terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Carol - O filme
Indicado para seis Oscars (incluindo os de melhor atriz, trilha sonora, fotografia, roteiro adaptado e figurino )achei no youtube o filme legendado em português e aqui está ele para que meus leitores,todos de bom gosto ,possam admirar.
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https://www.youtube.com/watch?v=YBNp96NNLPw
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
“Prepara, nem!”: respeito e inclusão para as pessoas trans
Do site do sociólogo e vereador do PSOL-RJ Renato Cinco
(Renato Athayde Silva )
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O
“Prepara, nem!” iniciou os trabalhos esse ano e já mostrou a que veio.
Começou com a ideia de ser um curso pré-vestibular acolhedor, que
oferecesse aulas gratuitas para pessoas trans, mas já se tornou algo
maior.
Para além da preparação para o Enem e outros vestibulares – o que era a ideia inicial -, oferece auxílio para concursos e busca por vagas de emprego, além de ter se tornado um espaço de encontro e apoio. Os professores e as professoras são voluntários e todas as decisões são tomadas de forma coletiva.
Cada dia da semana o curso está em um lugar diferente, de acordo com a disponibilidade das organizações que apoiam. O Espaço Plínio acolheu a família “Prepara, nem!” durante alguns meses. Nosso mandato tem muito orgulho de ter contribuído com essa iniciativa.
Para explicar melhor o projeto, entrevistamos Indianara, idealizadora do “Prepara”; Luiza, professora de química; e Luciana e Haluxx, aluna e aluno do curso. Confira!
- Indianara, presidente do “Transrevolução”
Gabinete do vereador Renato Cinco (GVRC): Como surgiu a ideia do “Prepara, nem!”?
Indianara (I): O “Prepara, nem!” é uma ideia minha antiga, de capacitação profissional e formação escolar para travestis e transexuais. Com a internet, queria incluir noções de informática.
Depois deixei de lado e voltei com a ideia, querendo que a Giselle fosse parceira no Transrevolução para os grandes eventos no Brasil e no RJ, se tornando um curso de idiomas e noções de informática para as TTT’s (Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Com o Enem, entrou então a necessidade do cursinho preparatório.
Como Giselle morreu, esse ano, descendo Santa Teresa com o Thiago – que insistia que eu me inscrevesse no Enem como exemplo -, comecei a expor minha ideia de um curso para as TTT’s. Ele se prontificou a ajudar. Fomos para a casa dele e, enquanto ele fazia minha inscrição no Enem, surgiu o nome “Prepara, nem!”.
GVRC: E aceitação/adesão foi boa? Como foi esse processo?
I: Lançamos na internet e houve uma adesão muito boa de voluntários pra dar aula, além de umas 20 alunas e um menino trans.
GVRC: Qual era o maior objetivo/intenção das pessoas que procuraram o curso?
I: O maior objetivo era o Enem, mas começou a ser usado para outros vestibulares ou concursos, vagas de emprego, entre outras, e acabou se estendendo além daquilo que se propunha.
GVRC: O Enem já passou, como foi o resultado?
I: Ainda não sei o resultado de todes.
GVRC: Para além do resultado na prova, quais outros resultados você aponta como positivos?
I: O maior objetivo de quem nos procura é em um cursinho pré-vestibular, sem opressões ou discriminação.
Para além das provas, é essa interação entre alunos e professores. E a ajuda que se estende além da sala de aula, com arrecadação de roupas e alimentos para doação, arrecadação de verbas, mas sempre com alunes envolvides.
GVRC: Como você e o pessoal que impulsionou o curso avaliam a experiência?
I: A avaliação é ótima. Excelente mesmo.
GVRC: O “Prepara, nem!” volta no ano que vem?
I: O “Prepara, nem!” continua e se estende como “Alfabetiza, nem!” e também para escola Tia Angélica, Zona Oeste e Nova Iguaçu.
GVRC: Como o curso se organiza? Como as alunas e professores/colaboradores interagem e decidem as questões relativas ao curso?
I: O “Prepara” é organizado através de reuniões onde tudo – tanto as aulas como outras atividades – é discutido entre professores e alunes de forma horizontal.
- Haluxx Maranhão (HM), estudante e militante dos direitos de transexuais e minorias.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
HM: O “Prepara, nem!” é um projeto que vai para além do sentido de inserção e preparação de pessoas transvestigêneras no ingresso ao universo acadêmico.
Nesse sentido posso dizer que o projeto é pioneiro, idealizado pela ativista Indianara Siqueira Alves e colaboradores, visando o empoderamento tanto social e político quanto da própria capacitação des alunes no ingresso nas universidades, sem a anulação das vivências des mesmos.
GVRC: Quais são os projetos futuros do “Prepara,nem!”?
HM: Como homem trans não binário, faço do projeto um aliado e um braço de luta contra o sistema educacional falido ao qual nos encontramos atualmente, visando facilitar e integrar tanto aos educadores quanto aos futuros alunes uma nova forma didática, que realmente seja inclusiva a nós, pessoas trans.
