quinta-feira, 14 de maio de 2020

Renascença do Harlem- III - Literatura e IV Moda e Artes Visuais. FIM

 Renascença do Harlem- III - Literatura

 A  Renascença-ou Renascimento- do Harlem  foi um  movimento literário,musical e das artes em geral que teve o jazz como vertente separada,surgiu na década de 1920 e se estendeu até o início da década de 1930, no bairro do Harlem, em Nova York, considerada a capital mundial da cultura negra na época. 
Muitos artistas da comunidade LGBT participaram desse movimento.






The New Negro é uma antologia de poemas, histórias e ensaios editados por Locke, que inclui luminares como o crítico William Edward Burghardt Du Bois,os poetas James Weldon Johnson, Angelina Grimke,   Langson Hughes, Countee Cullen e  a ficção de  Claude McKay.
Tornou-se um "quem é quem" do  movimento.
Na esteira da obra de Alain Locke, The New Negro (1925)  e não tendo escola particular de pensamento mas sendo caracterizada  por um intenso debate, a Renascença do Harlem teve um papel primordial em  toda a literatura afro-americana que se seguiu. E,mais tarde, impacto considerável na literatura e na consciência negra no mundo.  

Para relembrar: Alain Locke,o Pai do Renascimento de Harlem, foi um intelectual refinado que serviu como uma espécie de ponte entre o mundo literário que o cercava e a explosão de criatividade que estava acontecendo no Harlem.
 Countee Cullen, Langston Hughes  e Claude McKay foram os mecenas que forneceram apoio financeiro os escritores e artistas.     
Locke tinha certeza de que o bairro estava se tornando rapidamente uma nova meca da arte negra.Cheio de jazz e pessoas bonitas.
  
Acontece que  os artistas eram dependentes de patrocínio e a Grande Depressão de 1929 cessou o fluxo de dinheiro.
Apesar de tudo, alguns artistas continuaram a produzir e  seus trabalhos sobreviveram ao momento difícil. 
Mas o espírito do New Negro ficou definitivamente incorporado ao inconsciente coletivo e chegou ( e permanece) ainda cheio de vigor a


Moda masculina

A elegância foi a tônica da moda masculina na Renascença do Harlem.Homens brancos e negros usavam ternos  muito bem cortados, com o propósito de mostrar status.

Os ternos eram confeccionados em vários tecidos do linho à mais grossa lã,de acordo com as estações do ano e com o gosto de cada um.

Ombros definidos e quadris estreitos faziam a silhueta  parecer mais longilínea.
O couro também foi usado, pois era material de maior durabilidade.Acessórios também eram importantes no visual.
Com os ternos vieram os chapéus, gravatas e, principalmente, sapatos.Os do tipo "Oxford" (foto) eram usado para quaisquer ocasiões, inclusive as mais formais.

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Moda feminina

  O Renascimento do Harlem,berço de uma nova cultura que envolveu música e dança -esta última passando por uma enorme transformação com a popularização do charleston-, tornou as vestimentas femininas adequadas para o movimento corporal.

Em geral, as mulheres costuravam suas próprias roupas acrescentando acessórios extras  para que se destacassem.
Luvas de seda, jóias,chapéus,sapatos de salto alto ..mas que fossem cômodos para dançar.
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Aprenda os passos do charleston

https://www.youtube.com/watch?v=xfAMIrUao9w

Curiosidade: finalistas de um campeonato de charleston em.. 2013

https://www.youtube.com/watch?v=BI9qWXRxr-E


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Aaron Douglas
Artes Visuais
E para terminar esta pequena resenha em quatro capítulos, lembramos que a Renascença do Harlem foi uma explosão de cultura quando o ato de produzir arte passou por imensas mudanças.
E como disse um crítico 
"A arte do tempo refletiu as novas idéias da época; era colorida, livre e moderna".

A grande figura foi a do pioneiro nas Artes Visuais,Aaron Douglas (1899-1979),um dos artistas mais influentes de seu tempo.Ao lado, duas de suas obras.
Estudou arte desde a infância,morou por um ano na França onde aperfeiçoou várias técnicas e estilos.

 
Foi o que hoje se chama  em agência de propaganda  "Diretor de Arte",ilustrando revistas, como a "Oportunidade e Crise" e textos do filósofo Alain Locke da "The New Negro".



