sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Garth Greenwel


Autor de "Cleanness"(Limpeza) e 'O que te pertence", Este ,considerado o grande romance gay de nosso tempo,tem tradução de José Geraldo Couto. 

******** 
Garth Greenwell
O excelente texto de Schneider Carpeggiani , a seguir, foi postado pelo Departamento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco (é isso mesmo)e penso que fala melhor do que eu sobre este  atual fenômeno midiático. 
 *******************************

"A vontade de tecer um paralelo entre a novela O que te pertence (Editora Todavia), do escritor norte-americano Garth Greenwell, e Morte em Veneza (1912), de Thomas Mann (1875-1955), é enorme. A novela do autor alemão virou o monólito que guarda em si algumas das questões centrais quando pensamos numa literatura feita por homens gays, entre as quais estão a atração pelo estranho/forasteiro, o pavor da passagem do tempo e o desejo que a tudo corrói e corrompe e que começa no súbito de um primeiro olhar, que não demanda maiores diálogos. 
O menino bonito Tadzio é a Medusa a levar o homem maduro Aschenbach para uma bancarrota tanto física quanto emocional.

Para além da beleza da Veneza defunta descrita por Mann, o livro de Greenwell começa no fétido de um banheiro público em Sófia, na Bulgária. 
A descrição do primeiro encontro do professor norte-americano (que nunca é nomeado) com o michê Mitko é impressionante. 
Vemos, em uma grande angular, o rato sendo atraído com prazer para a ratoeira: “Mesmo enquanto eu descia as escadas ouvia sua voz, que, como o restante dele, era grande demais para aquelas dependências subterrâneas, transbordando delas como se ascendesse de volta para dentro da tarde luminosa que, apesar de estarmos em meados de outubro, não tinha nada de outonal; as uvas que pendiam maduras das parreiras cidade afora rebentavam ainda mornas na boca da gente. Fiquei surpreso ao ouvir alguém falando tão livremente num lugar onde, de acordo com um código tácito, as vozes não costumavam ultrapassar um sussurro”.

Mitko é alto, magro e tem um corte de cabelo militar, que lhe confere um tom artificial "hipermasculino", e vive a vagar pela capital búlgara. 
Do professor, sabemos apenas que não é mais tão jovem e vive aparentemente confortável em sua jaula de imigrante de classe média. 
A relação dos dois, que parecia o único ponto de fuga do nosso olhar, não é o mais importante no decorrer do livro. A Medusa aqui está longe de ser o menino bonito de Mann. O que petrifica, o que coloca a história de cabeça para baixo, é a memória e seu poder de retroceder até a mais sólida das decisões. Basta um gatilho e tudo desaba.

Em O que te pertence, Mitko é só mais uma das madeleines proustianas que obrigam o narrador a olhar para trás. As duas outras madeleines da novela irrompem ao som de uma batida na porta: a primeira delas quando o professor tem sua aula interrompida para ser avisado que seu pai, nos Estados Unidos, anda à beira da morte; na segunda, Mitko reaparece tempos depois, extraído do nada. 
Reaparece para alertar ao professor que contraiu sífilis e que, talvez, ele também tenha sido contaminado. Isso quando o narrador já se encontrava numa relação estável, certo de que curado do seu desejo.

O que te pertence pode ser confundido com a literatura do "clube do eu”, que inclui nomes como Ben Lerner e Karl Ove Knausgard. 
Mas Garth Greenwell não parece muito interessado no jogo irônico a marcar a prosa do primeiro, e a beleza da sua escrita consegue ultrapassar a compulsão "voyeurística" do segundo. 
Temos aqui um acerto de contas com o passado repleto de gestos inúteis, sem a certeza de um bote salva-vidas. 
A questão para Greenwell não é disparar uma luta de cavalos de raça com a memória, para ao final exibir o que ela consegue conter (como faz Knausgard na saga Minha luta). O importante parece ser aquilo que a dilatação da memória, por si só, não consegue dar conta. O passado em O que te pertence é anônimo e sem grandes lances de heroísmo".

************************

domingo, 29 de setembro de 2019

SUSAN SONTAG




  •  Traduzi este artigo publicado no site do jornal francês Libération e acrescentei algumas notas no rodapé,para melhor compreensão do texto

Diários e anotações revelam juventude ávida de liberdade
   por ALICE KAPLAN, historiadora americana


***

Susan Sontag, figura importante da intelligensia novaiorquina,sempre  foi muito criticada por ficar em cima do muro quando eclodiram  os movimentos pelos direitos dos gays. 
Conhecida pelas opiniões firmes sobre a guerra do Vietnan, o 11 de setembro,a Bósnia,Leni Riefenstahl e Roland Barthes, nada declarou sobre sua vida privada .
Oito anos após a morte,  esta porta se abre.