GVRC: Qual foi o maior aprendizado nesse processo?
HM: Como ativista/ estudante, minha maior experiência foi aprender, admirar e unir a força da superação, resiliência e humanidade de várias pessoas transexuais que tiveram que abandonar sua trajetória acadêmica justamente por não estarmos “adequados”, dentro do fatídico sistema de educação que hoje funciona no país.
É preciso uma mudança drástica no processo educacional no Brasil. O “Prepara, nem!” vem com os dois pés na porta do preconceito e da falta de políticas públicas, na falida forma de aprender que temos hoje.
- Luiza (L), professora de química do “Prepara, nem!”.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
L: Bem, me chamo Luiza, sou transexual e professora de química no “Prepara, nem!”. O projeto está sendo uma experiência maravilhosa na minha vida; está sendo um intercâmbio onde, além de transmitir o meu conhecimento, estou aumentando a minha bagagem cultural com as experiências vividas pelas meninas… O “Prepara” vai muito além de um simples projeto, tornou-se uma família: a FAMÍLIA NEM; família esta onde todos lutam pelo mesmo objetivo, ajudam uns aos outros, sempre ajudando a quem precisa. Agradeço a Deus pela Família Nem existir.
Família Nem, Família Nem, família igual não tem!
GVRC: Quais são os projetos futuros do “Prepara, nem!”?
L: Bem, todos sabem que nós, trans e travestis, somos uma parte da sociedade que sofre uma certa exclusão. Acho legal existir projetos voltados para trans, mas acho que seria muito melhor se a nossa sociedade passasse por um curso de como aprender a lidar com as diferenças, para que todas as pessoas (heteros, homossexuais, bissexuais, trans, travestis, negros, judeus, etc) se unissem e lutassem por um Brasil melhor.
GVRC: Qual foi o maior aprendizado nesse processo?
L: Num curso voltado para pessoas trans, as meninas vão se sentir mais a vontade, estarão entre pessoas que compartilham da mesma história. Isso é legal.
Num local onde tenha pessoas iguais a você, tudo flui. Você se sente mais feliz. O preconceito não existe.
- Luciana Vasconcelos, aluna do “Prepara, nem!”.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
LV: O “Prepara, nem!” hoje para mim é tudo. É minha família, minha vida, meu momento escolar, meu momento de relaxamento… E o “Prepara, nem!” significa muito para mim, porque, através dele, hoje tenho como efetivar os meus objetivos. Eu, que fui uma profissional do sexo, hoje consigo me colocar como uma estudante, porque o “Prepara, nem!” me deu essa oportunidade.
E eu quero ingressar com tudo, porque acho que ele está me dando oportunidades para eu realmente reconhecer que posso ser inserida numa sociedade que é tão injusta.
Hoje agradeço o “Prepara, nem!” por tudo o que está fazendo na minha vida e o que ainda vai fazer.
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(Renato Athayde Silva )
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Para além da preparação para o Enem e outros vestibulares – o que era a ideia inicial -, oferece auxílio para concursos e busca por vagas de emprego, além de ter se tornado um espaço de encontro e apoio. Os professores e as professoras são voluntários e todas as decisões são tomadas de forma coletiva.
Cada dia da semana o curso está em um lugar diferente, de acordo com a disponibilidade das organizações que apoiam. O Espaço Plínio acolheu a família “Prepara, nem!” durante alguns meses. Nosso mandato tem muito orgulho de ter contribuído com essa iniciativa.
Para explicar melhor o projeto, entrevistamos Indianara, idealizadora do “Prepara”; Luiza, professora de química; e Luciana e Haluxx, aluna e aluno do curso. Confira!
- Indianara, presidente do “Transrevolução”
Gabinete do vereador Renato Cinco (GVRC): Como surgiu a ideia do “Prepara, nem!”?
Indianara (I): O “Prepara, nem!” é uma ideia minha antiga, de capacitação profissional e formação escolar para travestis e transexuais. Com a internet, queria incluir noções de informática.
Depois deixei de lado e voltei com a ideia, querendo que a Giselle fosse parceira no Transrevolução para os grandes eventos no Brasil e no RJ, se tornando um curso de idiomas e noções de informática para as TTT’s (Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Com o Enem, entrou então a necessidade do cursinho preparatório.
Como Giselle morreu, esse ano, descendo Santa Teresa com o Thiago – que insistia que eu me inscrevesse no Enem como exemplo -, comecei a expor minha ideia de um curso para as TTT’s. Ele se prontificou a ajudar. Fomos para a casa dele e, enquanto ele fazia minha inscrição no Enem, surgiu o nome “Prepara, nem!”.
GVRC: E aceitação/adesão foi boa? Como foi esse processo?
I: Lançamos na internet e houve uma adesão muito boa de voluntários pra dar aula, além de umas 20 alunas e um menino trans.
GVRC: Qual era o maior objetivo/intenção das pessoas que procuraram o curso?