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terça-feira, 12 de maio de 2020

Renascença do Harlem -2- Música

A  Renascença-ou Renascimento- do Harlem  foi um  movimento literário,musical e das artes em geral que teve o jazz como vertente separada,surgiu na década de 1920 e se estendeu até o início da década de 1930, no bairro do Harlem, em Nova York, considerada a capital mundial da cultura negra na época. 
Muitos artistas da comunidade LGBT participaram desse movimento.

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William Grant Still

 O compositor  mais identificado com a Harlem Renaissance  foi William Grant Still (1895-19780,membro de uma classe negra  com boa formação sócio-econômica.
Começou a estudar música na Universidade de Wilberforce em 1911, com o objetivo de compor música de concerto e óperas.  
Produziu cerca de 150 obras instrumentais, corais e óperas durante sua carreira, engajado na difusão da cultura negra e como crítico da sociedade americana. 

 Os valores introduzidos pelo Renascimento do Harlem são bem "visíveis" (audíveis) em Still na   Symphony, composta em 1930, e fortemente baseada no blues "para provar que  a contribuição do New Negro é uma parte importante da cultura musical do mundo" 
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Assista  trecho  da peça  em
 https://youtu.be/6p5o99I2Quk

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  JAZZ
 Segundo o site de etimologia Origem da Palavra
Jazz "aparentemente veio da gíria do Sul dos Estados Unidos JASS, atividade intensa, relação sexual”.

As origens: blues, folk,ragtime e marcha
Instrumentos:saxofone,piano,trompete, trombone,clarinete,tuba,guitarra, contrabaixo e bateria.  
Vocais
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O Jazz surgiu no início do século XX em Nova Orléans,Chicago e Nova York,se desenvolveu entre as comunidades negras que viviam nestas cidades, utilizando elementos de tradições religiosas.
E ocasionou uma grande variedade de subgêneros:  

 Dixieland na década de 1910, 
Swing das Big Bands das décadas 1930 a 1940,
Bebop de meados da década de 1940, 
Jazz latino das décadas de 1950 e 1960,
Fusion das décadas de 1970 e 1980.
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terça-feira, 28 de abril de 2020

Stanley Jordan-60 anos



"Meu espírito transcende o gênero",


disse o guitarrista sobre seu lado crossdresser ,em entrevista à revista "Jazz Times"

Mais de 350 shows no Brasil em 16 anos de apresentações.

Tocou em todos os continentes.

Sua inovadora técnica consiste em bater com os dedos no braço da guitarra com as duas mãos. 


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Linha do Tempo

31 de julho de 1959- nasce em Chicago,


Illinois

1965-começou a tocar piano, em 1970 passou a tocar violão. Adolescente, fez parte de bandas de rock e soul.

Em 1976, ganhou um prêmio no Reno Jazz Festival.


Na Universidade de Princeton, estudou teoria musical e composição com Milton Babbitt e música para computador com Paul Lansky.

Ainda universitário, tocou com Benny Carter e Dizzy Gillespie.


1985- Com a chegada de Bruce Lundvall como presidente da Blue Note Records, Stanley Jordan foi seu primeiro contratado.
A Blue Note lançou o álbum Magic Touch, que ficou inacreditáveis 51 semanas em primeiro lugar na parada de jazz da Billboard.


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A seguir, com "pequena ajuda"da Wikipédia, a técnica do toque do artista:
"Normalmente, um guitarrista usa as duas mãos para tocar cada nota.

Uma mão pressiona uma corda do violão atrás de um traste escolhido para preparar a nota, e a outra mão aperta ou toca a corda para tocar essa nota.

A técnica  de Jordan é uma forma avançada de tocar com as duas mãos.

O guitarrista produz uma nota usando apenas um dedo, batendo rapidamente (ou martelando) seu dedo atrás do traste apropriado.

O impacto faz com que a corda vibre o suficiente para tocar a nota, e o volume pode ser controlado variando a força do impacto. Jordan toca com as duas mãos e mais legato do que normalmente está associado ao toque de guitarra. 

Sua técnica permite ao guitarrista tocar melodia e acordes simultâneamente. Também é possível, como ele demonstrou, tocar simultaneamente em dois violões diferentes, além de violão e piano."

