quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Manuel Puig - 80 anos



Primeiro escritor pop,autor do “Beijo da Mulher Aranha”

Em dezembro passado,Puig teria completado 80 anos


O evento Puig en Acción 2010, realizado em outubro de 2010, reuniu homenagens ao argentino Manuel Puig, nos 20 anos de sua morte.O autor ficou conhecido no Brasil pela obra “O beijo da Mulher Aranha”.

Além de debates, mostras de artes plásticas e espetáculos musicais e teatrais, houve um belo momento bem ao jeito Puig de ser - foi assinado um “convênio de irmandade” entre a cidade natal argentina de General Villegas (a 300 quilômetros de Buenos Aires) e Cuernavaca, no México, onde o escritor faleceu.

O convênio foi ampliado para além da mera homenagem simbólica de dois países: engloba assuntos administrativos, relações econômicas e comerciais, projetos para os jovens e, principalmente, a difusão da obra de Puig.

"O Beijo da Mulher Aranha", de 1982, considerada uma de suas obras-primas, foi adaptada para o teatro no Brasil e transformada em filme pelo diretor Héctor Babenco.

O filme conta a história do prisioneiro político Valentín Arregui (interpretado por Raul Julia) e Luís Molina (William Hurt), um homossexual condenado por "estupro de menor". Sonia Braga é a “Mulher Aranha” do título.

Os dois dividem a cela numa prisão brasileira.

Em 1985, deu a William Hurt o Oscar de melhor ator.



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Juan Manuel Puig Delledonne nasceu em General Villegas, em 28 de dezembro de 1932 e viveu até os 13 anos em sua cidade natal.

Os pais o enviaram a Buenos Aires para aprimorar conhecimentos - ali ele terminou os estudos no Colégio Ward de Ramos Mejía.

Em 1950, estava matriculado na Faculdade de Arquitetura e, no ano seguinte, pediu transferência para o curso de Filosofia e Letras.

Em 1956, com a bolsa de estudos concedida pelo Centro Sperimentale di Cinematrografia, viveu algum tempo em Roma.

Depois, morou em Londres e Estocolmo, dando aulas de italiano e espanhol enquanto começava a escrever seus roteiros para o cinema.

Entre 1961 e 1962, trabalhou como assistente de direção em filmes na Argentina e na Itália.

Muito interessante a capacidade de Puig em ser “divisível” ou “multiplicável” e conseguir desenvolver atividades diversas em locais diversos e quase ao mesmo tempo .

Em 1965, nova mudança na vida o levou a Nova York, onde começou a escrever seu primeiro romance - “A traição de Rita Hayworth” - que ficou aguardando publicação durante 3 anos, depois de vencer o Concurso Biblioteca Breve, da editora Seix Barral.

A história, ambientada na cidade fictícia de Coronel Vallejos (clara inspiração da natal General Villegas), já esboça as características básicas de sua obra - associação de idéias, montagens, deslocamentos e emprego de estereótipos de gêneros considerados “menores”: fotonovelas, radioteatro, folhetins.


O indo e vindo infinito
Era 1967 e, novamente em Buenos Aires,Puig escreveu “Boquinhas pintadas”, livro publicado em 69 e levado ao cinema por Leopoldo Torre Nilsson.

“Umidade relativa 95%” também é dessa época, mas ficou inacabada. Já escritor de grande renome na Argentina, em 1973 ,publicou e viu ser censurado “The Buenos Aires Affair”, livro que provocou ameaças à sua integridade física e provocou a mudança para o México (1976), onde escreveu “O Beijo da Mulher Aranha” , adaptado para o cinema por Héctor Babenco, em 1981.

  • Passou-se um breve tempo e logo nosso biografado estava de novo nos Estados Unidos, onde deu curso de redação criativa na Universidade de Columbia e escreveu “Pubis angelical”, adaptada para o cinema por Raúl de la Torre e grande best seller na Espanha.



Temporada Carioca (1980-1989) e dias finais


Durante nove anos radicado no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, Puig adaptou “O beijo” para o teatro, para espetáculo musical e o livro também foi encenado como ópera.

