quarta-feira, 20 de março de 2013

A menor das minorias

Este foi o primeiro post do blog que acaba de completar dois anos.




Radio Transgay, a voz da menor das minorias.



A idéia da Radio Transgay surgiu para expressar as necessidades da menor das minorias.

Praça e monolito da Diversidade Sexual
"Se os gays e lesbicas são discriminados, os transexuais estão bem atrás no que se refere à minimização do preconceito", diz Ariana Cano, criadora da Rádio.
Portenha da gema, Ariana nasceu em Florida Vicente Lòpez - zona norte da grande Buenos Aires - e decidiu abrir o espaço de sua emissora para divulgar gratuitamente o trabalho todas as comunidades LGBT
Com as bênçãos da “madrinha” ATTA (Associacão dos Travestis e Transexuais da Argentina), a Radio Transgay, primeira do gênero no mundo, entrou no ar no dia 16 de julho de 2005 e seu sinal é emitido via internet no endereço http://www.transgay.com.ar Está ali também disponivel um pequeno mas eficiente serviço social: quinze psicólogos e 3 advogados oferecem, voluntariamente, atendimento e consultoria.


Seminário em Montevideo
No dia 14 de outubro de 2008 , com a presença de representantes do Governo Federal e do Ministério da Saúde locais, estiveram reunidos em Montevideo, Uruguai dirigentes de vários grupos da Diversidade. A mídia uruguaia cobriu o evento e apontou a Radio Transgay como “fenômeno social”. Ainda em fase de organização do espaço e planejamento para o futuro , existe uma possibilidade da Rádio desenvolver um projeto direcionado ao setor em parceria com a Anistia Internacional.
Um oásis na discriminação
No dia 2 de fevereiro de 2005, o então prefeito de Montevideo Mariano Arana inaugurou a Praça da Diversidade Sexual, no final de uma rua de pedestres da Ciudad Vieja (bairro histórico).
Montevideo passa a ser a 4ª cidade do mundo - junto com Amsterdam, São Francisco e Nova York - e a primeira da América Latina a ter um espaço pró Diversidade.
Em Berlim, está em andamento um monumento-homenagem às vítimas do preconceito sexual do regime nazista.
A Praça representa, segundo as palavras do ex-prefeito, um dos ideais mais profundos da sociedade uruguaia, que deve estar
aberta para possibilidades que signifiquem avanço para a Humanidade.
 
Ela continua a mesma
Como não poderia deixar de ser, a Igreja Católica - através de seu braço uruguaio ”Associacão Cristã Uruguaia dos Profisisonais de Saúde” - foi contra a iniciativa, sustentando que “a Praça aumentará o turismo gay e incrementará as probabilidades de propagação da AIDS no país “. 



  “Honrar a diversidade é honrar a vida”
Foi colocado na Praça um monolito negro de forma triangular, símbolo dos homossexuais mortos durante o Holocausto. Ali se encontram gravadas as seguintes palavras "Honrar a diversidade é honrar a vida. Montevideo pelo respeito a todos os gêneros, indentidades e orientações sexuais”

******************************************

sexta-feira, 15 de março de 2013

RICHARD AVEDON


                      (1923-2004)


Retrato em branco e preto

A ganância da ex-nora para abocanhar alguns milhões de dólares num processo de divórcio mostrou uma pequena nesga secreta da vida íntima do grande Richard Avedon: ele gostava de jovens  rapazes, embora tenha se casado duas vezes.
Caroline Kennedy
Autor de algumas das mais belas fotos de todos os tempos, espelho e inspiração de muitos fotógrafos de nível internacional, Avedon preferia trabalhar em preto e branco.