Jordan apresenta seu instrumento
https://www.youtube.com/watch?v=409vL9Zw4YQ


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Carreira

Tocou com Quincy Jones, Onaje Allan Gumbs, Michal Urbaniak, Richie Cole, The Dave Matthews Band, The String Cheese Incident, Phil Lesh, Moe, Umphrey's McGee.



Apresentação em Festivais de Jazz

Kool Jazz Festival (1984), o Concord Jazz Festival (1985) e o Montreux International Jazz Festival (1985).

 
Gravações

2004-álbum Dreams of Peace com a banda italiana Novecento. O álbum foi produzido por Lino Nicolosi e Pino Nicolosi na Nicolosi Productions e foi lançado nos EUA na Favored Nations.

Artista do cast da Mack Avenue Records ,lançou State of Nature em 2008 e Friends em 2011.
Quatro indicações ao Grammy.

Jordan fez o som de inicialização dos modelos de computador Macintosh Power


Macintosh 6100, Power Macintosh 7100 e Power Macintosh 8100.


 

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Show em Maricá-RJ ,no Cine Henfil em março de 2019

clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=BNlDPzQbehg

Entrevista para a Jazz Times- Abril 2019
https://jazztimes.com/features/interviews/stanley-jordan-my-spirit-transcends-gender/

Trecho da entrevista :

Stanley Jordan - "Não me encaixo em um molde que conheço. Eu tive que lidar com isso e, ao mesmo tempo, tive que transcender isso. Porque eu tinha que perceber que, manifestando a coragem de ser todas essas diferentes facetas de mim mesmo e superando o medo das consequências disso - e ainda não acabou, ainda tenho medo; isso é uma coisa diária - mas, superando esse medo, sinto que posso fazer algo de bom e realmente realizar algo.


JAZZ Times-O medo diminuiu nos últimos anos com cada vez mais reconhecimento público dos direitos LGBTQ? Você acha que há mais portas abertas pelas quais você pode entrar?


SJ-"Sim, sinto que houve uma mudança gradual. E também sinto que, no meu cantinho do mundo, ajudei a criar uma mudança. Virginia Prince disse que as pessoas estão ligadas à verdade. Se você apenas divulgar sua verdade, pode confiar que as pessoas terão que lidar com isso, e mais cedo ou mais tarde provavelmente o farão.'


JT-Você se refere como transgênero?


SJ-Eu realmente não sei. Eu não posso te dar uma palavra do que sou.   O que consigo pensar é sou"Stanley", honestamente. Estou bastante confortável com isso. E, a propósito, a mãe do [Presidente Obama] se chamava Stanley. Muitas pessoas não sabem que Stanley pode ser um nome feminino.

Deixe-me contar um momento realmente crucial da minha vida. Eu estava naquele lugar remoto, onde imaginei que ninguém sabia quem eu era. E eu passei por esta loja de roupas. Eu vi todas essas ótimas roupas e fiquei tipo: “Cara, olhe as coisas que as mulheres usam! Meu material masculino é tão monótono e chato. Então eu decidi: "OK, eu vou entrar".

JT-Quando foi isso?


SJ-Isso foi por volta de 2010. Esse foi um dos gatilhos que me fizeram avançar. Então eu fui lá e disse a eles que estava comprando para minha namorada, o que na verdade não era mentira, porque também achei algumas coisas para ela. Mas eu achei esse minivestido de brocado floral realmente bonito. Levei-o de volta ao hotel, coloquei-o por cima da calça jeans e olhei no espelho, e, meu Deus, foi um momento de mudança de vida. Porque esse vestido em combinação com o jeans criou um visual muito feminino, por um lado; há um aspecto feminino do meu corpo e meio que destacou minhas curvas. E, ao mesmo tempo, porque os braços estavam abertos, dobrava como uma camisa muscular e mostrava meu desenvolvimento na parte superior do corpo. E vi que os elementos masculino e feminino se misturavam muito harmoniosamente.


Eu estava olhando no espelho e, pela primeira vez - eu tinha cerca de 50 anos - me vi. Não era uma versão parcial de mim. Foi a representação mais completa de mim que eu já vi na minha vida. E naquele momento percebi que meu espírito transcende o gênero.