Na agitada temporada carioca, lançou “Gardel, uma lembrança musical”, composto em língua portuguesa.

Publicou “Maldición eterna a quien lea estas páginas”, lembranças de sua vida novaiorquina, terminou “Sangre de amor correspondido” e publicou “Cae la noche Tropical”.

Entre o final de 1989 e começo de 1990, alugou uma villa em Santa Marinella, Italia, para escrever o roteiro de "Vivaldi", sobre a vida do grande compositor.

Os produtores desejavam William Hurt, premiado com um Oscar pelo papel de Molina no “Beijo” para interpretar Vivaldi e Hurt também desejava que o roteirista fosse Puig, mas o projeto não se realizou.

O autor voltou ao México, comprou uma casa em Cuernavaca e estava cuidando das reformas e morando com a mãe quando teve uma crise de vesícula, foi operado de emergência e, no dia seguinte ao da cirurgia, 22 de julho de 1990, faleceu.

Muitos roteiros e romances ficaram incompletos, mas a substancial obra de Puig, inspirada na chamada vertente “ pop”, que atravessou os anos 60 e 70, é considerada uma das mais originais do século XX e ocupa um papel de destaque na literatura latino-americana.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Casamentos de fachada na China


Reproduzo matéria da BBC-Brasil que está na home do UOL hoje


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16 milhões de casamentos de gays na China




Um estudo feito no ano passado por Zhang Beichuna, da Universidade de Qingdao, estima que existam 16 milhões de mulheres casadas com homens homossexuais.

"Muitos gays se envolvem em casamentos com heterossexuais para atender às pressões sociais - em especial de seus pais -, mas continuam mantendo relações homossexuais fora do casamento", conta Xu Bin, presidente do grupo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) Common Language, de Pequim.

Jovens de Hong Kong saem as ruas para pedir igualdade de direitos durante Parada Gay

Foto 1 de 13 - Pessoas que participam da Parada do Orgulho Gay em Hong Kong carregam bandeira gigante colorida, que representa mundialmente a causa gay. O evento promove a igualdade de direitos para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros Jerome Favre/EFE/EPA

Conforme a tradição cultural chinesa, jovens devem se casar em torno dos 25 anos e ter filhos, para dar continuidade à linhagem familiar. O casamento é um dos pilares sociais mais importantes no país - além de ser visto como uma garantia de segurança financeira e emocional para muitos idosos, que dependem financeiramente dos filhos para sobreviver, já que o sistema de previdência social chinês é ainda pouco desenvolvido.

Mas um dado que pode ser visto como um sinal de modernização da sociedade chinesa é o aumento, segundo o estudo da Universidade de Qingdao, dos casos de jovens pedindo divórcio ou anulação do casamento por descobrirem que seus parceiros são homossexuais.

Em janeiro, a Primeira Corte Intermediária de Pequim, que lida com divórcios e anulações de matrimônios, divulgou que o número de pedidos de anulação de casamentos em curto prazo está crescendo, ao passo que o de divórcios está diminuindo.

O estudo liga o dado à disposição de jovens esposas a não aceitar o casamento de fachada. Mas Xu Bin, presidente do grupo GLS, diz que muitas mulheres tentam a anulação para evitar o estigma social. "O pedido de anulação mostra que as mulheres entendem que ser divorciada diminui seu valor na sociedade", analisa Xu Bin.

Sem relações

Uma jovem de 32 anos de sobrenome Ying, de Pequim, pediu o divórcio de seu marido no final de 2012. Depois de um ano casados e sem manter relações sexuais, Ying descobriu que seu esposo era homossexual. "Ele chegou a pedir para que ficássemos ainda casados e tivéssemos filhos, para que a família dele não fosse prejudicada. Mas eu não podia viver assim", diz.

No grupo coordenado por Xu Bin, um programa de assistência via telefone atende diversas mulheres que alegam terem descoberto que seus maridos são homossexuais. A situação inversa também é comum. "Muitas chinesas se casam mesmo sabendo que são lésbicas. Mas elas não têm coragem de assumir sua posição perante a família e acabam seguindo a tradição, ainda que mantenham relações e namoradas fora do casamento", conta a ativista.