O filho David Rieff  preferiu tomar a iniciativa de mandar editar, sem qualquer restrição, os  diários que haviam sido legados à UCLA-Universidade da Califórnia Los Angeles.
 Num prefácio sóbrio e emocionante,decidiu expor toda a crueza que eles revelam sobre a personalidade da mãe.

O primeiro volume (1947-1963)- que cobre o período da adolescência até a publicação da primeira obra-foi avaliado como surpreendente revelação da vulnerabilidade da personalidade sempre tão segura.
O charme desses diários,muito bem traduzidos por Anne Wicke,é mostrar o papel decisivo que a França teve na vida da então jovem escritora.
************* 

Susan Sontag  nasceu  Susan Rosenblatt em New York (1933),  com o país em plena crise econômica pós crash da Bolsa,  .
O pai  era comerciante de peles e morreu durante uma viagem à China quando ela tinha 5 anos.
A mãe mudou-se com a família para o Arizona e,depois do segundo casamento com o Capitão Sontag,todos foram para Los Angeles.

Começou a escrever os diários com 14 anos: angústias,resoluções,lista de livros que desejava ler e  assuntos que os filhos nunca desejam saber sobre os pais :bloqueios sexuais,pouca higiene e alternância de masoquismo e crueldade.

Precisamos situá-la em 1947, leitora assídua  de Gide e de Rilke na North Hollywood High School, em plena era do  rock’n roll e dos cinemas drive-in.

Com a  mente nos clássicos e os olhos direcionados para a Europa,  já estava adiante de seu tempo e de seu meio.
Menina prodígio,os  15 anos,  deixou definitivamente a família e se transferiu para a UCLA , depois Berkeley, depois para a Universidade de Chicago e,aos 18 anos, já estava diplomada.
 ***

  Durante um verão em Berkeley, conheceu   "H" (1),pessoa assim chamada no diário editado.
Nos primeiros textos eufóricos,ela compreende que com "H" podia viver suas paixões sexuais e que não estava condenada apenas a escrever e fazer seu trabalho de bibliotecária.

31 de maio de 1949- "Tudo começa agora,me sinto renascer",escreve Susan.Seu diário fala de noites de bebedeiras, do êxtase da entrega sexual com "H"
A  roda viva em que sua vida ia se transformar provocou uma advertência de alguns amigos de San Francisco : ' A única chance de ser normal é  parar tudo agora..Mais mulheres.. mais bares..se você não parar imediatamente..."
Tentou experimentar alguns rapazes na Califórnia e notou, com uma mistura de tristeza e preocupação, que a bissexualidade  não era possível, ela se conhecia bem.

O golpe teatral ficou registrado numa única linha : "2 de dezembro de 1950- Na noite passada -ou,talvez esta manhã bem cedo,fiquei noiva de Philip Rieff.»

Três meses depois,em Chicago,  aconteceu o casamento com seu professor de Sociologia,intelectual judeu  com modos bem oxfordianos.
Depois de terminado o casamento,ela assim o definiu; "Era uma pessoa que sangrava emocionalmente".
Tudo que era intenso em Susan Sontag  era  "pálido e limpo" no marido.

Que diferença entre a feliz declaração sáfica em San Francisco e a união com Rieff em Chicago!

O diário  não revela se o casamento foi um meio de ascenção social e nem se ela precisaria de um companheiro masculino para ajudar nos estudos.
Também não explica se a intensidade do compartilhamento intelectual compensava, em parte, a falta da paixão sexual.
Também não conta se era bom ser tão adorada, há apenas esta frase "Eu me caso com Philip  com total consciência + o medo do meu desejo de autodrestruição "
 ***

Tamanha concisão poderia surpreender, vinda de uma escritora que se analisa o tempo todo, se bem que -tanto nos diários como na vida- as decisões mais importantes continuam sem  explicação.
Enquanto o marido lecionava em Brandels, Sontag preparava deu doutorado em Filosofia em Harvard.
O filho do casal nasceu em  1952, quando ela obteve uma bolsa em  Oxford,para continuar os estudos das  «pressuposições metafísicas da Ética".
 Houve ua negociação com os avós paternos, que cuidaram do menino durante sua ausência.