I: O maior objetivo era o Enem, mas começou a ser usado para outros vestibulares ou concursos, vagas de emprego, entre outras, e acabou se estendendo além daquilo que se propunha.
GVRC: O Enem já passou, como foi o resultado?
I: Ainda não sei o resultado de todes.
GVRC: Para além do resultado na prova, quais outros resultados você aponta como positivos?
I: O maior objetivo de quem nos procura é em um cursinho pré-vestibular, sem opressões ou discriminação.
Para além das provas, é essa interação entre alunos e professores. E a ajuda que se estende além da sala de aula, com arrecadação de roupas e alimentos para doação, arrecadação de verbas, mas sempre com alunes envolvides.
GVRC: Como você e o pessoal que impulsionou o curso avaliam a experiência?
I: A avaliação é ótima. Excelente mesmo.
GVRC: O “Prepara, nem!” volta no ano que vem?
I: O “Prepara, nem!” continua e se estende como “Alfabetiza, nem!” e também para escola Tia Angélica, Zona Oeste e Nova Iguaçu.
GVRC: Como o curso se organiza? Como as alunas e professores/colaboradores interagem e decidem as questões relativas ao curso?
I: O “Prepara” é organizado através de reuniões onde tudo – tanto as aulas como outras atividades – é discutido entre professores e alunes de forma horizontal.
- Haluxx Maranhão (HM), estudante e militante dos direitos de transexuais e minorias.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
HM: O “Prepara, nem!” é um projeto que vai para além do sentido de inserção e preparação de pessoas transvestigêneras no ingresso ao universo acadêmico.
Nesse sentido posso dizer que o projeto é pioneiro, idealizado pela ativista Indianara Siqueira Alves e colaboradores, visando o empoderamento tanto social e político quanto da própria capacitação des alunes no ingresso nas universidades, sem a anulação das vivências des mesmos.
GVRC: Quais são os projetos futuros do “Prepara,nem!”?
HM: Como homem trans não binário, faço do projeto um aliado e um braço de luta contra o sistema educacional falido ao qual nos encontramos atualmente, visando facilitar e integrar tanto aos educadores quanto aos futuros alunes uma nova forma didática, que realmente seja inclusiva a nós, pessoas trans.
GVRC: Qual foi o maior aprendizado nesse processo?
HM: Como ativista/ estudante, minha maior experiência foi aprender, admirar e unir a força da superação, resiliência e humanidade de várias pessoas transexuais que tiveram que abandonar sua trajetória acadêmica justamente por não estarmos “adequados”, dentro do fatídico sistema de educação que hoje funciona no país.
É preciso uma mudança drástica no processo educacional no Brasil. O “Prepara, nem!” vem com os dois pés na porta do preconceito e da falta de políticas públicas, na falida forma de aprender que temos hoje.
- Luiza (L), professora de química do “Prepara, nem!”.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
L: Bem, me chamo Luiza, sou transexual e professora de química no “Prepara, nem!”. O projeto está sendo uma experiência maravilhosa na minha vida; está sendo um intercâmbio onde, além de transmitir o meu conhecimento, estou aumentando a minha bagagem cultural com as experiências vividas pelas meninas… O “Prepara” vai muito além de um simples projeto, tornou-se uma família: a FAMÍLIA NEM; família esta onde todos lutam pelo mesmo objetivo, ajudam uns aos outros, sempre ajudando a quem precisa. Agradeço a Deus pela Família Nem existir.
Família Nem, Família Nem, família igual não tem!
GVRC: Quais são os projetos futuros do “Prepara, nem!”?
L: Bem, todos sabem que nós, trans e travestis, somos uma parte da sociedade que sofre uma certa exclusão. Acho legal existir projetos voltados para trans, mas acho que seria muito melhor se a nossa sociedade passasse por um curso de como aprender a lidar com as diferenças, para que todas as pessoas (heteros, homossexuais, bissexuais, trans, travestis, negros, judeus, etc) se unissem e lutassem por um Brasil melhor.
GVRC: Qual foi o maior aprendizado nesse processo?
L: Num curso voltado para pessoas trans, as meninas vão se sentir mais a vontade, estarão entre pessoas que compartilham da mesma história. Isso é legal.
Num local onde tenha pessoas iguais a você, tudo flui. Você se sente mais feliz. O preconceito não existe.
- Luciana Vasconcelos, aluna do “Prepara, nem!”.
GVRC: O que significa o “Prepara, nem!” para você?
LV: O “Prepara, nem!” hoje para mim é tudo. É minha família, minha vida, meu momento escolar, meu momento de relaxamento… E o “Prepara, nem!” significa muito para mim, porque, através dele, hoje tenho como efetivar os meus objetivos. Eu, que fui uma profissional do sexo, hoje consigo me colocar como uma estudante, porque o “Prepara, nem!” me deu essa oportunidade.
E eu quero ingressar com tudo, porque acho que ele está me dando oportunidades para eu realmente reconhecer que posso ser inserida numa sociedade que é tão injusta.
