quinta-feira, 21 de abril de 2016
O príncipe gay da índia
Manvendra Singh Gohli nasceu em 23 de setembro de 1965, em Ajmer.
É príncipe coroado da antiga família real de Rajpipla, perdeu o título e foi deserdado pelos pais após sair do armário ,aos 27 anos.
Única pessoa da linhagem moderna da Índia que assumiu sua orientação sexual homo.
Casou-se aos 15 anos por imposição familiar e se separou ao tornar pública sua condição.
Em recente cerimônia em honra a seu bisavô Maharaja Vijaysinhj,anunciou que deseja adotar uma criança para dar continuidade às tradições.
Caso isso se concretize,será o primeiro caso conhecido de um gay que adota uma criança no país.É um processo de fácil tramitação lá e não há problema se o pai adotivo não for hétero.
Em 2009,esteve no Brasil para participar da Parada do Orgulho Gay em São Paulo.
Além de sua luta pelos direitos LGBT e no combate à AIDS, é proprietário de uma fazenda orgânica e luta contra o uso dos pesticidas.
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segunda-feira, 11 de abril de 2016
Bruce Springsteen cancela show em solidariedade à comunidade LGBT
Bruce Springsteen,ativista dos Direitos Humanos, cancelou show que faria ontem,dia 10 de abril,na cidade de Greensboro,Carolina do Norte-EEUU,informava um comunicado publicado na sexta feira, dia 8.
O cancelamento se deveu `a aprovação de "uma lei que ataca os direitos dos cidadãos LGBT".Os ingressos foram devolvidos.
Bruce Frederick Joseph Springsteen,cantor,compositor,violonista e guiutarrista, nasceu em Long Branch,New Jersey, no dia 23 de setembro de 1949.
Na carreira, oficialmente,desde 1969, recebeu vinte Grammys, quatro American Music Awards e um Oscar. É casado com Patti Scialfa desde 1991 e,antes, foi casado com Julianne Phillips
Pai de Jessica Rae,Evan James e Samy Ryan.
Considerado um "porta-voz dos trabalhadores",já vendeu mais de 120 milhões de discos. O álbum Born to Run é considerado um dos 200 álbuns definitivos do Rock no Rock and Roll Hall of Fame.
Bruce participou do evento "We are the World" música de autoria de Michael Jackson e Lionel Richie em parceria de 45 cantores com objetivo de arrecadar fundos para o combate da fome na África.
Em 2013, foi uma das grandes atrações no Rock'n Rio.
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O comunicado:
"Como vocês sabem, meus fãs, estamos programados para um show em Greensboro, Carolina do Norte neste domingo. Como também sabemos, a Carolina do Norte passou a lei HB2, que os meios de comunicação estão se referindo a como a "lei do banheiro", para os transgêneros
. Tão importante quanto isso, a lei também ataca os direitos dos cidadãos LGBT nos locais de trabalho,onde os direitos humanos são violados .
Nenhum outro grupo na Carolina do Norte enfrenta este fardo.
A meu ver, é uma tentativa de pessoas que não suportam o progresso do país têm feito no reconhecimento dos direitos humanos de todos os nossos cidadãos para derrubar esse progresso. Neste momento, existem muitos grupos, empresas e indivíduos na Carolina do Norte que trabalham para se opor e superar estes desenvolvimentos negativos.
Levando tudo isso em consideração, eu sinto que este é um tempo para mim e para a banda para mostrar a solidariedade para os combatentes da liberdade.
Como resultado, e com mais profundas desculpas aos nossos dedicados fãs em Greensboro, nós cancelamos nossa show marcado para domingo, 10 de abril.
Algumas coisas são mais importantes do que um show de rock e essa luta contra o preconceito e a intolerância - o que está acontecendo enquanto escrevo - é uma delas.
É o meio mais forte que tenho para levantar a voz em oposição àqueles que continuam a empurrar-nos para trás em vez de para a frente."