Aperitivos anisados

 Estava na Inglaterra,mas sonhava com a França.
Durante todo o tempo em que seguiu os  maravilhosos cursos de J.L. Austin sobre Filosofia da Linguagem,garimpava o catálogo telefônico tentando ganhar entrada para os restaurantes universitários de Paris e encontrar uma listagem  das  diferentes marcas dos aperitivos de anis.
Enquanto Austin explicava,Sontag preparava sua nova vida: "Um Pernod. Pernod está para a França como Coca Cola para os Estados Unidos"'
 ***
Por que  abandonar a Inglaterra e os planos de Doutorado?
Simples: "H" deixou Berkeley e foi para Paris.
Passam o Natal juntas e Sontag fica mais oito meses numa relação intensa no plano sexual, dolorosa e masoquista,no papel da suplicante e sempre escondida e criticada,morrendo de medo de ser abandonada.
 O sofrimento parece ter ficado restrito ao espaço do quarto porque, durante este ano parisiense -quando passa pouquíssimo tempo na Sorbonne-,as reflexões culturais no diário se tornam ais profundas e suas análises muito bem embasadas.
                                      


                                    1958


Um grande mistério ronda a estadia de Susan Sontag em Paris, no ano de 1958.
Mesmo sendo levadas em conta a juventude, a obssessão amorosa e sua relativa ignorância sobre a sociedade francesa, é impressionante como  ela, que se tornou uma crítica feroz da política mundial não enha feito nenhuma alusão, no diário,ao fato da França estar vivendo naquele momento a um passo da guerra civil

Fevereiro de 1958

Sontag assiste peças de  Pirandello e Brecht, lê Carson McCullers, bebe  nos bares TournonMonaco e no Deux Magots.
Num francês rudimentar, constrói listas de expressões por tema (o amor, as crianças,as discussões nos cafés) que não estão no volume publicado pelo filho.
Mesmo com um mínimo conhecimento da língua,não poderia ignorar os fatos que se desenrolavam diante dela.
A alguns passos do quarto de "H" no Boulevard  Saint-Germain, o poeta  Allen Ginsberg, morando na rua Gît-le-Cœur, contava nas cartas ao pai as manifestações, as bombas que explodiam e a polícia nas ruas com suas sirenes. 


Milk Bar. 

« Parar de reservar esse diário exclusivamente paraa  cronologia de minha história com H! ",escreve  no dia 24 de março.Mas não faz nenhuma menção a   Djamila Bouhired (2), ao processo que se desenrolava nesse momento e a desta jovem prisão por haver  colocado uma bomba  no  Milk Bar  em Alger. 

Bouhired, dois anos mais nova  que Sontag, igualmente bela com  mesmos cabelos negros e ollhar dolorido, estava nas manchetes do   Herald Tribune, do France-Soir e do Figaro, apelando à consciência política de todos que a viam.

Expatriados

17 de  maio de 1958- A França estava sob lei marcial e a ameaça de uma guerra civil entre partidários da independencia argelina e os anti-independência era o assunto de todoas as conversacões (3).

Paris Herald Tribune  recebeu uma avalanche de chamadas telefônicas de expatriadoe em pânico e os diplomatas examinavam a possibilidade de mandar de volta todos os americanos residentes na França.Na  maior parte do tempo ela escreve notas de viagem .Partiu com  "H"  , no momento mais violento do pânico. 
O diário  nada revela a este respeito. 
 «Apreciar uma nova cidade é como apreciar um novo vinho"


Em julho,a futura romancista descreve as pressões exteriores que chegam do marido.:
«P. me manda cartas cheias de ódio, de desespero e bons conselhos.Ele fala de meu crime, minha loucura, de minha estupidez e de minha complacência comigo mesma"
A correspondência não está nos arquivos da UCLA,mas é pouco provável que ela tenha podido responder, devido ao momento político conturbado da Quarta República na França.


****

Em outubro, quando uma nova Constituição estabeleceu a Quinta República,Susan Sontag voltou a Nova York,para recuperar a liberdade que Paris lhe tinha negado,.pediu o divórcio e começou uma longa batalha pela guarda do filho.

Por poucos meses perdeu a estreia do filme Les Amants  de Louis Malle,contando o escândalo causado por uma mulher que abandona marido e filhos pequenos para viver  uma aventura extraconjugal.
Foi exatamente o  seu procedimento,só que o marido havia sido avisado. Assim como as heroínas da Nouvelle Vague,viveu seu momento mítico em 1958,fora do tempo e do espaço político .
A força e a debilidade de seus diários de juventude nos fazem vivenciar aquele distante presente feito de sentimentos extremos e de experiências individuais.

***********


Notas

1- "H"  (foto)
Harriet Sohmers,  depois Zwerling (1928 -)  escritore modelo.