Vida Pessoal



*Foi casado por um breve tempo e tem uma filha cantora e compositora, Julia Jordan, que, às vezes, o acompanha em shows


*Há dez anos tem uma namorada que o apoia e compreende e o aceita como ele é.



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sábado, 25 de abril de 2020

A Renascença do Harlem

  












Renascença-ou Renascimento- do Harlem  foi um  movimento literário,musical e das artes em geral que teve o jazz como vertente separada,surgiu na década de 1920 e se estendeu até o início da década de 1930, no bairro do Harlem, em Nova York, considerada a capital mundial da cultura negra na época. 
Muitos artistas da comunidade LGBT participaram desse momento.
Alain Locke

 Movimento New Negro  
No início do século 20,eram poucas as oportunidades para a comunidade afro-americana e  o racismo estava se encaminhando para seu auge e seus líderes estavam trabalhando na criação de nova identidade coletiva,o Movimento New Negro Movement,idealizado pelo escritor,educador, filósofo e patrono das artes Alain Leroy Locke ( 1885–1954).

O Dr.Martin Luther King declarou num discurso que não só Platão e Aristóteles deviam ser ensinados nas escolas mas,também, Alain Locke.
Foi o primeiro aluno e,depois, professor afro-americano da Universidade de Harvard.
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A chamada Primeira Grande Migração levou cerca de  um milhão de  afro- americanos do Sul em direção ao Norte urbano, com a ajuda da competente malha  já ferroviária existente.
O jazz,música regional, sofreu uma transição para   música nacional nos anos 1910 e 1920. 
ativismo político   literário da Renascença do  Harlem   é bem conhecido.

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Houve uma mudança que teve sérias repercussões no fluxo de imigrantes aos Estados Unidos depois da Primeira Guerra Mundial que repercutiu no fluxo dos imigrantes e,certamente, dos migrantes depois da Primeira Guerra Mundial
No dia 19 de maio de 1921, foi aprovado o Ato de Emergência de Quotas, também conhecido como o “Ato Johnson das Quotas”.
O  ato restringia  o número de imigrantes europeus aos Estados unidos a cerca de 350.000 por ano. 
Reducionista,o “Ato Johnson das Quotas” limitava o número anual de imigrantes admitidos vindos de qualquer país a 3% do número de pessoas daquele país que já viviam nos Estados Unidos em 1910. 
Este ato foi o resultado da onda de isolamento e não-intervencionismo que varreu os Estados Unidos no fim da Primeira Guerra Mundial. 
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 O jazz,música regional, sofreu uma transição para   música nacional nos anos 1910 e 1920. O ativismo político   literário da Renascença do  Harlem   é bem conhecido. 
 A semente do futuro movimento dos direitos civis foi plantada ali.
O mesmo não aconteceu com os músicos da época.  

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(continua nas próximas postagens   A Renascença do Harlem -II - Música, III-Literatura e IV Moda e Artes Visuais )

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Mulheres de Atenas:Aspasia de Mileto,Sapho de Lesbos,Corina de Tanagra,"Lysistrata e a greve de sexo"

Na vida e na ficção fizeram a diferença



Lysistrata da “Guerra dos Sexos”, Aspasia de Mileto, Corina de Tanagra e Sapho de Lesbos - a primeira, personagem de Aristófanes e as demais ,atenienses que conseguiram romper o espaço minimalista reservado às mulheres na Grécia da antiguidade.

Suas atitudes firmes inspiraram o movimento pacifista contra a guerra do Vietnã na década de 70 e fizeram com que - em março de 2003 - artistas em redor do mundo se unissem para protestar contra a violência diária, o terrorismo sem limite e as mortes desnecessárias causadas pela intolerância do governo Bush.

Situados na confluência da Europa e Oriente Médio, os gregos desenvolveram uma civilização que, dois mil anos depois, continua a enriquecer o mundo.


Quanto às mulheres, eram contraditórios : veneradas, sob a forma de deusas em santuários, não tinham nenhum controle sobre seu destino na vida real. Passavam direto da ditadura paterna para a matrimonial e estavam, nos séculos VII a III aC, apenas poucos degraus acima do status de escravo. As jovens não recebiam educação formal. Mesmo nas famílias ricas eram ensinadas apenas a cozinhar, fazer trabalhos domésticos e tingir tecidos.
Entre os mais pobres, que não contavam com escravos, as mulheres faziam também trabalhos no campo.