Transformou a fotografia de moda em obra de arte, procurando encontrar a essência espiritual de seus modelos. Uma evidência explicitada nas magníficas fotos de Buster Keaton, Gloria Vanderbilt, Pablo Picasso, Frank Lloyd Wright, Brigitte Bardot, Jacques Cousteau, Andy Warhol, Charles Chaplin, Ezra Pound, Allen Ginsberg, Audrey Hepburn e Rudolf Nureyev (cujo nu deixava à vista seu inacreditável, digamos, potencial)

Portfólio Eclético

Richard Avedon nasceu em 15/5/1923, em Nova York.
O pai era proprietário de uma loja de roupas femininas e a mãe fotógrafa amadora, colecionava revistas de moda. Estudou filosofia na Universidade de Colúmbia.
Morreu em 1/10/2004 em San Antonio, Texas, vitimado por uma hemorragia cerebral.

Seu eclético portfolio vai das fotos de moda aos órfãos de Danang, durante a Guerra do Vietnã, passando pelos estudos de Marilyn Monroe ,Brigitte Bardot e Sophia Loren e fotos de doentes mentais, no Lousiana State Hospital.

Método pessoal
Audrey Hepburn

Foi durante o serviço militar, fotografando para a marinha mercante americana, em 1942, que descobriu a vocação. Em 1944, de volta à vida civil, ingressou na New School for Social Research, em NY para aprofundar seus conhecimentos artísticos.

A loja de departamentos Bonwitt Telle cedeu algumas roupas para que Avedon fizesse suas primeiras fotos de moda.
Em 1945, enviou seus trabalhos para Alexy .Brodovitch,diretor de arte da Harper´s Bazaar, que, entusiasmada com pioneirismo do jovem, tornou-se seu mentor.

Assim, Avedon passou a clicar celebridades e moda para a Revista, inaugurando uma forma muito pessoal de trabalhar.

O contato com o modelo quase se convertia em caso de amor platônico - o resultado era um retrato psicológico minimalista e monocromático. Pedia a seus modelos que se movimentassem, o que dava um efeito original e dramático.

No final dos anos 50, começou a fotografar também em estúdio. 
Ali foram realizadas algumas fotos de moda que se tornaram clássicas.
Estendeu sua colaboração à revista Vogue e, criando sua própria “escola”, tornou-se um dos precursores da arte fotográfica moderna.

O Andy Warhol da Fotografia

Usava uma lente grande angular, escolhia ângulos incomuns e cenários fora do padrão, como circos, zoológicos e a plataforma de foguetes da NASA.

En 1957, sua vida inspirou o roteiro do filme "Funny Face", con Fred Astaire e Audrey Hepburn.
Em 1978, quando era considerado “o Andy Warhol da fotografia”, já um ícone norte americano, entrou pela porta da frente do mundo cultural, realizando uma exposição no Metropolitan Museum de Nova York.

Onipresença

Produziu um livro em parceria com Truman Capote: “Observações”.
Fez ensaio sobre meninos de rua, na Itália, ao mesmo tempo em que fotografou as vítimas do napalm, na Guerra do Vietnã. Em 1989, estava no local par registrar a queda do Muro de Berlim.
Em 1992, perto dos 70 anos, foi contratado como fotógrafo da revista 'New Yorker'. 

Eis o comentário do jornal "USA Today" a respeito da contratação de Avedon: "Ter Avedon como fotógrafo contratado era como chamar Michelangelo para pintar uma casa.”

A útima exposição de seus trabalhos - “Richard Avedon, Retratos”- foi em 2002, mais uma vez no Met novaiorquino.

sábado, 9 de março de 2013

Michelangelo e a escolha do novo Papa



Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese,província de Florença, 6 de Março de 1475 — Roma, 18 de Fevereiro de 1564) 



Michelangelo, que era homossexual,viveu até a extraordinária idade de 89 anos em pleno século 16 e trabalhou até os seus últimos dias deixando imenso legado :esculturas.pinturas, desenho e obras na arquitetura. 

   



Capela Sistina
É sob os afrescos do teto da Capela Sistina dentro da ala de museus do Palácio Apostólico, na Cidade do Vaticano  que acontecerá a escolha  do novo Papa.
O piso será elevado e ali colocadas mesas e cadeiras que abrigarão os cardeais.
Os fornos para queimar os votos e a cheminé-  com a  "fumaça branca"para anunciar o eleito-  foram instalados e, nesta quarta-feira dia 13/3, estão previstos outros escrutínios. Já foram duas as fumaças pretas.