Hoje agradeço o “Prepara, nem!” por tudo o que está fazendo na minha vida e o que ainda vai fazer.
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terça-feira, 17 de novembro de 2015
O GALÃ ERA GAY - CARY GRANT
Convido para meu texto
http://textosdetherezapires.blogspot.com.br/2012/04/o-bservo-as-pessoas-fumando-na-rua-com.html
sobre o Código de Hays de censura no cinema( só abolido em 1956), que moldou e entortou a cabeça de gerações nos EEUU,enquanto a indústria do tabaco pagava merchandising por minuto de fumacê nas telas.
Inicio aqui uma trilogiazinha sobre hipocrisia e mentiras em Hollywood.
*************************************
Cary Grant, nome artístico de Archibald Alexander Leach,ator estadunidense nascido na Inglaterra.
(1904-1986)
Cinco casamentos, uma filha
Esposas:
Barbara Harris (1981 - 1986)
Dyan Cannon (1965 - 1968 -mãe da filha Jennifer)
Betsy Drake (1949 - 1962)
Barbara Hutton (1942 - 1945)
Virginia Cherrill (1934 - 1935)
Apesar de transitar entre múltiplos casamentos, seu nome consta de várias enciclpédias( não gays, inclusive), como companheiro do também ator Randolph Scott durante cerca de doze anos.
******************
Cary Grant era filho de Maria Elsie Kingdon e Elias James Leach, operário numa tinturaria.
A família da classe trabalhadora morava em uma casa geminada de pedra em Bristol, Inglaterra, mantida "aquecida" tanto por lareiras queimando carvão quanto pelas brigas constantes do casal
Criança muito bonita e ativa, Grant estudou na escola episcopal da cidade,ajudava em casa,vestido como uma menina pela mãe.
Ia ao cinema com o pai e,um dia, aos seis anos, foi assistir a uma pantomima (representação de uma história exclusivamente através de gestos, expressões faciais e movimentos)e gostou tanto que foi entregue ao produtor Robert Lamas que precisava de uma criança para atuar, com um documento de guarda provisória.
A trupe foi vista pelo empresário americano Jesse Lasky, que a convidou para se apresentações em Nova York Aos sete anos, a criança estava num navio, com destino à Broadway.
Acabada a temporada, retornou à Bristol e aos estudos.
Aos nove anos, passou a viver apenas com o pai e a internação da mãe em um hospital para doentes mentais causou uma reviravolta completa na vida do futuro Cary Grant.Foi informado que ela tinha morrido.
Aos treze anos, deixou a escola,falsificou a assinatura do pai e entrou para a trupe do comediante Bob Pender.
Durante dois anos,trabalhou em diversas cidades da Inglaterra Em julho de 1920, aos dezesseis anos, foi um das oito artistas escolhidos por Pender para uma vitoriosa turnê de dois anos pelos Estados Unidos,trabalhando em trapézios,malabarismos e outras acrobacias.
Terminada esta etapa, resolveu não retornar mais à Inglaterra.
Um pequeno período na Broadway fazendo teatro e logo se mudou para a Califórnia, assinando um contrato com a Paramount com seu novo nome Cary Grant.
Neste momento,recebeu carta do pai,comunicando novo casamento e o nascimento de um irmão,Eric Leslie Archer.
Circulando no círculo charmoso da Bradway, o rapaz de 17 anos não deu muita importância ao nascimento do irmão.
Por conta de seu modesto currículo e ,também, por conta de seu passado de vaudeville e da bela figura, passou a encarnar galãs sofisticados e saudáveis.
**************************
Randolph Scott
Cary e Randolph Scott se conheceram no set do filme "Hot Saturday" (1932) e movidos por atração mútua passaram a circular juntos o tempo todo.
Os amigos daquela época contaram a biógrafos que os dois atores viviam uma relação estável e frequentavam os círculos gays de Hollywood.
Também é conhecido o relacionamento anterior de Cary, com o designer de moda Orry-Kelly (1897-1964).
O jornalista gay (ainda no armário) Ben Maddox escreveu texto para uma reportagem
sobre a dupla (ou casal) para a Modern Screen, em 1933.
As fotos mostram Cary Grant e Randolph Scott compartilhando a casa e vivendo uma verdadeira relação , e o texto - certamente para se proteger das sanções do Código Hays de censura,utilizava alguns códigos que seriam compreendidos pelos leitores gays da publicação.
As fotos são tão explícitas e bandeirosas que a mídia hétero os ridicularizou e deixou no ar a possibilidade de haver "alguma coisa" entre eles.
****
Para "limpar a barra", a Paramount providenciou o que seria o 1º de uma série de casamentos.
Em Fevereiro de1934, aconteceu a cerimônia que o uniu a Virginia Cherril e, em um ano ,veio o divórcio,depois da tentativa de suicídio do ator.
Virginia alegou que, além de estar bebendo muito, Cary Grant a agredia fisicamente,além de demonstrar desinteresse sexual.
O astro voltou para Randolph assim que o divórcio foi oficializado.