Casos assim são comuns na comunidade GLS chinesa e criam confrontos entre gays mais jovens e mais velhos. Em fóruns de discussão na internet, lésbicas da geração pós-1990 criticam a posição de mulheres de gerações anteriores que se mantêm casadas em função de pressão social. Xu Bin tenta criar encontros entre a comunidade para a troca de experiência, pois "as jovens cresceram em uma China já mais aberta, e é difícil para elas entender que gerações mais velhas lidavam com preconceito de uma forma muito pior".

A homossexualidade era considerada doença mental na China até 2001. Até 1997, manter relações homoafetivas na China era considerado crime. Ainda há preconceito contra relações entre pessoas do mesmo sexo e, em zonas rurais, é ainda comum o caso de pais tentarem "tratar" filhos gays através da medicina.

O número de homossexuais no país, no passado estimado em 29 milhões, seria hoje em dia de mais de 50 milhões, de acordo com Xu Bin. No estudo conduzido pelo professor Zhang, há estimativas de que 70% dos homens gays chineses sejam casados.

Casar-se ou não é ainda uma questão de difícil abordagem no país, mesmo dentro de grupos de apoio aos homossexuais. Uma das saídas encontradas em cidades como Dalian e Xangai foi a criação de bailes dirigidos a homens e mulheres gays, para que estes pudessem se conhecer e eventualmente armar um "casamento", podendo manter suas relações fora do casamento livremente e sem a pressão do cônjuge. Em Xangai há também um baile semanal voltado apenas a homens gays que são casados.

Borboleta da Sibéria

O artista plástico Xiyadie (seu nome artístico significa Borboleta da Sibéria) é um dos casos mais famosos de gays casados da China. Aos 48 anos, o artista já expôs seus trabalhos em Los Angeles e Estocolmo. Xiayadie se dedica ao jianzhi, a arte do corte de papel, que é um dos tesouros culturais chineses. A temática de sua obra, porém, é sua vida ao lado de seu companheiro de oito anos.

"A primeira vez que descobri ter sentimentos por meninos foi ainda criança, na escola. Eu achava que era doente, um cafajeste", conta. Aos 24 anos, o jovem de origem humilde cedeu às pressões familiares e se casou, após ter sido apresentado a dezenas de meninas pelos seus pais. "Naquela época eu já tinha certeza de que era gay, mas não tinha coragem de assumir, então tinha meus relacionamentos às escondidas. Era como se eu soubesse que precisasse comer do prato, mas também queria comer direto da panela."

Apenas há dez anos o artista encontrou forças de conviver com seus sentimentos. Apoiado por um especialista em jianzhi de sua cidade natal, Yan'an, na província de Shanxi, o berço da arte milenar, Xiyadie mudou-se para Pequim, deixando para trás sua esposa e seus dois filhos.

Ele ainda não consegue viver de sua arte, então mantém um trabalho regular em um estúdio do cineasta Xiang Ting, em Songzhuang, leste da capital, onde trabalha como segurança, cozinheiro e zelador por 1,5 mil yuans mensais (R$ 490) e, à noite, faz seus recortes dentro de sue quarto de dois metros quadrados. E não está divorciado.

"Minha esposa e minha filha sabem que sou homossexual. Minha filha conhece meu namorado e eles se dão bem", conta. O filho mais velho tem 23 anos e é deficiente mental.

Questionado sobre o que faria se voltasse aos 24 anos e tivesse de escolher entre casar ou assumir sua orientação sexual, Xiyadie diz que mudaria pouco. "Acho que fugiria dos meus pais. Voaria para longe para viver a minha vida. Não cederia a eles, mas também não contaria a verdade sobre mim."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Calvin Klein -70 anos

 
 

 Nascido no Bronx, Nova York, no dia 19 de novembro de 1942,o designer Calvin Klein criou um extraordinário império da moda utilizando simplesmente (simplesmente?) traço elegante e técnicas mercadológicas saturadas de homoerotismo.

Filho de um comerciante judeu húngaro e de mãe fina e sofisticada que o guiou pelos caminhos de seus figurinistas preferidos.E a avó  foi a grande influência na concretização deste sucesso por tê-lo ensinado a usar a máquina de costura.  