****
A Capela Sistina, que demorou quatro anos para ficar pronta-  e o David de mármore branco de 5.17 metros de altura,encomendado como símbolo da república florentina,estão entre as maiores obras da Renascença Italiana e seu autor é considerado o mais famoso artista que jamais existiu.  

*******
O texto a seguir é do site www.suapesquisa.com :

 
Como grande parte dos pintores e escultores da época, Michelangelo começou a carreira artística sendo aprendiz de um grande mestre das artes. 
Seu mestre, que lhe ensinou as técnicas artísticas, foi Domenico Girlandaio. Após observar o talento do jovem aprendiz, Girlandaio encaminhou-o para a cidade de Florença, para aprender com Lorenzo de Médici. 

Na Escola de Lorenzo de Medici, Michelangelo permaneceu por 2 anos (1490 a 1492). Em Florença, recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores e intelectuais da época, já que a cidade era um grande centro de produção cultural.
Foi morar em 1492 na cidade italiana de Bolonha, logo após a morte de Lorenzo. Ficou nesta cidade por 4 anos, já que em 1496 recebeu um convite do cardeal San Giorgio para morar em Roma. 

San Giorgio tinha ficado admirado com a escultura em mármore Cupido, que havia comprado do artista. Nesta época, criou duas importantes obras, com grande influência da cultura greco-romana: Pietá e Baco. Ao retornar para a cidade de Florença, em 1501, cria duas outras obras importantes: Davi  e a pintura a Sagrada Família.
No ano de 1503, o artista recebeu um novo convite vindo de Roma, de Júlio II. Foi convocado para fazer o túmulo papal, obra que nunca terminou, pois constantemente era interrompido por outros chamados e tarefas. Entre os anos de 1508 e 1512 pintou o teto da Capela Sistina do Vaticano sendo por isso patrocinado por Leão X 

Neste período também trabalhou na reconstrução do interior da Igreja de São Lourenço em Florença.
Entre os anos de 1534 e 1541, trabalhou na pintura O Último Julgamento, na janela do altar da capela Sistina. Em 1547 foi indicado como arquiteto oficial da Basílica de São Pedro no Vaticano.
Morreu em 18 de fevereiro de 1564, aos 89 anos de idade na cidade de Roma. Até os dias de hoje é considerados um dos mais talentosos artistas plásticos de todos os tempos, a.

Relação das principais obras de Michelangelo:
- Afrescos do teto da Capela Sistina
- A criação de Adão
- Julgamento Final
- Martírio de São Pedro
- Conversão de São Paulo
- Cúpula da Basílica de São Pedro
- Esculturas: Davi, Leda, Moisés e Pietá
- Retratos da família Médici
- Livro de poesias: Coletânea de Rimas
- A Madona dos degraus (relevo)
 
 

********************


 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

k.d.lang,uma crooner de jazz




Vegetariana convicta e participante da organização contra o morticínio de animais (PETA), k.d. lang gravou uma campanha nacional contra o consumo de carne bovina cujo slogan era “Meat stinks!”(carne fede!).
Os pecuaristas da região onde a cantora nasceu, não satisfeito com um boicote feroz aos seus discos, picharam a placa da entrada de Consort, onde se lia “Home of k d lang” com as palavras “Eat beef, dike!” (Coma carne, sapatona!)

.***** 
pop star canadense Kathryn Dawn Lang nasceu em 2 de novembro de 1961 em Edmonton, na província de Alberta. A família, muito musical, mudou-se para Consort nove meses depois.

Aos cinco anos, Kathrin já cantava em festas escolares e em casamentos. Aos 18, deixando de lado seus talentos no campo esportivo, entrou para o Red Deer College,com o objetivo de estudar música durante dois anos.
Ali descobriu o movimento punk e a arte performática e participou do GOYA (Group of Young Artists). O interesse pela música country só se desenvolveu depois que participou de um coral colegial: o Country Chorale.
Miss Kathy Dawn se torna k.d.lang. 