O estúdio capitulou (por enquanto) e começou a plantar notícias sobre a"Bachelor House", Casa de Solteiros,com a charmosa dupla praticando esportes e curtindo a casa de praia.
*******
Em 1936, Grant deixou a Paramount e contratou um agente independente para representá-lo , Frank Vincent.
Passou a a ter mais independência na carreira e na vida.
Entre 1937 e 1940, continuou a personificar o galã elegante e irresistível.Estrelou para a RKO e para a Columbia Pictures filmes leves e descontraídos.
Já famoso,ficou sabendo que a mãe Elsie estava viva e ainda morava no mesmo asilo.
Foi a seu encontro,assumiu as despesas, tirou-a da instituição e comprou-lhe uma casa em Bristol já que ela se recusou a viver nos Estados Unidos.
Costumava visita-la com frequência.
Elsie se recuperou bem e,com melhor de saúde física e mental,viveu até 95 anos.
***********
Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial , tornou-se cidadão estadunidense.
Em julho de 1942 , casou-se com a milionária Barbara Hutton , de quem se divorciou três anos mais tarde.
Por ser ator independente,a fama interncional custou a chegar e veio ,em 1946, com o filme de Alfred
Hitchcock Interlúdio (Notorious), e firmou-se ,em 1957 ,com Tarde Demais para Esquecer (An affair to remember).
A essas alturas, no terceiro casamento com Betsy Drake, e apaixonou-se por Sophia Loren.Já envolvida com o produtor italiano Carlo Ponti, ela não o quís,
1965-58 Na ciranda dos casamentos,veio a vez da atriz Dyan Cannon, a número 4, com que teve a filha Jennifer.
Ao divórcio,seguiu-se uma batalha judicial e Cary conseguiu a guarda da menina.
Foi um pai muito dedicado, decidido a oferecer o carinho e dedicação que não recebeu em casa.
Em 1981, Cary casou-se pela 5a e última vez com a atriz Barbara Harris.
********
Cary Grant inspirou o escritor inglês Ian Fleming a criar especialmente para ele o personagem 007.
Convite feito e recusado,Sean Connery pegou o papel.
Foi indicado duas vezes ao Oscar nos anos 40 pelos filmes Serenata Prateada (Penny Serenade, 1941), e "Apenas Um Coração Solitário) (None but the lonely heart, 1944)].
A carreira foi encerrada em 1966, com o filme "Walk, Don't Run" , pois se achava velho para interpretar papéis principais e não desejava se expor em papéis secundários.
Em 1970, a Academia de Cinema de Hollywood lhe deu um Oscar pelo conjunto da obra.
**********************************
Frank Sinatra entrega o Oscar
https://www.youtube.com/watch?v=R0Zijgn-c9w
****
Aos 82 anos,teve uma hemorragia cerebral fulminante quando saía do Teatro Adler, em Davenport, Iowa, onde ensaiava o espetáculo Uma conversa com Cary
Seu corpo,levado para Los Angeles, ali foi cremado.
..............
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http://textosdetherezapires.blogspot.com.br/2012/04/o-bservo-as-pessoas-fumando-na-rua-com.html
sobre o Código de Hays de censura no cinema( só abolido em 1956), que moldou e entortou a cabeça de gerações nos EEUU,enquanto a indústria do tabaco pagava merchandising por minuto de fumacê nas telas.
Inicio aqui uma trilogiazinha sobre hipocrisia e mentiras em Hollywood.
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Cary Grant, nome artístico de Archibald Alexander Leach,ator estadunidense nascido na Inglaterra.
(1904-1986)
Cinco casamentos, uma filha
Esposas:
Barbara Harris (1981 - 1986)
Dyan Cannon (1965 - 1968 -mãe da filha Jennifer)
Betsy Drake (1949 - 1962)
Barbara Hutton (1942 - 1945)
Virginia Cherrill (1934 - 1935)
Apesar de transitar entre múltiplos casamentos, seu nome consta de várias enciclpédias( não gays, inclusive), como companheiro do também ator Randolph Scott durante cerca de doze anos.
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Cary Grant era filho de Maria Elsie Kingdon e Elias James Leach, operário numa tinturaria.
Criança muito bonita e ativa, Grant estudou na escola episcopal da cidade,ajudava em casa,vestido como uma menina pela mãe.
Ia ao cinema com o pai e,um dia, aos seis anos, foi assistir a uma pantomima (representação de uma história exclusivamente através de gestos, expressões faciais e movimentos)e gostou tanto que foi entregue ao produtor Robert Lamas que precisava de uma criança para atuar, com um documento de guarda provisória. A trupe foi vista pelo empresário americano Jesse Lasky, que a convidou para se apresentações em Nova York Aos sete anos, a criança estava num navio, com destino à Broadway.
Acabada a temporada, retornou à Bristol e aos estudos.
Aos nove anos, passou a viver apenas com o pai e a internação da mãe em um hospital para doentes mentais causou uma reviravolta completa na vida do futuro Cary Grant.Foi informado que ela tinha morrido.