Viveu em Paris nos anos 50, como parte de um grupo de boêmios centrados em torno de James Baldwin, que fundou uma revista chamada Nova História.Em 1959,  foi para Nova York e participou da cena literária , enquanto trabalhava como modelo nu para os pintores mais importantes da cidade.   
Em 1963, ela se casou com o oficial da marinha mercante e boêmio Louis Zwerling e teve um filho, Milo, músico. Em 2003,  saiu uma coleção de seus escritos, "Notas de um modelo nu e outras histórias" 

****

 2 -Djamila Bouhired

Nascida em Argel em 1935,  trabalhava como costureira, quando foi recrutada para a guerrilha. Durante os ataques da “Batalha de Argel”, foi ela quem colocou a bomba conhecida por “Milk-Bar” em 30 de Setembro de 1956. Onze pessoas morreram e cinco ficaram feridas na explosão. Na emboscada que se seguiu, Bouhired (foto) foi ferida e presa. Depois de ter sido torturada durante 17 dias, foi considerada culpada de terrorismo e condenada à morte. O seu advogado Jacques Vergès, impediu a  execução com uma defesa implacável e combativa. A campanha mediática que ele orquestrou, transformou Djamila numa figura emblemática da resistência anticolonialista em todo o mundo, salvando a sua vida. Após a sua libertação, ela e Vergès casaram. Tiveram dois filhos.
Djamila retirou-se da vida política após a guerra e não teve qualquer papel na construção da Argélia independente.

****
3-A guerra da Argélia (1954-1962)

Movimento de luta pela independência da Argélia, então território francês. Caracterizou-se por ataques de guerrilha e atos de violência contra civis - perpetrados tanto pelo exército e colonos franceses (os "pied-noirs") quanto pela Frente de Libertação Nacionall (Front de Libération Nationale - FLN) e outros grupos argelinos pró-independência.
O governo francês do tempo considerava criminoso ou terrorista todo ato de violência cometido por argelinos contra franceses, inclusive militares.
Estima-se que um milhão de muçulmanos e vinte mil franceses morreram na luta.
Alguns franceses, como o antigo guerrilheiro antinazista e advogado Jacques Vergès, compararam a Resistência francesa à ocupação nazi com a resistência argelina à ocupação francesa.

*****
Susan em Sevilha, 1958

Vivendo um grande amor transgressor e viajando em busca de liberdade e realização, a jovem Susan passou ao largo dos acontecimentos políticos e das mudanças sociais  que aconteciam, literalmente, ao alcance de seu olhar.
Futuramente,o lapso seria mais do que preenchido como posicionamento militante.

Como disse  Oscar Wilde,"só quem um dia perdeu a cabeça sabe raciocinar"



domingo, 1 de setembro de 2019

Oh, Walt Whitman





(31/5/1819  -   26/3/1892)
Bicentenário do nascimento

E até hoje, 127anos depois de nos deixar,Whitman  , continua sendo grande fonte de inspiração


************************************************
” Velho e formoso. Irmão em Universo“
Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, 

Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt, Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser

Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias, 

Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente".

(da “Saudação a Walt Whitman”, de Fernando Pessoa)

**********************


Quem foi este homem por onde perpassaram as obras de tantos outros poetas,  além de Garcia Lorca, Jorge Luis Borges, Gore Vidal, Neruda, José Marti, Fernando Pessoa Maiakovski, ErzaPound, Harold Bloom, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e os nossos Carlos Drummond de Andrade (A rosa do povo-1945), Roberto Piva (Paranóia,1963) Carlos Felipe Moisés (Carta de Marear) ?

Qual a magia emanada daquele que é, frequentemente, chamado “Pai do Verso Livre”?

Poeta, ensaísta, humanista, professor, tipógrafo, diretor de jornal diário (Aurora), operário agrícola, funcionário de escritório e enfermeiro voluntário na Guerra Civil Americana, Walter Whitman causou grandes controvérsias no seu tempo, especialmente pela coleção de poesias “Leaves of Grass” (”Folhas de Relva”), considerada obscena por conter “sexualidade explícita”. 

Considerado um dos mais influentes intelectuais de todos os tempos, incorporou aspectos do realismo (abordagem objetiva da realidade) e do transcendentalismo (idéias que pregam o estado espiritual transcendendo o físico).

Foi o primeiro representante da classe trabalhadora a alcançar a um lugar de honra na literatura nos Estados Unidos.
*****************

Walter Whitman Jr. nasceu em 31 de maio de 1819, em West Hills, Long Island, Estado de Nova York. Segundo dos nove filhos de pai inglês e mãe holandesa, neto de camponeses e filho de um carpinteiro instalado em Brooklyn, então uma simples aldeia situada nos arredores de Nova York.

Em 1823, a família mudou-se para o Brooklyn, onde o pai instalou sua oficina de carpintaria e nosso biografado estudou em escola pública, dos seis aos onze anos.

Trabalhou como aprendiz de tipografia, impressor e professor até 1838, já responsável pela edição de diversos jornais, Inclusive o prestigiado Daily Eagle.