 Estudou no New York's Fashion Institute of Technology,onde se formou em 1962.
Começou a trabalhar no ramo numa loja de ternos e agasalhos naSétima Avenida.
Em 1968, em sociedade com seu amigo de infância  Barry Schwartz,abriu seu próprio negócio de design e confecção de  casacos femininos. Tornou-se o protegé do barão francês  Nicolas de Gunzburg,  que ajudou na introddução ao mundo da moda. 


O talento de Klein foi percebido pelo vice-presidente da loja novaiorquina Bonwit Teller, que o convidou a  se apresentar ao Presidente da empresa. 
Para que suas roupas não sujassem ou fossem dobradas,puxou uma espécie de carrinho de mão pelas ruas da cidade.

O estilo minimalista do jovem criador impressionou tanto que lhe foi feita uma primeira encomenda de peças no valor de 50 mil dólares.
A marca logo se firmou,aliando simplicidade, elegância, luxo e modernidade.
A Maison logo começou a produzir jeans, que foram um sucesso.Depois, mais roupas, tênis,bonés,perfumes e relógios. 

Atualmente, algumas fragâncias como a CK One e CK Be são propriedade da UNILEVER.

Astros como   Kate Moss,Mark Wahlberg e Scarlett Johanson incrementaram suas imagens em campanhas de publicidade polêmicas pelo aspecto provocante,  

Em 1992, a empresa começou a ter problemas financeiros , o que não impediu seu criador de receber o prêmio de melhor designer americano um ano depois. 

Comprada pelo grupo  Philips-Van Heusen Corporation em 2003, a Maison continua a criar modelagens na mesma linha de seu criador. 

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Vida Pessoal

 Klein  teve dois casamentos : sua primeira companheira  entre 1964 e 1974 foi Jayne Centre, colega de faculdade.
A segunda mulher foi a socialite amerricana   Kelly Rector ( casamento durou entre1986-2206)  
Tem uma filha da primeira relação: Marci Klein,produtora de TV que trabalhou na NBC 

Em 2010, Klein circulou em eventos sociais em Nova York  com seu namorado  Nick Gruber,
de 20 anos,modelo erótico em sites gays da internet. 
A relação durou até 2012,quando Gruber foi preso por porte de drogas.Klein custeou seu tratamento de reabilitação. 

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domingo, 30 de dezembro de 2012

Mesquita gay em Paris causa polêmica

 Transcrevo aqui a matéria publicada em português no site da Rádio França Internacional


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Paris terá primeira mesquita na Europa aberta aos homossexuais

Os homossexuais muçulmanos enfrentam o problema de encontrarem lugares de culto onde não tenham medo de serem discriminados.
Os homossexuais muçulmanos enfrentam o problema de encontrarem lugares de culto onde não tenham medo de serem discriminados.
jmhullot/flickr cc

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RFI
Paris vai ganhar nesta sexta-feira a primeira mesquita ultraprogressista da Europa. A sala de orações será instalada na casa de um monge budista na perifeira leste da capital francesa. A nova mesquita vai acolher homossexuais, transgêneros, transexuais e feministas. As mulheres serão encorajadas a conduzirem as orações. As autoridades muçulmanas da França condenam a iniciativa.

"Trata-se de uma mesquita radicalmente aberta, uma mesquita onde as pessoas podem vir como são", explica Ludovic-Mohamed Zahed, o iniciador do projeto. Para a primeira oração, nesta sexta-feira, o franco-argelino de 35 anos espera 20 muçulmanos.

Mas o número de fieis dessa mesquita atípica pode aumentar rapidamente, avalia esse pesquisador em antropologia e psicologia. Ele lembra que sua associação "Homossexuais Muçulmanos da França", que conta hoje com 325 integrantes, foi criada em 2010 com um pequeno grupo de 6 pessoas.

O monge budista zen Federico Joko Procopio, militante dos direitos dos homossexuais, bissexuais e transgêneros, empresta à mesquita uma sala de seu dojo (lugar dedicado à prática da meditação) por solidariedade. "Além dessa causa comum, há ainda o símbolo importante de uma religião que estende a mão para outra religião sobre um tema que é mais do que delicado", explicou ele.