Aos treze anos, deixou a escola,falsificou a assinatura do pai e entrou para a trupe do comediante Bob Pender.
Durante dois anos,trabalhou em diversas cidades da Inglaterra Em julho de 1920, aos dezesseis anos, foi um das oito artistas escolhidos por Pender para uma vitoriosa turnê de dois anos pelos Estados Unidos,trabalhando em trapézios,malabarismos e outras acrobacias.
Terminada esta etapa, resolveu não retornar mais à Inglaterra.
Um pequeno período na Broadway fazendo teatro e logo se mudou para a Califórnia, assinando um contrato com a Paramount com seu novo nome Cary Grant.
Neste momento,recebeu carta do pai,comunicando novo casamento e o nascimento de um irmão,Eric Leslie Archer.
Circulando no círculo charmoso da Bradway, o rapaz de 17 anos não deu muita importância ao nascimento do irmão.
Por conta de seu modesto currículo e ,também, por conta de seu passado de vaudeville e da bela figura, passou a encarnar galãs sofisticados e saudáveis.
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Randolph Scott
Cary e Randolph Scott se conheceram no set do filme "Hot Saturday" (1932) e movidos por atração mútua passaram a circular juntos o tempo todo.
Também é conhecido o relacionamento anterior de Cary, com o designer de moda Orry-Kelly (1897-1964).
O jornalista gay (ainda no armário) Ben Maddox escreveu texto para uma reportagem
sobre a dupla (ou casal) para a Modern Screen, em 1933.
As fotos mostram Cary Grant e Randolph Scott compartilhando a casa e vivendo uma verdadeira relação , e o texto - certamente para se proteger das sanções do Código Hays de censura,utilizava alguns códigos que seriam compreendidos pelos leitores gays da publicação.
As fotos são tão explícitas e bandeirosas que a mídia hétero os ridicularizou e deixou no ar a possibilidade de haver "alguma coisa" entre eles.
| Cary e Virginia |
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Para "limpar a barra", a Paramount providenciou o que seria o 1º de uma série de casamentos.
Em Fevereiro de1934, aconteceu a cerimônia que o uniu a Virginia Cherril e, em um ano ,veio o divórcio,depois da tentativa de suicídio do ator.
Virginia alegou que, além de estar bebendo muito, Cary Grant a agredia fisicamente,além de demonstrar desinteresse sexual.
O estúdio capitulou (por enquanto) e começou a plantar notícias sobre a"Bachelor House", Casa de Solteiros,com a charmosa dupla praticando esportes e curtindo a casa de praia.
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Em 1936, Grant deixou a Paramount e contratou um agente independente para representá-lo , Frank Vincent.
Passou a a ter mais independência na carreira e na vida.
Entre 1937 e 1940, continuou a personificar o galã elegante e irresistível.Estrelou para a RKO e para a Columbia Pictures filmes leves e descontraídos.
Já famoso,ficou sabendo que a mãe Elsie estava viva e ainda morava no mesmo asilo.
Foi a seu encontro,assumiu as despesas, tirou-a da instituição e comprou-lhe uma casa em Bristol já que ela se recusou a viver nos Estados Unidos.
Costumava visita-la com frequência.
Elsie se recuperou bem e,com melhor de saúde física e mental,viveu até 95 anos.
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Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial , tornou-se cidadão estadunidense.
Em julho de 1942 , casou-se com a milionária Barbara Hutton , de quem se divorciou três anos mais tarde.
Por ser ator independente,a fama interncional custou a chegar e veio ,em 1946, com o filme de Alfred
Hitchcock Interlúdio (Notorious), e firmou-se ,em 1957 ,com Tarde Demais para Esquecer (An affair to remember).
A essas alturas, no terceiro casamento com Betsy Drake, e apaixonou-se por Sophia Loren.Já envolvida com o produtor italiano Carlo Ponti, ela não o quís,
1965-58 Na ciranda dos casamentos,veio a vez da atriz Dyan Cannon, a número 4, com que teve a filha Jennifer.
Ao divórcio,seguiu-se uma batalha judicial e Cary conseguiu a guarda da menina.
Foi um pai muito dedicado, decidido a oferecer o carinho e dedicação que não recebeu em casa.
Em 1981, Cary casou-se pela 5a e última vez com a atriz Barbara Harris. ********
Cary Grant inspirou o escritor inglês Ian Fleming a criar especialmente para ele o personagem 007.
Convite feito e recusado,Sean Connery pegou o papel.
Foi indicado duas vezes ao Oscar nos anos 40 pelos filmes Serenata Prateada (Penny Serenade, 1941), e "Apenas Um Coração Solitário) (None but the lonely heart, 1944)].
A carreira foi encerrada em 1966, com o filme "Walk, Don't Run" , pois se achava velho para interpretar papéis principais e não desejava se expor em papéis secundários.