Em expansão, o mercado imobiliário de Nova York ganhou a atenção de Walt que, usando sua experiência de vida, ali especulou e permaneceu entre 1850 1855, sempre escrevendo poemas, contos e artigos com pouca ou nenhuma repercussão.

Walt lia Robert Owen, Dante, Fanny Wright e Ralph Waldo Emerson e absorvia idéias do movimento Quaker.

E, geminianamente, freqüentava a boemia literária, os operários das docas, os índios na Luisiana e exercia uma assumida homossexualidade.

Um livrinho de 96 páginas foi o experimento mais audaz e mais vasto que a história da literatura registra”. Jorge Luis Borges Nos primeiros dias de julho de 1855, Walt Whitman lançou no Brooklyn, New York, um livrinho de 96 páginas que vinha sendo trabalhado desde 1847- “Leaves of Grass” - com 12 longos poemas, impresso por conta própria.

Não havia menção de quem o escreveu e nem do editor.
A única dica era a foto de um homem de meia idade nas chamadas “mangas de camisa.”

Era um segredo facilmente descoberto porque um do poemas, Song Of Myself (Canto de Mim Mesmo), ajudava a entender o autor: “Walt Whitmam, um cosmos, o filho de Manhattan / Turbulento, carnal, sensual, comendo, bebendo e procriando / Não é um sentimental, não olha de cima os homens e as mulheres / nem se afasta deles / Não é mais modesto que imodesto” (tradução : José Agostinho Baptista)

A crítica arrasou o autor desconhecido por conta “da exaltação do corpo e do amor sexual” mas - também e sobretudo - pelo uso do verso livre em linhas “de estrutura orgânica natural” Era uma obra destinada a ganhar a posteridade, lançando um estilo e influenciando gerações de poetas e intelectuais, através dos tempos.

Naquele momento da História, quase um século depois da independência, os Estados Unidos expandiam as fronteiras ao oeste e começava a era capitalista. 
Walt Whitman vendeu a casa onde morava para bancar a edição do livro.

Os oitocentos exemplares quase não foram vendidos e tudo parecia um fiasco  quando chegou uma carta do filósofo Emerson, com palavras de estímulo.
Ali foi iniciada uma longa amizade e lançada a pedra fundamental do sucesso da obra.
Em 1873, parcialmente paralisado por um ataque cardíaco, Walt passou a morar com um dos irmãos em Camden, New Jersey.
E escrevia, escrevia, escrevia, focado na única obra.

A nona edição - a definitiva - contém muitos milhares de poemas. “Leaves of Grass” vai aumentando permanentemente, à medida que os grandes espaços da América a tornavam "a terra destinada a ser percorrida, unida por uma rede".

Visto com a perspectiva do tempo acho que agora em 2011, Walt Whitman seria um incansável blogueiro.

Em julho de 2005, nos 150 anos da publicação original, surgiu uma nova tradução tomando por base a edição de 1855, assinada pelo poeta Rodrigo Garcia Lopes (Editora Iluminuras).

O sucesso fez com que os livros se esgotassem em pouco tempo.
Para atender a demanda, acaba de ser lançada, pela mesma Iluminuras, uma reedição, já disponível ao público.

Cantor da epopéia democrata


Entre 1855 e 1892, Whitman bancou nove edições de “Leaves of Grass”, todas diferentes na qualidade dos poemas e na organização interna.
Tinha a obsessão de marcar todas as etapas da epopéia americana e deixá-las 
ao alcance do futuro.

No verão de 1856, a 2ª edição vem com 32 poemas numerados e intitulados. Ali está Sundown Poem, mais tarde Crossing Brooklyn Ferry 

(Tomando a Balsa para o Brooklyn). Nos ferry-boats, as centenas e centenas de pessoas / retornando á casa, são ainda mais interessantes do que você imagina / E vocês, que vão atravessar de margem a margem, ano / vocês significam mais para mim, e mais em meus pensamentos / do que jamais poderiam imaginar.”(tradução : Maria Emília Guttilla e Rodolfo Witzig Guttilla).

A terceira edição vem publicada por editora de mercado e traz 154 poemas.
Ali estão obras clássicas como Premoniton (depois Calanus e Startingfrom Paumanok). 

Um campeão de audiência é Saindo de Paumanok:


“Saindo da ilha em forma de peixe / onde eu nasci – Paumanok - / bem concebido e criado por uma perfeita mãe, depois de andar muitas terras / morando em Manhattan, cidade minha / ou nas savanas do Sul / ou soldado acampado ou carregando / o fuzil e a mochila / ou labutando nas minas da Califórnia / ou bronco em minha casa nos bosques de Dakota / a comer e beber água de fonte / ou escondido para meditar / em algum canto bem fundo / longe do estrídulo das multidões (tradução : Geir Campos)

O Captain! My Captain!

