle Seigner. Porque este é filme feito por Polanski para Seigner.
Ela é Vanda, Wanda, Marlene Dietrich: é teatro e cinema se fazendo diante de um Mathieu Amalric que parece tão desconcertado quanto Thomas diante de sua Vênus."

*********************************

 

*******


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Merce Cunningham & John Cage- Dois em um-literalmente




Este  texto do blog é dedicado à Clara Gama, minha neta querida, bailarina, Mestre em Ciência da Dança e ao trabalho que ela desenvolve. 
**********************************


 A parceria no trabalho e na vida.



Merce Cunningham
“A dança ficou órfã”,dizia a materia de capa do SEGUNDO CADERNO, por Suzana Velasco, publicada em “O GLOBO”,no dia seguinte à morte do coreógrafo.
Verdade.Em menos de um mês, a dança moderna  havia perdido Pai e Mãe.
Foram-se Pina Bausch e Merce Cunningham.

A dança ficou órfã,mas tornou-se  herdeira do talento e criatividade dos dois e, certamente, continuará  rica,aumentando o rendimento do capital artístico,tanto na chegada das novas vocações como na garra dos discípulos dos Mestres.

Merce, considerado o Einstein da dança,era companheiro em vida e obra,   de John Cage , o Senhor do Silêncio,que revolucionou a música contemporânea.
Os dois ,em parceria,criaram trabalhos em que som e dança eram independentes  mas poderiam se apresentar simultaneamente Relacionadas ou não,as performances aconteciam no mesmo tempo e espaço.Uma verdadeira revolução estético-auditiva que balançou as estruturas da arte no século XX.
O primeiro sucesso na nova formatação foi  o ballet "The Seasons(As Estações), de 1947
Os dois fizeram parte de um grande grupo de artistas  de vanguarda em Nova York( nomes como Robert Rauschenberg, Robert Motherwell, Jasper Johns e  Cy Twombly) que mais tarde se chamou "The New York City Ballet” . 

Merce Cunningham (1919-2009)


O Einstein da Dança
 
Mercier Philip Cunningham,nasceu em Centralia, Estado de Washington em 16 de abril de 1919 e aos 12 anos,começou a estudar dança.

 Matriculou-se numa escola de teatro aos 16,para aperfeiçoar as técnicas de palco.

Em 1939,já influenciado por John Cage,começou a praticar com Martha Graham e, durante quatro  anos, ali desenvolveu seu talento vanguardista.
O aluno surpreendeu a mestra com um solo “Totem Ancestor”,música de Cage.
Aí se concretiza a parceria.Viajaram juntos em turnês em que mesclavam coreografia e a música contemporânea.

Aos 28 anos,Cunningham desenvolveu para Cage a coreografia “The Seasons”,abriu a própria escola onde passou a ensinar seu método peculiar.Fundou a  Merce Cunningham Dance Company,sempre com Cage.
Apresentou em público as coreografias “SOLO SUITE IN SPACE AND TIME”,” DIME A DANCE”, “UNTITLED SOLO”  e “ FRAGMENTS”
 Merce e John

Merce foi um exemplo do que a gente estuda em Semiologia como “corte epistemológico do paradigma”, ao se afastar das coreografias tradicionais de seu tempo que englobavam ,como ensinavam os compêndios, “finalidade, construção e técnica”

Após a primeira turnê mundial, aos 45 anos,seu grupo  foi reconhecido oficialmente,como companhia residente na Brooklyn Academy of Music.

Já conhecido como o “Einstein da dança”,criou cerca de 200 coregrafias, com a colaboração de Jasper Johns, Andy Warhol e Robert Rauschenberg. 

Aos 50, assumiu a direção da Companhia de Dança Moderna de Nova York.

Existe material disponível em videos na internet,no Youtube e em sites especializados, mostrando como -para Merce- a dança deveria ser um movimento natural.Ele indicava a direção,os tempos e as paradas.

O resto, sem encadeamento, ficava por conta dos bailarinos. Eram os EVENTS : a dança no presente, aqui e agora,

Segundo sua definicão, em cada Event, a dança era um “acompanhamento sonoro  que poderia variar da variar da música instrumental à música eletrônica”

Internauta de primeira hora,a partir dos 70 anos  começou a usar o computador para desenvolver  novas possibilidades na coreografia.

Merce Cunningham abriu novo mundo para jovens coreógrafos e é o criador dasduas tendências da dança moderna americana:  NOUVELLE DANSE e o POS MODERN. 

Esteve no Brasil doente, em cadeira de rodas, para dar aulas e preparar novos e privilegiados colegas coreógrafos.

***************

John Cage (1912-1992)

O Senhor do Silêncio

O nome de John Cage está agregado ao do coreógrafo,como se fossem dois em um.
John Milton Cage Jr ,compositor, filósofo,poeta,músico,artista plástico,pioneiro da música eletrônica e do uso não convencional dos instrumentos musicais,nasceu em  5 de setembro de 2012, em Los Angeles. 
Abandonou um curso de arquitetura para estudar com Schoenberg.
Com pedaços de madeira,borracha e metal, tirou novos sons do piano   (Bacchanale, 1938, Concerto para Piano e Orquestra de Câmara, 1951). 

E acrescentava em suas peças ruídos do  cotidianos e efeitos eletrônicos. 
 Cage  usava o silêncio para captar sons ambientes, que mudavam a cada apresentação de sua famosa 4’33, de 1952,três movimentos  sem nenhuma nota emitida pelos instrumentos,durando os quatro minutos e trinta e três segundos sugeridos no título e marcados num relógio, parte integrante da obra

****

 4'33

https://www.youtube.com/watch?v=JTEFKFiXSx4

*********

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Filme sobre o início do movimento LGBT será lançado dia 25/9 nos EEUU


  Texto original no site Observatório do Cinema
 




 


 *********************


A Roadside Attractions anunciou a data de estreia de Stonewall, filme do diretor Roland Emmerich  O drama gay chega aos cinemas dos EUA no dia 25 de setembro.
Escrito por Jon Robin Baitz , gira em torno do violento conflito entre militantes homossexuais e policiais de Nova York na década de 1970, que foi apelidado de Rebelião de Stonewall. O evento é reconhecido como o catalisador dos movimentos dos direitos civis LGBT por ter sido a primeira vez em que um grande número de pessoas se reuniu para protestar contra os maus tratos da polícia à comunidade.
StonewallA trama será contada pelo ponto de vista do jovem Danny Winters (Jeremy Irvine, de Cavalo de Guerra), que se muda para Nova York após ser expulso de casa.

Sem teto ou dinheiro, o personagem cria amizade com um grupo de adolescentes que lhe apresenta o Stonewall Inn, casa noturna dirigida pela máfia e que também serve como abrigo para homossexuais, travestis e outros grupos socialmente rejeitados da época.

Em meio aos shows de drag queens, o protagonista se envolve com o personagem de Jonathan Rhys Meyers  (The Tudors, Drácula), ao mesmo tempo em que desperta a inimizade do gerente da casa, vivido por Ron Perlman (Hellboy).
Não há previsão de lançamento para Stonewall no Brasil.


*************************************


Alan Turing e a maçã envenenada. .

   Texto postado nos meus dois blogs , em homenagem à Parada Gay de São Paulo, hoje dia 7 de junho . Estive presente na 1a , aqui no Rio,aco...