Até agora, Ludovic-Mohamed Zahedrezava rezava toda sexta-feira junto com milhares de fieis na Grande Mesquita de Paris. Ele diz que apreciava o anonimato do local e o conteúdo, nunca político, dos sermões. Mas ele diz que esse tipo de combinação é raro e, mesmo misturados à multidão, certos indivíduos, transexuais em transição ou homens efeminados, são "detectados imediatamente". 

Seu objetivo então é oferecer um local a todos aqueles que poderiam não se sentir à vontade em lugares de culto tradicionais.
"Esse tipo de espaço faz falta na França", considera Lounès, de 38 anos, que prefere manter o anonimato. Ele está estudando atualmente para poder conduzir as orações na futura mesquita. "Há muitas pessoas que abandonam a religião porque encontram interlocutores violentos", diz.
Rejeição
Essa iniciativa não teve o apoio de nenhuma instituição muçulmana. Muitos imãs e personalidade do Islã na França acreditam que o projeto vai contra a religião.

"Há muçulmanos homossexuais, isso existe, mas abrir uma mesquita é uma aberração, porque a religião não é isso", avalia Abdallah Zekri, presidente do Observatório dos atos islamofóbicos, sob a autoridade do Conselho francês do Culto Muçulmano, instância oficial do Islã na França

"Nós não culpabilizamos os homossexuais, mas não podemos conceder um lugar a essa prática a ponto de deixar que ela se torne um aspecto da sociedade", afirma Dalil Boubakeur, reitor da Grande Mesquita de Paris. Para ele, essa mesquita não poderá ser reconhecida. "É algo extracomunitário", diz.

Em pleno debate sobre o casamento homossexual, um projeto do governo que deve ser discutido no parlamento no início de 2013 e ao qual os representantes de todas as religiões monoteístas são contrários, a abertura dessa mesquita provoca debates acalorados.
Ainda mais que Ludovic-Mohamed Zahed, que se casou religiosamente em fevereiro com um outro homem - com o qual ele já tinha se casado no civil na África do sul - está associado a essa questão na mídia. No entanto, Zahed garante que "é uma coincidência do calendário". Além disso, esse novo espaço de oração, "que não é uma mesquita para gays", não tem como objetivo celebrar casamentos homossexuais. "Não precisamos de uma mesquita para isso."
Ludovic-Mohamed Zahed comemora o fato de ter começado a receber, além das ameaças, emails com encorajamentos e questões.

Islã para todos

Mesquitas abertas as todos os fieis já existem na África do Sul, nos Estados Unidos e no Canadá, mas a de Paris será a primeira na Europa. A associação "Muçulmanos por valores progressistas", lançada em 2007 nos Estados Unidos, recenseou cerca de dez lugares de culto similares na América do Norte.

"O objetivo desses muçulmanos que se autodenominam progressistas não é somente defender uma minoria sexual no contexto de uma interpretação do Islã que eles consideram intolerante e obsoleta a partir de sua experiência da discriminação", explica Florence Bergeaud-Blackler, pesquisadora do Instituto de Pesquisas e Esetudos sobre o Mundo Árabe e Muçulmano. "Eles querem reformar, promover um Islã que inclua valores progressistas", acrescenta.

Apesar de serem poucos, com cerca de 1.500 integrantes nos Estados Unidos, "Muçulmanos por valores progressistas" querem encarnar um "Islã alternativo". "Cada vez mais muçulmanos nos veem como os representantes do Islã do século 21", enfatiza Ani Zonneveld, presidente e co-fundadora da associação.

"Mesmo sendo ainda ultraminoritários e não tendo muito peso na paisagem religiosa muçulmana, eles fazem reflexões a partir de bases teológicas sólidas", aponta Florence Bergeaud-Blackler. Ela acredita que a mensagem deles tem um impacto que não pode ser negligenciado no campo religioso.

domingo, 18 de novembro de 2012

Transexual eleita Prefeita em Cuba

(Bom)Sinal dos tempos !