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| Estátua em Bristol, cidade natal Lindo até em bronze ! |
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Frank Sinatra entrega o Oscar
https://www.youtube.com/watch?v=R0Zijgn-c9w
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Aos 82 anos,teve uma hemorragia cerebral fulminante quando saía do Teatro Adler, em Davenport, Iowa, onde ensaiava o espetáculo Uma conversa com Cary
Seu corpo,levado para Los Angeles, ali foi cremado.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Vita Sackville-West e Violet Trefusis na Paris dos loucos anos 20
![]() |
| Vita e Violet |
Vita ( de vestido escuro) passeando com o marido (em 1º plano) e amigos- foto de 1913
Victoria Mary Sackville-West,Lady Nicolson (1892-1962), mais conhecida por Vita Sackville-West, poeta, romancista e paisagista inglesa.
O livro "Os anos Loucos", de William Wiser (José Olympio Editora,1991) trata, justamente,do pós guerra 14/18.
A
França, mais exatamente Paris,virou o centro do mundo com a chegada dos
americanos que haviam lutado e sobrevivido e desejavam curtir as
delícias da liberdade e do câmbio favorável do dólar.
Loucuras de Amor em Paris
Revistas literárias, "salões"como o de Gertrude Stein,Sylvia Beach na sua livraria Shakeaspeare & Company,Coco Chanel mudando para sempre o visual das mulheres e a art déco na grande Exposição de 1915. Este era o pano de fundo da alegria de viver ..até a queda da Bolsa em 1929 provocar o êxodo.
Neste cenário se desenvolvia o já florescente romance entre Vita Sackeville-Wesy e Violet Trefusis, que haviam se envolvido antes,ambas casadas.
O relacionamento de Vita e marido era aberto.Violet casada com Denys Trefusis, recém chegado do front.
O marido de Vita, o diplomata Harold Nicolson participava da Conferência de Paz em Versalhes.
Elas atravessaram o canal, da Inglaterra para a França, e circularam apaixonadas pela cidade.
Vita de rosto pintado, usando uma faixa manchada na cabeça, vestida de soldado e assumindo a personalidade de "Julian".
O romance durou cerca de dez anos e deixou como legado uma vasta correspondência.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015
São Sérgio e São Baco
Mártires da Igreja Ortodoxa e patronos das
uniões homossexuais.
No começo do século 4 dC, Sergio de Resapha e Baco de Barbalissus
- considerados erastai ( casal
de amantes ) - viviam em Coele, Síria.
Eram
dois importantes nobres romanos que
desempenhavam altos cargos no exército do imperador Cesar Maximiano.
Sergio de Resapha como primicerius,
uma espécie de comandante em chefe da tropa de elite e Bacco de Barbalissus
como secundarius, seu auxiliar direto.
O grupo que comandavam, composto de bárbaros,
era chamado de Schola Gentilium ( Escola
dos Pagãos).
Acolhimento e tolerância
A
homossexualidade de Sergio e Baco não
representava nenhum problema. A Igreja católica da época não só recebia bem os gays como os unia em
matrimônio.
Este acolhimento da igreja foi
descrito pelo historiador da
Universidade de Yale John Boswell (1947-1994), autor de inúmeros títulos sobre
o assunto, que publicou suas pesquisas sobre os santos no livro “Cristianismo, tolerancia social e
homosexualidade” (Ed. Munchnik).
Duplo Martírio
Convertidos
ao cristianismo, Sergio e Baco foram denunciados pela recusa de participação
nos ritos pagãos.
Era
tamanho o respeito e estima que
Maximiano tinha pelo casal que não acreditou nos informantes. Para testar sua
lealdade ordenou que oferecessem sacrifício no templo de Zeus e Júpiter e,
quando Sergio e Baco assumiram oficialmente sua fé cristã, a punição foi terrível.
Foram torturados tão severamente com chicotadas que Bacco morreu logo.
Sergio sobrevivente da etapa inicial de
atrocidade, teve que suportar
intensos sofrimentos: correu quilômetros com os sapatos forrados com pregos afiados que lhe atravessavam os
pés e, finalmente, foi decapitado..
Ambos foram enterrados nos arredores da cidade de Resapah.
Anos mais tarde, após a canonização, o Imperador Justiniano construiu em honra de Sergio igrejas em Constantinopla e
Acre. A primeira foi transformada em
mesquita e tem em seu interior raros
exemplares da arte bizantina.
Em Roma
Construída no século VII, existe em Roma uma igreja consagrada a Sergio e Baco. Os dois santos são
representados pela arte cristã como soldados com roupas do exército e
empunhando palmas de flores.
Os primeiros martiriológios do cristianismo registram as atrocidades e
Teodoreto, respeitado historiador da época, confirma a veneração.
Na Igreja
ortodoxa
Aos pés do Monte Sinai (1570 m) onde, conta a tradição, Moisés recebeu as
Tábuas da Lei, encontra-se o Mosteiro
Ortodoxo de Santa Catarina, mandado construir pela Imperatriz Helena de
Bizâncio e hoje dirigido por monges ortodoxos.