No espaço do lar - rico ou humilde - sofriam segregação : não ocupavam a mesma ala da residência reservada aos homens.
Atuação na política, filosofia, literatura, poesia, pedagogia, incitação à transgressão e desobediência explicita às leis discriminatórias foram os traços que uniram estas 4 lendárias figuras femininas.

Aspásia de Mileto

Nascida na colônia de Mileto imigrou para Atenas em 450 AC e ali viveu como estrangeira residente.
Educada e hábil na arte de conversar e entreter, conheceu Péricles, o mais poderoso e prestigiado governante de Atenas mas não se casou com ele. Ironicamente, uma lei de sua autoria proibia relacionamentos com estrangeiros.
Aspasia
Passou a viver como concubina ( pallakê ), até que Péricles se divorciou da primeira mulher. O casal teve um filho.
O relacionamento entre os dois foi alvo de retaliação pela notória influência de Aspásia sobre a forma de Péricles governar.
Embora tenha exercido a função de estratego durante 30 anos ( 460 a 430 aC), foi nesse período que Atenas atingiu o apogeu de sua vida política e cultural. Assim, o século V passou para a história como o “Século de Péricles”.

O status de estrangeira permitiu que Aspasia não ficasse confinada ao lar, podendo frequentar qualquer ambiente. Mulher legítima e legitimada e - ao mesmo tempo - amante recebia em seu salão literário amigos e admiradores que eram tratados com polidez e educação.

Aspásia pensava, se mostrava, se exprimia.
Intelectual quando a norma exigia que a glória de uma mulher fosse a invisibilidade e o silêncio, companheira admirada e respeitada pelo marido.
O grande filósofo Sócrates a admirava pela “rara sabedoria política”, e “pelo grande número de atenienses que com ela vinham aprender a arte da retórica”.

Corina de Tanagra

Atenas foi a cidade irradiadora de cultura do mundo antigo, mas a literatura grega clássica, a história e a  filosofia se concentraram numa época breve e em espaços claramente delimitados.
Terminadas as grandes guerras, novas vozes se apresentaram, agora cantando o prazer do amor, as paixões, a vida e o vinho.
Corina

Assim era a poesia lírica (cantada ao som da lira) e uma notável representante do novo movimento foi Corina de Tanagra, também sacerdotisa. Uma sacerdotisa na Grécia antiga exercia o cargo de conselheira das lideranças e atuava como juíza em tribunais que julgavam criminosos.

Corina foi mestra do célebre Píndaro e escreveu 5 livros de poesia ligeira, mas severa, daí seu apelido de “A mosca”.

Em confrontos com grandes nomes das letras e artes, venceu 5 vezes os famosos concursos poéticos realizados em Tebas, num momento em que era vedada às mulheres a liberdade de expressão.

Sapho de Lesbos
Originária de uma família aristocrática da ilha de Lesbos, Sapho viveu na segunda metade do século 7 aC. e teve papel ativo nos negócios públicos de sua cidade, antes ser exilada para a Sicília.
Enquanto esteve casada com o riquíssimo Cercylas teve uma filha a quem deu o nome de sua mãe, Cleis.
Sapho

Sapho se dedicou ao serviço das Musas e chegou a conhecer, em vida, a fama e o reconhecimento à sua poesia, a seus cantos nupciais e a seus epigramas.
Escreveu nove livros de poemas líricos.
As emoções fortes e atmosfera sensual que vinham de sua lira alimentaram o mito em torno de sua vida íntima, que vem provocando, desde a antiguidade, debates apaixonados e profundos.

Morreu ao se atirar ao mar do alto do rochedo de Leucates, por um amor não correspondido por um homem : Phaon, o Mitileniano.


Lysistrata e a Greve de Sexo

Uma das 40 obras escritas por Aristophanes ( 447 a 386 aC ), A Guerra dos Sexos foi uma comédia revolucionária para seu tempo : os “heróis” eram belas mulheres.

Lysistrata, figura central da trama, comandou as mulheres de Atenas e combinou com as mulheres de Esparta uma greve inusitada para forçar seus maridos a encerrar a Guerra do Peloponeso, que estava destruindo as duas cidades-estado.
Quando voltavam das batalhas famintos de amor, as mulheres se recusavam a fazer sexo e assim, os homens de Atenas e Esparta celebraram o tratado de paz.
Lysistrata pede oportunidades maiores para o sexo feminino, argumentando que as mulheres também possuem inteligência e juízo para tomadas de decisão políticas.