O agente Larry Wanagas, que conheceu Kathy em Edmonton em num teste para crooner, encantou-se com sua voz e sugeriu a criação de sua própria banda.
Assim, Katrhyn passou a ser acompanhada dos “Reclines”, uma homenagem a Patsy Cline ( a cantora country morta em acidente aéreo em 3 de Marco de 1963), por quem era obsecada.

Para ser apenas “um nome genérico, não uma sexualidade”, passou a fazer questão de ter seu nome grafado de forma abreviada e todo em letras minúsculas. 
A cantora e seu grupo gravaram os primeiros trabalhos em “ A Truly Western Experience” e k.d. criou ”Angel With A Lariat” . O sucesso foi imediato.Ganhou seu primeiro Grammy (como melhor cantora de country) pela hoje clássica Absolute Torch and Twang e cantou na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Inverno de 1988, em Melbourne.
Versátil, dividiu o microfone com Elton John, Andy Bell (do Erasure), George Michael e Tony Bennet.
Solidária, participou, com Paul Mc Cartney, de vários espetáculos para angariar fundos destinados à pesquisa da AIDS e sua presença é sempre notada em demonstrações a favor dos direitos de gays. 



Saindo do armário
k.d. lang logo assumiu sua homossexualidade em depoimentos ( destaque para a famosa entrevista de capa no magazine “The Advocate”, em 1992) e nas letras de suas canções.
Passou a usar roupas masculinas e a cortar o cabelo com máquina 1.

Quanto mais era incensada pela crítica, a despeito desta excentricidade ao vestir, menos o conservador público do mundinho country a aceitava.

k.d. deu a volta por cima, assinando a trilha sonora do filme de Gus Van Sant,

Até as Vaqueiras Ficam Tristes (Even Cowgirls Get The Blues) , intensificando a militância na PETA, no Greenpeace e no Friends of the Earth e protagonizando a película Salmonbeer
Em 1992, lançou “Ingenu”’, cuja faixa “Constant Craving” se tornou sua marca registrada Foi seu maior sucesso comercial, tendo recebido dois discos de platina e mais um Grammy.

Premiada várias vezes como melhor cantora nas listas da Rolling Stones, recebeu, na Inglaterra, o Brit Award. O último trabalho de k.d. Live by Request, de 2001, traz uma seleção de músicas de quase todos os CD's, inclusive Constant Craving, até hoje seu maior hit. k.d. : “uma crooner de jazz” 
Numa entrevista para a imprensa brasileira, pergutada sobre a afinidade com Elvis (cuja ligação com o country era muito marcante em sua fase inicial), respondeu que hoje se situa num patamar próximo do jazz. 

E que recebe grande influência da música brasileira, de Tom e João Gilberto a Carilnhos Brown. “Canto baladas e gravito em torno do jazz. O rock proporciona um grande leque de possibilidades para os cantores, mas eu me sinto de fato uma crooner de jazz”.
***********************************

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mônica aos 50 anos talvez ganhe amiguinho gay

Maurício de Souza, criador da personagem Mônica das histórias em quadrinho,
declarou em entrevista `a coluna GENTE do Segundo Caderno de O GLOBO (19/2/2013) que tem pensado em estender  a TURMA para os  adultos também.
E  acrescentou que -sem transformar o tema em bandeira,o segmento gay precisa ser representado.

Mônica fará 50 anos dia 3 de março e na data estreia "Mônica Mundi" no Theatro Net Rio,localizado no Shopping Cidade de Copacabana.  


************



Eventos previstos para o cinquentenário em 2013:

-Montagem em grande estilo da primeira peça de teatro, Romeu e Julieta;

-Espetáculo Mônica Mundi, com canções inspiradas nas músicas de vários países;

-Festival de Música;

-Jornada Musical, com o maestro João Carlos Martins;

-Exposição sobre a história da personagem Mônica no MUBE - Museu Brasileiro da Escultura - em São Paulo;

-Reedição de brinquedos de época, como a primeira boneca da Mônica da Trol;

-Edições especiais sobre os 50 anos da Mônica, pela Editora Panini;

-Exposição dos cartunistas brasileiros homenageando a personagem, em fevereiro;


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Manuel Puig - 80 anos



Primeiro escritor pop,autor do “Beijo da Mulher Aranha”

Em dezembro passado,Puig teria completado 80 anos


O evento Puig en Acción 2010, realizado em outubro de 2010, reuniu homenagens ao argentino Manuel Puig, nos 20 anos de sua morte.O autor ficou conhecido no Brasil pela obra “O beijo da Mulher Aranha”.