20 minutos do show de Bruce no Rock'n Rio 2013,começando por linda homenagem a Raul Seixas.
https://www.youtube.com/watch?v=THKMM4X_Wp0
***
Ouça, veja,recorde e se emocione,leitor:Bruce aparece duas vezes solando
USA for Africa - We are the World
https://www.youtube.com/watch?v=M9BNoNFKCBIsábado, 26 de março de 2016
Japão: As primeiras gueixas eram homens
Foi nos meados do século XVIII que as primeiras 'artistas dos quartos de
prazer,' chamadas de gueixas, apareceram.
As primeiríssimas gueixas,na verdade muito mais antigas, eram homens,os Taikomochi que surgiram no século XIII.entretendo os clientes que esperavam para ver as oiran, as cortesãs mais dadivosas e divertidas.
Esses homens se prestavam a qualquer serviço,de bobo da corte,artistas, contadores de histórias, conselheiros a soldados nas batalhas,fazendo tudo que seus mestres ,ops, seus senhores feudais mandavam
.
Quando terminaram as guerras e as oirans/prostitutas mudaram de ramo e viraram gueixas femininas, os taikomochis viram seu papel desaparecer.
Alguns foram trabalhar em bordéis como oirans.Hoje seriam chamados de “garotos de programa”. Mas eram versados em arte e moda,dançarinos,músicos,poetas e calígrafos e seus clientes recebiam mais que sexo,se assim desejassem.
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Matéria publicada no site Japão em Foco
"Em Tóquio vive provavelmente um dos últimos remanescentes de um Taikomochi: Eitaro, de 26 anos faz apresentações de dança para os clientes em uma festa em um barco de festa flutuante sobre o rio Sumida, em Tóquio e segue os passos de sua mãe, que faleceu há alguns anos, vítima de um câncer.
Ele mora em um “Okiya” (casa de gueixas) no distrito do Porto Omori de Tóquio, onde supervisiona outros seis artistas gueixa, incluindo sua irmã Maika.
Sua mãe, sempre se dedicou para reviver a cultura geisha local e Eitaro começou a aprender danças tradicionais femininos quando tinha apenas oito anos.
Aos 10 anos, ele já dançava com sua mãe em apresentações e aos onze anos ele se apresentou pela primeira vez no Teatro Nacional Japonês. O Porto Omori era uma área da cultura geisha florescente no início do século 20.
Mas durante a bolha econômica dos anos 80, muitos “Okiya” (casas tradicionais de gueixas) fecharam e a maioria das propriedades foram entregues aos desenvolvedores de terra.
Eitaro está tentando cumprir sua missão, que é tornar a cultura gueixa tradicional cada vez mais conhecida nesses tempos modernos."
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As primeiríssimas gueixas,na verdade muito mais antigas, eram homens,os Taikomochi que surgiram no século XIII.entretendo os clientes que esperavam para ver as oiran, as cortesãs mais dadivosas e divertidas.
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| Um Taikomochi |
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Quando terminaram as guerras e as oirans/prostitutas mudaram de ramo e viraram gueixas femininas, os taikomochis viram seu papel desaparecer.
Alguns foram trabalhar em bordéis como oirans.Hoje seriam chamados de “garotos de programa”. Mas eram versados em arte e moda,dançarinos,músicos,poetas e calígrafos e seus clientes recebiam mais que sexo,se assim desejassem.
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Matéria publicada no site Japão em Foco
"Os Homens gueixa nos tempos atuais"
"Em Tóquio vive provavelmente um dos últimos remanescentes de um Taikomochi: Eitaro, de 26 anos faz apresentações de dança para os clientes em uma festa em um barco de festa flutuante sobre o rio Sumida, em Tóquio e segue os passos de sua mãe, que faleceu há alguns anos, vítima de um câncer.
Ele mora em um “Okiya” (casa de gueixas) no distrito do Porto Omori de Tóquio, onde supervisiona outros seis artistas gueixa, incluindo sua irmã Maika.