Consideradas propriedade, como os escravos - exceto para o sexo e multiplicação da espécie - as mulheres de Atenas souberam usar sua moeda de troca para comprar uma boa causa.

Se a Lysystrata que inspirou o autor existiu é uma pergunta sem resposta, mas o poder feminino que emana da obra de Aristófanes é inquestionável.

Comédia grega inspira ativistas : o Projeto Lysystrata

Em 3 de Março de 2003, 500 cidades em diversos países como Argentina, Austrália, Áustria, Alemanha, Canadá, Republica Dominicana, Inglaterra, Italia, Escócia, Estados Unidos, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Índia, Irlanda, Israel, Japão, Suíça, Síria e Turquia levaram à cena em suas Universidades o espetáculo de Aristófanes.

A intenção dos criadores do Projeto foi tentar diminuir a frustração com a administração de George W Bush em relação ao Oriente Médio e instigar as pessoas, especialmente os estudantes, a buscar a paz.

Marcie Staliare, que coordena o Projeto, declarou : “O tempo que estamos vivendo é confuso, mas como educadores acho que o maior poder que podemos delegar aos estudantes é a habilidade de pensar racionalmente e fazer suas próprias escolhas.

Embora passada em outra época a peça nos coloca face a face com uma nova forma de ação, de comportamento e de sentimento. Mais do que tudo, a juventude de hoje precisa saber que existem alternativas e que ela pode agir. Precisamos combater o medo 

Antes de começar o Projeto Lysistrata não podíamos fazer nada além de  assistir com horror o que o governo Bush fez nos ataques unilaterais ao Iraque. Então, criamos um website e começamos a contatar os amigos.A resposta ao nosso apelo tem sido enorme”

A declaração é das atrizes norte-americanas Kathryn Blume e Sharron Bowers, idealizadoras do Projeto.

A vontade feminina comum de mudança que vem sendo expressa antes e depois das bravas mulheres de Atenas vem,tempo afora, redefinindo os fundamentos culturais e políticos da sociedade. 
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 "Mulheres de Atenas "Chico Buarque
Sutil e , ao mesmo tempo,  forte crítica ao machismo ainda dominante em nossa sociedade

https://www.youtube.com/watch?v=MabbVn0Rlv4

Arquivo do Projeto Lysistrata

 http://lysistrataprojectarchive.com/lys/

terça-feira, 10 de março de 2020

Ballets Russes (1909-1962)

 Poster original  (1917) Les Ballets Russes de Diaghilev  




Ballets Russes ou Balé Russo,uma das primeiras multinacionais identificadas como empresa gay (talvez a primeira) ,fez história na dança e na comunidade agora nomeada LGBTQIA+I

A companhia itinerante de ballet emigrada da Rússia e com sede em Paris, esteve ativa de 1909 a 1929,
 se  apresentou  em toda a Europa e em turnês pela América do Norte e do Sul 
A empresa nunca se apresentou na Rússia, onde o clima de comoção e incerteza da época perturbou a sociedade.  



Diaghilev
  A companhia de balé sob Diaghilev


Idealizada pelo empresário artístico e produtor russo  Sergei Diaghilev ( 1872-1929, foto ),um nobre apaixonado por Vaslav Nijinksy, de 19 anos, estrela em ascensão no Imperial Russian Ballet, a companhia é amplamente  considerada como a   mais influente e inovadora do século XX. 

Diaghilev reuniu um grupo de dançarinos dos teatros imperiais e contratou o jovem brilhante
o coreógrafo Michel Fokine para criar um repertório que  colocasse em destaque  o grande talento de Nijinsky. 
"A mulher dançarina"

Outros jovens coreógrafos e mais compositores, designers e dançarinos ali despontaram para a fama  com seus trabalhos encomendados por Diaghilev: Igor Stravinsky, Claude Debussy, Sergei Prokofiev e Maurice Ravel,  Vasily Kandinsky, Alexandre Benois, Pablo Picasso,Henri Matisse e figurinistas Léon Bakst e Coco Chanel.