Direto da Home do Uol:

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Um transexual cubano tornou-se o primeiro cidadão transgênero a assumir um cargo público em Cuba. Adela Hernandez, de 48 anos, foi eleita delegada do pequeno município de Caibarien, na província de Villa Clara.

Mulher desde a infância, ela foi considerada “perigosa” por autoridades e já chegou a passar dois anos presa após sua família “denunciar” sua sexualidade. Por telefone, ela conversou com o jornal britânico The Guardian e disse que "com o passar do tempo, pessoas homofóbicas vão se tornando a minoria”. Para ela, sua vitória representa "um grande triunfo”.
http://www.laht.com
Como nunca se submeteu a qualquer cirurgia de troca de sexo, Hernandez é juridicamente um homem.

Sua posição política é equivalente a de um prefeito e, no início de 2013, ela pode vir a ser escolhida como um dos membros do parlamento nacional.
Antes de ser promovida aos cargos de enfermeira e operadora de eletrocardiograma, Hernandez trabalhou por décadas em um hospital como zeladora.

Em sua comunidade, sempre foi conhecida pela militância e constante atuação política, o que a auxiliou a angariar votos.
A seu ver, "a preferência sexual não determina se alguém é revolucionário ou não”.

Como eleita, ela alega que trabalhará primordialmente pelos interesses constitucionais.

 No entanto, não nega que também quer dar ênfase à defesa dos direitos da comunidade LGBT.
Em Cuba, gays foram perseguidos por décadas e enviados para campos de trabalho forçado no interior do país. Há pouco tempo, Fidel Castro lamentou o tratamento que muitos receberam pelo simples fato de serem julgados “diferentes”. "Eu gostaria de saber que a discriminação contra homossexuais é um problema em vias de ser superado”, disse o líder em uma entrevista recente.
Desde 2007, a ilha incluiu cirurgias para troca de sexo em seu plano nacional de saúde.
No ano passado, duas pacientes que se submeteram ao procedimento se casaram e tornaram-se manchete na imprensa local. A ativista LGBT de maior destaque no país é Mariela Castro, sobrinha de Fidel e filha do atual presidente Raúl Castro."

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Democrata do Wisconsin eleita primeira senadora gay dos EUA



 


  A deputada estadual democrata Tammy Baldwin, do Estado do Wisconsin (nascida em Madison em 11 de fevereiro de 1962) , fez história na terça-feira  6 de novembro ao se tornar a primeira homossexual assumida eleita para o Senado dos Estados Unidos, derrotando o ex-governador republicano Tommy Thompson.

  Daqui por diante, traduzi  artigo publicado no jornal francês PARIS MATCH

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 A eleição presidencial de 2008 entrou para a História dos Estados Unidos por ter colocado um presidente afro-americano à frente da maior potência mundial.

A de 2012 ficará,da mesma forma,marcada pelo fato de uma mulher abertamente homossexual ter conseguido um lugar na mais alta Câmara do país.
A democrata Tammy Baldwin,muito engajada na defesa dos direitos humanos e voz dos que não podem se fazer ouvir,conseguiu uma vitória substancial.
 "Estou consciente do que representa ser  por ser a primeira mulher senadora de Wisconsim.E  estou também consciente que ali serei a primeira pessoa abertamente gay.Mas....não me apresentei para concorrer para fazer História,mas para fazer a diferença!",disse Tammy em seu discurso de agradecimento após a vitória de 6 de novembro.
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Desde os primeiros passos na política, Tammy  marcou seu território.
Já em 1992, foi a primeira homossexual eleita para a Assembléia de Wisconsin,um posto que ocupou até 1998.
Neste mesmo ano,tornou-se a primeira mulher do estado do Meio-Oeste a ser eleita para a Câmara dos Representantes e a primeira personalidade política  que assumiu sua orientação sexual  e obteve uma cadeira naquela Casa. 
Tammy Baldwin diz que essas revoluções sociais passaram desapercebidas  porque  a orientação sexual dos candidadtos jamais era abordada.   «Com certeza as coisas mudaram,mas se trata de uma eleicão referente à Economia e que luta por vocês, explicou em entrevista  ao Chicago Tribune duas semanas antes da eleição de 6/11.  