Além de debates, mostras de artes plásticas e espetáculos musicais e teatrais, houve um belo momento bem ao jeito Puig de ser - foi assinado um “convênio de irmandade” entre a cidade natal argentina de General Villegas (a 300 quilômetros de Buenos Aires) e Cuernavaca, no México, onde o escritor faleceu.

O convênio foi ampliado para além da mera homenagem simbólica de dois países: engloba assuntos administrativos, relações econômicas e comerciais, projetos para os jovens e, principalmente, a difusão da obra de Puig.

"O Beijo da Mulher Aranha", de 1982, considerada uma de suas obras-primas, foi adaptada para o teatro no Brasil e transformada em filme pelo diretor Héctor Babenco.

O filme conta a história do prisioneiro político Valentín Arregui (interpretado por Raul Julia) e Luís Molina (William Hurt), um homossexual condenado por "estupro de menor". Sonia Braga é a “Mulher Aranha” do título.

Os dois dividem a cela numa prisão brasileira.

Em 1985, deu a William Hurt o Oscar de melhor ator.



***********.



Juan Manuel Puig Delledonne nasceu em General Villegas, em 28 de dezembro de 1932 e viveu até os 13 anos em sua cidade natal.

Os pais o enviaram a Buenos Aires para aprimorar conhecimentos - ali ele terminou os estudos no Colégio Ward de Ramos Mejía.

Em 1950, estava matriculado na Faculdade de Arquitetura e, no ano seguinte, pediu transferência para o curso de Filosofia e Letras.

Em 1956, com a bolsa de estudos concedida pelo Centro Sperimentale di Cinematrografia, viveu algum tempo em Roma.

Depois, morou em Londres e Estocolmo, dando aulas de italiano e espanhol enquanto começava a escrever seus roteiros para o cinema.

Entre 1961 e 1962, trabalhou como assistente de direção em filmes na Argentina e na Itália.

Muito interessante a capacidade de Puig em ser “divisível” ou “multiplicável” e conseguir desenvolver atividades diversas em locais diversos e quase ao mesmo tempo .

Em 1965, nova mudança na vida o levou a Nova York, onde começou a escrever seu primeiro romance - “A traição de Rita Hayworth” - que ficou aguardando publicação durante 3 anos, depois de vencer o Concurso Biblioteca Breve, da editora Seix Barral.

A história, ambientada na cidade fictícia de Coronel Vallejos (clara inspiração da natal General Villegas), já esboça as características básicas de sua obra - associação de idéias, montagens, deslocamentos e emprego de estereótipos de gêneros considerados “menores”: fotonovelas, radioteatro, folhetins.


O indo e vindo infinito
Era 1967 e, novamente em Buenos Aires,Puig escreveu “Boquinhas pintadas”, livro publicado em 69 e levado ao cinema por Leopoldo Torre Nilsson.

“Umidade relativa 95%” também é dessa época, mas ficou inacabada. Já escritor de grande renome na Argentina, em 1973 ,publicou e viu ser censurado “The Buenos Aires Affair”, livro que provocou ameaças à sua integridade física e provocou a mudança para o México (1976), onde escreveu “O Beijo da Mulher Aranha” , adaptado para o cinema por Héctor Babenco, em 1981.

  • Passou-se um breve tempo e logo nosso biografado estava de novo nos Estados Unidos, onde deu curso de redação criativa na Universidade de Columbia e escreveu “Pubis angelical”, adaptada para o cinema por Raúl de la Torre e grande best seller na Espanha.



Temporada Carioca (1980-1989) e dias finais


Durante nove anos radicado no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, Puig adaptou “O beijo” para o teatro, para espetáculo musical e o livro também foi encenado como ópera.