A origem do mosteiro remonta ao século IV dC, quando anacoretas perseguidos
pelas tribos bárbaras buscavam refúgio nas terras do Sinai. Ali são encontrados
ícones de São Sergio e São Baco representados
lado a lado, segurando, juntos, uma cruz. São venerados na liturgia
bizantina em 7 de outubro.
Em fevereiro de 2000, o Papa João Paulo II visitou o local.
Em fevereiro de 2000, o Papa João Paulo II visitou o local.
Ícones
Os ícones são sinônimo de Arte Sacra
Bizantina e estão em todas as Igrejas Ortodoxas espalhadas pelo mundo.
A palavra ícone vem do grego EIKÓN e significa imagem. No Oriente Cristão
-que não cultua estátuas - é uma imagem
pintada sobre madeira, com uma técnica especial.
O Império Romano do Oriente,também
chamado Império Bizantino era formado pela Península balcânica, Ásia
Menor, Síria, Egito e Cirenaica, com 20 povos de línguas e raízes diversas.
Bizâncio, fundada pelos gregos, tornou-se uma nova Roma e teve um
importantíssimo papel histórico
Os cidadãos que ali adotavam o cristianismo foram perseguidos por
ordem de Diocleciano (284 a 305).
O império romano do ocidente sucumbiu aos bárbaros no séc. VI, mas a parte
oriental sobreviveu até o séc. XV.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015
A revista "The Advocate"
The Advocate,( O advogado, em inglês) é uma revista quinzenal norte-americana,com sede em Los Angeles, sobre temas da comunidade LGBT e a mais antiga publicada no país.
Fundada em 1967,é a única sobrevivente das que apareceram no mercado editorial nos Estados Unidos depois dos enfrentamentos de Stonewall,que são considerados o início do movimento dos direitos LGBT.
O site da revista contém aproximadamente 30% da revista impressa e é atualizado diariamente.
Os arquivos podem ser alcançados, por assinatura, nos bancos de dados EBSCO e InfoTrac
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Aqui está o link da revista para que você se informe sobre tudo que está acontecendo nos EEUU e no mundo envolvendo a comunidade LGBT
http://www.advocate.com/
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domingo, 27 de setembro de 2015
-"A pele de Vênus", de Roman Polanski
Platéia estupefaciada.
Polanski, realmente, não é para principiantes....,
E me autoelogiei em silêncio pela compreensão e captação da mensagem que ele desejou passar.
A vivência de tantos anos ,lidando com pessoas da comunidade LGBT portadoras de problemas e angústias , bem que ajudou.
Todas elas traumatizadas pela inadaptação ao meio em que vivem e ao silêncio em que são obrigadas a se refugiar.
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TEXTO DE INACIO ARAUJO
Crítico de cinema da FOLHA
""Uma atriz entra no teatro onde acaba de terminar uma sessão de testes para a peça "A Pele de Vênus".
Vanda (Emanuelle Seigner) é o seu nome e parece ter todas as qualidades para ser rejeitada: é mal educada, vulgar, ignorante. E, pior, já vai dizendo que a peça, adaptada do romance de Leopold von Sacher Masoch (1836-1895) é pornográfica.
Vanda é insistente. Tanto que o adaptador e diretor Thomas (Mathieu Amalric) não consegue se livrar dela. Ao fim, concede-lhe o direito de ler uma cena.
Então, a surpresa: Thomas percebe que Vanda não é a atriz pornô que ele imaginava. Ela se transfigura. Na pele de Wanda von Dunajev mudam a voz, os gestos, o olhar.
Thomas, boquiaberto, começa a lhe dar as réplicas.
A satisfação do encenador faz com que a comunicação entre os dois se aprofunde. Aturdido, ele percebe que Vanda tem a peça decorada.
A Vênus diante dele não deixa de lembrar Marlene Dietrich (1901-1992). E lembrar Marlene é, imediatamente, evocar um jogo de dominação de que a perversão não está ausente. Afinal, ninguém adapta Masoch impunemente.
De leitor, Thomas converte-se em Séverin, o personagem masculino. Como resistir, afinal, a uma atriz que conhece tão bem o seu papel? E que dá sugestões pertinentes sobre a peça?
Com isso, o jogo está lançado: quem dirige? Thomas ou Wanda? O conflito de poder, algo bem a gosto do diretor Roman Polanski, entra em cena. Mas o homem parece não ter muitas armas. Quando Vanda lhe diz que a peça é sexista, tudo que ele pode articular são alguns lugares comuns sobre a mania de reduzir tudo a um fenômeno social ou psicológico.
Existe ainda a troca constante de papéis, como se os personagens se duplicassem.
As tensões interpessoais e as perversões, também.
E presente está, sobretudo, a atriz Emmanuelle Seigner. Porque este é filme feito por Polanski para Seigner.
Ela é Vanda, Wanda, Marlene Dietrich: é teatro e cinema se fazendo diante de um Mathieu Amalric que parece tão desconcertado quanto Thomas diante de sua Vênus."
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