Juliane Appling,presidente da "Wisconsin Family Action", organização que ajuda famílias carentes no estado americano, pensa  que  "assumir a orientacão sexual não é coisa para se falar  com todo mundo"

Casamento gay
 Foi na função parlamentar em 1993 que Tammy assumiu abertamente as posições referentes aos direitos dos gays,lamentando as consequências da lei "Don't ask- don't tell" e decepcionada com a abordagem desta questão pelo governo do então presidente Bill Clinton.
 A lei,em vigor no exército americano,impedia o militar homossexual de tornar pública sua orientação sexual sob pena de perder o posto.
"A medida, enquanto  atitude política é pragmática,mas trata-se de uma abertura para o sactarismoA situação mostra o quanto devemos fazer esforços para erradicar os preconceitos homofóbicos irracionais" ,declarou a agora nova senadora ao Milwaukke Journal em 20 de julho de 1993.
Em 1994, Tammy Baldwin propôs a legalizacão do casamento gay em entrevista ao mesmo jornal :" O objetivo dessa lei é permitir  que os cidadãos gays e lésbicas obtenham os mesmos direitos e responsabilidades dos heterossexuais"
Direitos das mulheres
 Ao mesmo tempo, Tammy é engajada na defesa dos direitos das mulheres, ainda muito escassos, segundo ela.

Também milita pela paridade nos salários entre homens e mulheres, apoiando os  movimentos de igualdade  Equal Pay Act  e  LedBetter Fair Pay Act.  Luta por maior proteção judiciária para mulheres que sofram violência sexual e doméstica e,para este caso, apoiou o Violence Against Women Act, que abre às vítimas os tribunais federais.

A lei permite às vítimas de violência sexual receber fundos de diversas associações e programas criados para estas situações.
Uma luta que ela leva adiante até hoje,pensando na avó que a criou e que viveu numa eepoca em que as mulheres não tinham praticamente direitos.

«Minha avó nasceu em 1906 antes que as mulheres tivessem o direito de votar e viveu para ver sua neta eleita para a Camara dos Representantes. 
Sei que ela teria orgulho de mim hoje" disse ao auditório que a saudava no discurso de agradecimento do dia 6 de novembro.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O canadense Bruce LaBruce, Pai do Queercore

 

Iconoclasta  provocador que vai além da ironia.

Escritor, editor, fotógrafo é  o diretor de cinema para quem se pode usar a  expressão “corte epistemológico do paradigma”. Bruce inverteu a mão de direção das correntes e fundou o movimento   “queercore”   enfrentando com provocação o que chama de status “fora  dos esquadros“ dos homossexuais.
Bruce LaBruce é um  cineasta punk, gay e parece não ter limites.
Seus filmes mostram mundos habitados por seres marginalizados. Artistas pornôs, prostitutas, michês, skinheads, drag queens, sadistas, masoquistas e outras sexualidades atípicas. LaBruce acredita que esses personagens estão em “sério perigo” e ameaçados de extinção no conformista século 21.

Queercore, Hardcore, Punk, Emo

O termo “Queercore” é uma combinação de queer - algo “estranho” ou “incomum”,  que a parte mais politizada do movimento LGBT americano resolveu resgatar - com hardcore, facção punk, que se expressou na cena musical a partir dos anos 80.
 O estilo hardcore ocupa um lugar de fácil identificação na cultura contemporânea : as letras falam de preconceito, liberdade, diversidade sexual e anarquismo.
 O termo  punk”, existente  nos textos do crítico de rock Lester Bangs e, mais tarde, nos versos da canção de Frank Zappa “Flower Punk”, do álbum de 1967 'We’re Only in It for the Money'  acabou por  ser empregado para gays em prisões. Triste final, pois o movimento gay se caracteriza pela predileção por músicas dançantes, culto ao corpo e a eterna busca pela juventude e beleza.
 O “queercore”  já foi definido como o emocore ao contrário : rebeldia, música  engajada  e visual agressivo.
J.W.Kielwagen explica - na edição de 11 de junho de 2008 da  “Revista da Cultura” : “O queercore surgiu fora dos sistemas comerciais, de modo que os fanzines – publicações não comerciais, produzidas de forma independente - foram cruciais para o seu desenvolvimento. Centenas de zines impressos ou eletrônicos formaram uma rede intercontinental, permitindo que o movimento se espalhasse de forma subterrânea e que membros de comunidades menores, afastados dos grandes centros urbanos, participassem”. Foi onde o termo queercore apareceu pela primeira vez. A cultura gay tradicional representava uma ortodoxia a ser contestada e superada, de forma semelhante a como os punks vêem a sociedade em geral.