Na agitada temporada carioca, lançou “Gardel, uma lembrança musical”, composto em língua portuguesa.

Publicou “Maldición eterna a quien lea estas páginas”, lembranças de sua vida novaiorquina, terminou “Sangre de amor correspondido” e publicou “Cae la noche Tropical”.

Entre o final de 1989 e começo de 1990, alugou uma villa em Santa Marinella, Italia, para escrever o roteiro de "Vivaldi", sobre a vida do grande compositor.

Os produtores desejavam William Hurt, premiado com um Oscar pelo papel de Molina no “Beijo” para interpretar Vivaldi e Hurt também desejava que o roteirista fosse Puig, mas o projeto não se realizou.

O autor voltou ao México, comprou uma casa em Cuernavaca e estava cuidando das reformas e morando com a mãe quando teve uma crise de vesícula, foi operado de emergência e, no dia seguinte ao da cirurgia, 22 de julho de 1990, faleceu.

Muitos roteiros e romances ficaram incompletos, mas a substancial obra de Puig, inspirada na chamada vertente “ pop”, que atravessou os anos 60 e 70, é considerada uma das mais originais do século XX e ocupa um papel de destaque na literatura latino-americana.

************************************************

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Casamentos de fachada na China


Reproduzo matéria da BBC-Brasil que está na home do UOL hoje


****************



16 milhões de casamentos de gays na China




Um estudo feito no ano passado por Zhang Beichuna, da Universidade de Qingdao, estima que existam 16 milhões de mulheres casadas com homens homossexuais.

"Muitos gays se envolvem em casamentos com heterossexuais para atender às pressões sociais - em especial de seus pais -, mas continuam mantendo relações homossexuais fora do casamento", conta Xu Bin, presidente do grupo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) Common Language, de Pequim.

Jovens de Hong Kong saem as ruas para pedir igualdade de direitos durante Parada Gay

Foto 1 de 13 - Pessoas que participam da Parada do Orgulho Gay em Hong Kong carregam bandeira gigante colorida, que representa mundialmente a causa gay. O evento promove a igualdade de direitos para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros Jerome Favre/EFE/EPA

Conforme a tradição cultural chinesa, jovens devem se casar em torno dos 25 anos e ter filhos, para dar continuidade à linhagem familiar. O casamento é um dos pilares sociais mais importantes no país - além de ser visto como uma garantia de segurança financeira e emocional para muitos idosos, que dependem financeiramente dos filhos para sobreviver, já que o sistema de previdência social chinês é ainda pouco desenvolvido.

Mas um dado que pode ser visto como um sinal de modernização da sociedade chinesa é o aumento, segundo o estudo da Universidade de Qingdao, dos casos de jovens pedindo divórcio ou anulação do casamento por descobrirem que seus parceiros são homossexuais.

Em janeiro, a Primeira Corte Intermediária de Pequim, que lida com divórcios e anulações de matrimônios, divulgou que o número de pedidos de anulação de casamentos em curto prazo está crescendo, ao passo que o de divórcios está diminuindo.

O estudo liga o dado à disposição de jovens esposas a não aceitar o casamento de fachada. Mas Xu Bin, presidente do grupo GLS, diz que muitas mulheres tentam a anulação para evitar o estigma social. "O pedido de anulação mostra que as mulheres entendem que ser divorciada diminui seu valor na sociedade", analisa Xu Bin.

Sem relações

Uma jovem de 32 anos de sobrenome Ying, de Pequim, pediu o divórcio de seu marido no final de 2012. Depois de um ano casados e sem manter relações sexuais, Ying descobriu que seu esposo era homossexual. "Ele chegou a pedir para que ficássemos ainda casados e tivéssemos filhos, para que a família dele não fosse prejudicada. Mas eu não podia viver assim", diz.

No grupo coordenado por Xu Bin, um programa de assistência via telefone atende diversas mulheres que alegam terem descoberto que seus maridos são homossexuais. A situação inversa também é comum. "Muitas chinesas se casam mesmo sabendo que são lésbicas. Mas elas não têm coragem de assumir sua posição perante a família e acabam seguindo a tradição, ainda que mantenham relações e namoradas fora do casamento", conta a ativista.