A guerra civil, iniciada em 1861, levou Whitman a Washington para cuidar de um irmão ferido no conflito.

Decidiu dedicar seu tempo a tratar de soldados feridos, como voluntário, nos hospitais da cidade e, depois, dedicou-se a obras humanitárias em benefício dos ex- combatentes.

Em maio de 1865, saíram os Dum Taps, poemas da guerra depois incorporados a Leaves of Grass, alternando patriotismo com a dor pela morte de tantos americanos. .


O poema O Captain! My Captain! pertence à edição do final do mesmo ano, agora nomeado Sequel to Drum Taps, depois renomeado para Memories of President Lincoln, e é uma homenagem ao “grande chefe mártir da democracia”.

Numa cena do filme “Sociedade dos Poetas Mortos” o poema tornou-se muito conhecido.
O CAPTAIN! My Captain! our fearful trip is done; The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won; The port is near, the bells I hear, the people all exulting, Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem 
medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas, o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço os sinos, o povo todo exulta, Tradução: http://www.ocaixote.com.br/caixote07/captain.html

Em 1881, sai a sétima edição com a ordem e estrutura finais.
Os novos poemas que foram incorporados na oitava edição apareceriam em anexos.

A nona edição (1889) foi chamada pelos críticos de “versão do leito de morte”.
Publicada em 1892, consagrou Walt Whitman como a voz do conhecimento que vem de cada pessoa e das forças da natureza e demais formas de vida em todo o universo, da mais distante estrela em anos luz até as folhas da relva.

No Natal de 1889, ele escreveu um poema saudando o nascimento da nova república do Brasil "

Saudação de Natal" (de um grupo de estrelas do norte para seus pares do sul. 1889-90) BEM-VINDO irmão brasileiro! Abriu-se teu amplo espaço, Oferecemos a mão amiga, um sorriso vindo do Norte, uma saudação brilhante. 

(Deixe o futuro falar por si, revelando suas dificuldades, sua bagagem, É nossa, nossa a atual vibração, a busca da democracia, a aprovação e a fé)A ti estendemos nossos braços, volvemos nossos pensamentos,A ti dirigimos nosso olhar esperançoso,Tu te unistes aos livres, Tu passastes a ter brilho próprio,Tu aprendestes bem a verdadeira lição com as nações que brilham nos céus, (Brilham mais que a Cruz e a Coroa),Vamos chegar ao topo de toda a humanidade.”


Nosso “irmão em Universo”, morreu em Camden, New Jersey, no dia 26 de Março de 1892. ****************************************************************************
“Nem um só momento, velho e formoso Walt Whitman, deixei de olhar a tua barba cheia de borboletas, os teus ombros de bombazina gastos pela lua, as tuas coxas de Apolo virginal, 1ª tua voz como coluna de cinza; ancião formoso como a bruma, que gemias como um pássaro” Federico Garcia Lorca (trecho de” Ode a Walt Whitman”) ******************************************************************************

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Frederico II da Prússia,O Grande

Ele mudou o mapa do mundo


  

Intelectual, mecenas, apaixonado e chefe militar.

A situação pessoal mais dolorosa na vida de  Frederico II da Prússia – fora os castigos corporais e humilhações verbais,  impostos por seu pai o “Rei Sargento”Frederico Guilherme I, diante da tropa - deve ter sido  o episódio envolvendo o Tenente Hans Herman von Katte. 

O Tenente era membro do exército recrutado homem a  homem, pelo próprio soberano. 

Musicista nato, poeta, filósofo, bem apessoado e oito anos mais velho que Frederico, Hans logo se tornou mais que um amigo.
Chegada a idade de casar para dar continuação à dinastia, Frederico se recusou e elaborou plano um  com o objetivo de partir  para a Inglaterra. 

Os tenentes  Herman von Katte e seu outro amigo Kein, que eram bem relacionados por lá, desacataram  as ordens do Rei e ajudaram na fuga, com a cumplicidade da irmã preferida, Princesa Guilhermina.
Julgados por um conselho de guerra, os jovens militares foram presos e condenados. 

Despedida de Frederico e Katte
O herdeiro e Kein pegaram  pena  pesada e Katte foi condenado à morte, com  detalhe de crueldade decidido pelo Rei, sabedor do relacionamento de seu filho. A execução foi na Praça Krustin, em frente a uma janela do quarto onde o fugitivo e  malsucedido príncipe morava.

Frederico mandou um beijo ao condenado e pediu perdão. Recebeu como resposta uma reverência e as seguintes palavras “Senhor, nada tenho a lhe perdoar”.
Encaminhou-se para o cadafalso e foi decapitado. A linda cabeleira loura foi preservada e, durante muitos anos, ornou a tumba do tenente Hatte.