Os artistas abordavam a pose, o movimento e a plasticidade dos bailarinos russos.  As artes plásticas e a dança se entrelaçaram.
Considera-se que a pintura  introduziu o balé russo no mundo.
"A mulher dançarina", do húngaro Willy Pogany 1882-1955),é um bom exemplo.  


Poder Jovem


Leonide Massine
1913- Depois de despedir Nijinsky que se  se casou com uma admiradora húngara, Romola Pulszky), Diaghilev  contratou Léonide Massine, de dezoito anos, que se tornaria principal diretor da empresa.
dançarino e coreógrafo  nos anos seguintes.
Em 1924, Diaghilev conheceu o último de seus protegidos ,Serge Lifar, de dezessete anos, que se tornou o principal  bailarino da empresa e, mais tarde, se tornou
Serge Lifar
diretor do Ballet da Ópera de Paris.
Após a Revolução de 1918, a companhia Ballets Russes, que,por sinal, nunca havia se apresentado na Rússia foi proibida de entrar em sua terra natal. 

Diaghilev  voltou-se cada vez mais para  
compositores e pintores franceses  como colaboradores de seus coreógrafos.
Nos balés russos, homens gays, qualquer que fosse sua nacionalidade, eram altamente visíveis e sua influência passada  
do ballet para outras formas de arte, como cinema, pintura, música e moda.


Com a morte prematura de Diaghilev, em 1929, o Ballets Russes original, então baseado em Monte Carlo, se dissolveu. 

A partir de 1929


Com a dispersão do grupo, bailarinos e coreógrafos passaram a trabalhar em todas as partes do mundo ou criaram suas próprias companhias, levando sua influência que foi transformadora na história da dança com a proposta “não apenas de passos novos, mas de um novo espírito”.


René Blum, diretor artístico do teatro de Monte-Carlo, assumiu a direção de um grupo de bailarinos da eqipe de Diaghilev. 

Wassily de Basil, chamado de coronel W. de Basil, empresário de balé russo, nascido Vassily Grigorievich Voskresensky em Kaunas, Lituânia-1888., formou em Paris companhia rival

Em 1932, os dois grupos se unem e criam os Ballets Russes de Monte Carlo.


  
Os 'herdeiros "dos Ballet Russes: o crédito do texto abaixo vai para a Wikipedia.
 "Com o nome de Ballets Russes du Colonel de Basil, um dos ramos partiu para a Austrália e, depois, para as Américas, do Norte e do Sul, onde se deixou ficar durante a guerra, assumindo sucessivamente os nomes de Educational Ballet e Original Ballet Russe.

 Em 1947 fez uma temporada de despedida no Palais de Chaillot, em Paris. 
O ramo que ficara em Monte Carlo permaneceu sob a direção de René Blum até a invasão alemã (1940). 
Com os remanescentes da companhia, Marcel Sablon constituiu, ainda no período da ocupação nazista, os Nouveaux Ballets de Monte-Carlo, absorvidos (1944) pela Ballet International, do Marquês de Cuevas, companhia particular sediada em New York. 
Surgiu, assim, o International Ballet of the Marquis of Cuevas, que fez inúmeras tournées internacionais e contribuiu para o repertório do gênero com várias obras.

Os Ballets Russes também exerceram grande influência na Alemanha, que antes não tinha tradições coreográficas, incentivando a criação de “studios” de dança, com Rudolf Von Laban, Mary Wigman, Kurt Joos, entre outros.
É importante frisar a particular influência dos Ballets Russes na França e nos Estados Unidos. 
Na França, com a renovação e enriquecimento do ballet francês, que se achava em decadência e do ingresso de Serge Lifar na “Grand Opéra” e nos Estados Unidos, com a criação da School of American Ballet Theatre e do New York City Ballet, ambos por George Balanchine.
 Outros mestres russos, radicados em Paris, tiveram também importante papel: Preobrajenska, Kchessinska, Egorova, Trefilova, Legat e Novikolf . 

Uma das estrelas do Coronel de Basil, no setor da dança moderna, foi Nina Verchinina, que em fins da década de 1970 lecionava no Brasil"

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 Belo documentário em inglês  sobre os Balets Russes,abrangendo 1909/1929)

ANDY WARHOL

    A série  Diários de Andy Warho l     está disponível na Netflix e conta a história do artista norte-americano através dos seus diários p...