Casos assim são comuns na comunidade GLS chinesa e criam confrontos entre gays mais jovens e mais velhos. Em fóruns de discussão na internet, lésbicas da geração pós-1990 criticam a posição de mulheres de gerações anteriores que se mantêm casadas em função de pressão social. Xu Bin tenta criar encontros entre a comunidade para a troca de experiência, pois "as jovens cresceram em uma China já mais aberta, e é difícil para elas entender que gerações mais velhas lidavam com preconceito de uma forma muito pior".

A homossexualidade era considerada doença mental na China até 2001. Até 1997, manter relações homoafetivas na China era considerado crime. Ainda há preconceito contra relações entre pessoas do mesmo sexo e, em zonas rurais, é ainda comum o caso de pais tentarem "tratar" filhos gays através da medicina.

O número de homossexuais no país, no passado estimado em 29 milhões, seria hoje em dia de mais de 50 milhões, de acordo com Xu Bin. No estudo conduzido pelo professor Zhang, há estimativas de que 70% dos homens gays chineses sejam casados.

Casar-se ou não é ainda uma questão de difícil abordagem no país, mesmo dentro de grupos de apoio aos homossexuais. Uma das saídas encontradas em cidades como Dalian e Xangai foi a criação de bailes dirigidos a homens e mulheres gays, para que estes pudessem se conhecer e eventualmente armar um "casamento", podendo manter suas relações fora do casamento livremente e sem a pressão do cônjuge. Em Xangai há também um baile semanal voltado apenas a homens gays que são casados.

Borboleta da Sibéria

O artista plástico Xiyadie (seu nome artístico significa Borboleta da Sibéria) é um dos casos mais famosos de gays casados da China. Aos 48 anos, o artista já expôs seus trabalhos em Los Angeles e Estocolmo. Xiayadie se dedica ao jianzhi, a arte do corte de papel, que é um dos tesouros culturais chineses. A temática de sua obra, porém, é sua vida ao lado de seu companheiro de oito anos.

"A primeira vez que descobri ter sentimentos por meninos foi ainda criança, na escola. Eu achava que era doente, um cafajeste", conta. Aos 24 anos, o jovem de origem humilde cedeu às pressões familiares e se casou, após ter sido apresentado a dezenas de meninas pelos seus pais. "Naquela época eu já tinha certeza de que era gay, mas não tinha coragem de assumir, então tinha meus relacionamentos às escondidas. Era como se eu soubesse que precisasse comer do prato, mas também queria comer direto da panela."

Apenas há dez anos o artista encontrou forças de conviver com seus sentimentos. Apoiado por um especialista em jianzhi de sua cidade natal, Yan'an, na província de Shanxi, o berço da arte milenar, Xiyadie mudou-se para Pequim, deixando para trás sua esposa e seus dois filhos.

Ele ainda não consegue viver de sua arte, então mantém um trabalho regular em um estúdio do cineasta Xiang Ting, em Songzhuang, leste da capital, onde trabalha como segurança, cozinheiro e zelador por 1,5 mil yuans mensais (R$ 490) e, à noite, faz seus recortes dentro de sue quarto de dois metros quadrados. E não está divorciado.

"Minha esposa e minha filha sabem que sou homossexual. Minha filha conhece meu namorado e eles se dão bem", conta. O filho mais velho tem 23 anos e é deficiente mental.

Questionado sobre o que faria se voltasse aos 24 anos e tivesse de escolher entre casar ou assumir sua orientação sexual, Xiyadie diz que mudaria pouco. "Acho que fugiria dos meus pais. Voaria para longe para viver a minha vida. Não cederia a eles, mas também não contaria a verdade sobre mim."

Alan Turing e a maçã envenenada. .

   Texto postado nos meus dois blogs , em homenagem à Parada Gay de São Paulo, hoje dia 7 de junho . Estive presente na 1a , aqui no Rio,aco...