Origem e  breve casamento
   

Frederico  nasceu  em Berlim  no dia  24 de Janeiro de 1712, filho de Frederico Guilherme I da Prússia e  de Sophia Dorothea de Hannover. Pertencia à dinastia Hohernzollem. 

Após o episódio da morte de Hatte, Frederico acatou a ordem do pai para casar-se com Isabel Cristina, filha de Fernando Alberto de Breunswick (1733).  voltando a ser príncipe herdeiro. Passou com a esposa o tempo necessário para consumar a união - alguns relatos falam em poucas horas e que,talvez, nada tenha acontecido entre os nubentes - e retirou-se para o castelo de Rheinsberg.

Ali estudava filosofia e história, fazia seus poemas e mantinha uma correspondência constante com os filósofos franceses, especialmente com Voltaire. A princesa, que era apenas uma figura decorativa, - muito bonita, por sinal - aparecia nas solenidades públicas, duas ou três vezes por ano.
Em 1740, morreu o pai carrasco e tudo mudou.
           

Sans Souci, reduto das artes sem presença feminina


Frederico, agora Rei,  amante da música, arte e literatura francesa, era um grande militar.
Sua maior habilidade era impedir que exércitos inimigos se aliassem contra  ele. O gosto pelas artes atraiu Voltaire e outros sábios e cientistas franceses, que passaram a frequentar a nova  residência  real de Sans Souci, mandada construir  em Potsdam, em estilo rococó francês.

Foi criado um centro emissor de arte e erudição, frequentado pelas mentes mais brilhantes da Europa. Voltaire ali residiu entre 1750 e 1753. Em maio de 1754, Sans Souci hospedou Johann Sebastian Bach, que escreveu para o monarca sua    "Oferenda musical".  A presença feminina era vetada. 

Decidido a reunir a elite da intelectualidade européia,   Frederico II  chamou o queridinho da corte da Inglaterra, Francesco Algarotti, expert em arte e música, amigo dos mais importantes autores de seu tempo
Algorotti havia conhecido  Frederico quando este, ainda príncipe, logo se rendeu aos encantos do italiano.

Quando tornou-se rei, mandou uma mensagem ao muso:  "Querido Algorotti, minha sorte mudou. Não me deixe esperar por sua presença, Cisne de Pádua”.
Algarotti aproveitou a fase boa  para  tirar uma  casquinha: desejava o posto de Embaixador na Itália. O rei mandou chama-lo e escreveu num bilhete:” : "Querido Algorotti, continuo a te aguardar com grande impaciência, mas, prefiro  te  ter como amigo a receber teus relatórios como meu embaixador”. 

A relação se deteriorou e Algarotti partiu, em busca de  postos “mais rentáveis”.
Mais tarde reataram, e o italiano recebeu de Frederico a”Ordem do Mérito” e ao morrer foi erigido  um belo  túmulo em sua honra.
 

Chefe Militar

Frederico, o Grande, como passou a ser chamado, mergulhou de cabeça numa política favorável a seu país e, em seguida, exigiu a devolução do ducado da Silésia, em troca da aprovação prussiana da Sanção Pragmática (norma ou disposição legal promulgada de forma solene por um soberano absoluto que disponha sobre aspectos fundamentais do Estado, regulando questões como a sucessão no trono, as matérias de religião de Estado e outras).

Na Sanção de 1713, o  imperador Carlos VI da Áustria desejava manter unificados os domínios dosHabsburgos, declarava que a sua filha Maria Teresa I da Áustria o sucederia no trono.
Maria Teresa, que herdou a coroa no mesmo ano (1740) não aceitou a proposta e a Prússia invadiu a Silésia, iniciando a Guerra de Sucessão Austríaca.,que mudou o mapa do mundo.

Frederico liderou o exército prussiano  na Guerra dos Sete Anos e é considerado um dos maiores estrategistas militares de todos os tempos.

Legado


Político, compositor e escritor, fez de Berlim uma das principais cidades de seu tempo, aboliu a tortura ao aceitar as críticas de Montesquieu aos métodos de interrogar prisioneiros. 

Fundou escolas públicas, decretou a tolerância religiosa, construiu canais e abrigou refugiados  franceses que fizeram chegar à Prússia novas técnicas na agricultura, comercio e  nos produtos manufaturados e a tornaram uma das principais potências da Europa.

Tirou a nação da letargia, assentou as bases econômicas e  enfrentou a Rússia e a França na Guerra dos Sete Anos, liderando pessoalmente as tropas nas frentes de batalha. 
Colocou a Prússia entre as principais potências da Europa.

Faleceu em 17 de agosto de 1786, em seu querido castelo Sans Souci e foi sucedido pelo sobrinho, Frederico III da Prússia, filho de seu irmão Príncipe Augusto Guilherme.