Os JDs

Entre 1985 e 1991, LaBruce editou o fanzine JDs – Juvenile Delinquents – onde lançou as bases para uma espécie de contra-cultura gay. Seus filmes são considerados absurdamente chocantes. E é esse “normalizador das coisas extremas”, como se autodefine, esteve em São Paulo, para participar (mais uma vez) do 16º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual. ( sua primeira visita data de1997, no 5º Festival).
Bruce LaBruce, aliás, Justin Stewart, nasceu em 3 de Janeiro de 1964, em Southampton, Ontario, Canadá e acha que o gosto por cinema deve ter começado quando - plantado na frente da televisão - captou os fundamentos da cultura   norte-americana. 

O  seu trabalho mais conhecido em artes gráficas foi o JD, editado em parceria com G.B. Jones, em que  mandava uma metralhadora giratória de contestação geral : da estética da sociedade capitalista submissa a dinheiro ao desempenho dos papéis sexuais tradicionais.
Quando começou a filmar, usava seus amigos como atores e ele mesmo participou de algumas produções.

Produções

“Skin Off My ASS” o  primeiro filme - em 8 mm, depois passado para 16mm (1991) - virou cult. Tem um roteiro muito criativo, apesar da perplexidade que causou : um cabeleireiro cheio de afetação (ele mesmo) se relaciona com um skinhead mudo, desempenhado por Klaus Von Bucker, seu namorado na vida real.
A “Skin Off My Ass” seguiu-se “Super 8 ½ “ ( de 1994)  sobre  astro/diretor pornô  (ele mesmo?) cuja auto estima como cineasta não anda muito firme. Este trabalho também virou cult em festivais como Sundance, Toronto, Vancouver, San Francisco, Londres, Berlim, Dublin e Tóquio.

O filme seguinte, “Hustler White” - em colaboração com o fotógrafo  Rick Castro - foi lançado em 1996 : co-estrelado por Tony Ward, a drag queen Vaginal Davis, e o próprio LaBruce. Lançado em Sundance, virou cult de festivais. Em Cannes, ganhou o grande prêmio do International Trash Film Festival. 

Em 1999, foi a vez de “Skin Flick” (Tirando o Couro ), em parceria com a  Cazzo Films (Berlim) com duas versões, uma “softcore”, de arte, e outra, “hardcore”, 100% pornográfica.
Tom International, LaBruce - ele mesmo - e a  modelo Nikki Uberti se transformaram em astros  pornô.
LaBruce pode ser considerado como o produto final das influências de Andy Warhol, Fassbinder, John Waters, Kenneth Anger, Pasollini e Gus van Sant. Bruce é graduado em Cinema pela  York University  de Toronto, Canadá.

É autor de dois livros  de edições esgotadas: “Ride, Queer, Ride!”, com os roteiros de Super 8 1/2 e “Hustler White”, contendo  entrevistas e fotos do cineasta e a autobiografia “The Reluctant Pornographer”. Foi colunista da revista de música canadense “Exclaim!”, do “Toronto Life”, do ”National Post” e do “UK Guardian”.
Seu ultimo filme, "Otto, or, Up With Dead People", foi exibido no Sundance Film Festival  de 2008. 
Em abril de 2006, concedeu  uma entrevista a Ferdinando  Martins, do MixBrasil, onde conta sua trajetória artística, pensa a cena queercore  e sugere que as novas gerações oprimidas respondam com repulsa às infra-estruturas de comando e controle, diferente da sua postura dos anos 80 quando lidava  com os mesmos problemas de opressão

Leia aqui:
http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/entrevis/entrev/bruce/bruce.shtm
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Alan Turing e a maçã envenenada. .

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