******************************************************************************

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Megan Rapinoe: 'o protesto ambulante',inclusão e diversidade



Megan,Campeã do mundo, é uma futebolista norte-americana que atua como meia no Seattle Reign FC.

        *****************   

 Megan e seus pais Jim e Denise Rapinoe
*Megan Anna Rapinoe nasceu em 5 de julho de 1984, em Redding, na Califórnia, filha de Jim e Denise.
Tem cinco irmãos, incluindo sua gêmea, Rachel.

*Começou a jogar futebol aos 3 anos de idade por influência do irmão Brian, e passou a maior parte de sua juventude jogando em equipes treinadas por seu pai.

*Em 2005, Megan e Rachel entraram na Universidade de Portland, em Oregon, e começaram a fazer parte do time de futebol feminino do Portland Pilots, equipe multiesportiva da faculdade.
 Megan e a gêmea Rachel


*Ali,Megan começou a se destacar como atleta, sendo titular no time dos Pilots que conquisto,invicto, o Campeonato de Futebol Feminino da Divisão I da NCAA (National Collegiate Athletic Association)

 Evolução da carreira 

 Jogou as temporadas de 2009 e 2010 com a equipe do  Red Stars. 

Na inter-temporada 2010-2011, os donos do Red Stars anunciaram que a equipe não sairia para a temporada 2011 na WPS por motivos financeiros, e jogaria na liga feminina Premier Soccer League (WPSL). 
Rapinoe foi chamada para defender o Philadelphia Independence. 
Durante a temporada de 2011, foi emprestada ao MagicJack,ajudou a classificar a equipe que acabou sendo eliminada na semifinal pelo Philadelphia Independence.

  Foi para a Austrália, em outubro, para jogar o Sydney FC5. Após a suspensão das atividades femininas de futebol profissional em fevereiro de 2012,  assinou com o Sounders Women of Seattle.

Dos 10 indicados para o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA 2012, ela terminou em 9º lugar atrás de sua  então nova companheira  Camille Abily, que ficou em 7º lugar.

Em 10 de janeiro de 2013, ela se juntou ao Olympique Lyonnais para um período de seis meses.  Na primeira aparição com a camisa do Lyon em um amistoso contra o Shanghai (5-0),marcou em cobrança de falta.

Por discórdias  com seu treinador Patrice Lair,  deixou o Lyon em fevereiro de 2014.

Em 8 de outubro de 2018, foi indicada  entre as quinze competidoras da primeira Bola de Ouro Feminina (sendo  a 9ª colocada).

Campeã ollímpica cm 2012 e campeã do mundo  em 2015 e   2019.

Foi eleita a melhor jogadora da ediço da Copa do Mundo Feminina neste ano de 2019.

Vida Pessoal

Em 2 de julho de 2012, Rapinoe saiu  do armário em uma entrevista para a revista Out contando que estava com  a jogadora de futebol australiana Sarah Walsh desde 2009.


 Após cerca de cinco anos juntas, Rapinoe e Walsh encerraram o relacionamento. 
 Em seguida, esteve casada   
com a artista Sera Cahoone
Megan e  Sue Bird

Em julho de 2017, a quatro vezes campeã olímpica de basquete Sue Bird revelou seu relacionamento com Megan Rapinoe.





Desde 4 de setembro de 2016, Rapinoe  boicota o hino americano antes dos jogos, em apoio ao jogador de futebol americano Colin Kaepernick, que também se manifesta contra a diferença salarial entre jogadores do sexo masculino e feminino.

Na Copa do Mundo de 2019, na França, ela se recusou a cantar o hino nacional americano em protesto à política de Donald Trump sobre minorias.  


Convidada por Trump para uma visita, respondeu: Suas mensagens excluem as pessoas. Você me exclui. Você exclui pessoas que são como eu."



        
******************


Eu não poderia fazer/escrever nada melhor para louvar a atleta e ativista.
Portanto, reproduzo aqui as razões para você admirar Megan,postadas no site da revista "Capricho, de quem sou fã antiga, desde os tempos de minha neta adolescente-quando a presenteei com uma assinatura.

O que causou problemas na escola -supostamente de vanguarda- que ela frequentava.
Esta é um motivo para que eu admire "Capricho",sempre
 moderna e abrindo horizontes e mentes.

*****
Por favor, cliue aqui:
https://capricho.abril.com.br/vida-real/5-motivos-para-admirar-a-jogadora-megan-rapinoe-dentro-e-fora-dos-gramados/




ANDY WARHOL

    A série  Diários de Andy Warho l     está disponível na Netflix e conta a história do artista norte-americano através dos seus diários p...