Sua mãe, sempre se dedicou para reviver a cultura geisha local e Eitaro começou a aprender danças tradicionais femininos quando tinha apenas oito anos.
Mas durante a bolha econômica dos anos 80, muitos “Okiya” (casas tradicionais de gueixas) fecharam e a maioria das propriedades foram entregues aos desenvolvedores de terra.
Eitaro está tentando cumprir sua missão, que é tornar a cultura gueixa tradicional cada vez mais conhecida nesses tempos modernos."
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Toulouse Lautrec- Moulin Rouge- La Goulue -2
O Moulin Rouge
(Moinho Vermeho, em português)
O Moulin Rouge está no bairro parisiense de Montmartre desde 1889 .
O as pás do moinho do cabaré mais famoso do mundo nunca param de girar e testemunharam,durante e depois
da Belle Époque,o desfile das grandes atrações em seu palco o: La Goulue, musa de Toulouse-Lautrec, em seguida, Jane Avril,Colette, "Mistinguett, Edith Piaf, Ella Fitzgerald, Liza Minnelli e muitos outros.
Vídeo de divulgação do espetáculo "Féerie" ,apresentando -no final- o can-can
https://www.youtube.com/watch?
***********
História
Aberto em 1889 por Charles Zidler e Joseph Oller, este último também criador do Olympia.
A idéia era oferecer um lugar para que todas as classes sociais de Montmartre desfrutassem suas atrações.
Com arquitetura logo reconhecível, se tornou um símbolo de Paris e foi o primeiro edifício a utilizar luz elétrica na capital da França.
Um elefante, recuperado da Exposição Mundial, foi instalado nos jardins.Já nos primeiros anos Toulouse Lautrec imortalizou o lugar através de muitas pinturas. Ali dançaram "La Goulue", "La Mome Fromage" ou "Jane Avril",nomes ainda lembrados nas ruas de Montmartre hoje.
Reformado em 1903, transformou-se em "Templo de Opereta".
Mistinguett,cantora e atriz, ali trabalhou até
1929.
Destruída por um incêndio em 1915, a casa de espetáculos foi reconstruída em 1921.
Convertida em night club na década de 30, tornou-se uma sala de concertos.
Comprado em 1951 por George França, o Moulin Rouge recuperou o espírito original. .
A ainda atual fórmula jantar- show é da década de 60, quando o diretor Jacki Clerico reviveu o espírito Cancan
************************
a seguir >
minibiografia de "La Goulue" ,musa de Toulouse Lautrec e dançarina do Moulin Rouge
(Moinho Vermeho, em português)
O Moulin Rouge está no bairro parisiense de Montmartre desde 1889 .
O as pás do moinho do cabaré mais famoso do mundo nunca param de girar e testemunharam,durante e depois
da Belle Époque,o desfile das grandes atrações em seu palco o: La Goulue, musa de Toulouse-Lautrec, em seguida, Jane Avril,Colette, "Mistinguett, Edith Piaf, Ella Fitzgerald, Liza Minnelli e muitos outros.
Vídeo de divulgação do espetáculo "Féerie" ,apresentando -no final- o can-can
https://www.youtube.com/watch?
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História
Aberto em 1889 por Charles Zidler e Joseph Oller, este último também criador do Olympia.
A idéia era oferecer um lugar para que todas as classes sociais de Montmartre desfrutassem suas atrações.
Com arquitetura logo reconhecível, se tornou um símbolo de Paris e foi o primeiro edifício a utilizar luz elétrica na capital da França.
Um elefante, recuperado da Exposição Mundial, foi instalado nos jardins.Já nos primeiros anos Toulouse Lautrec imortalizou o lugar através de muitas pinturas. Ali dançaram "La Goulue", "La Mome Fromage" ou "Jane Avril",nomes ainda lembrados nas ruas de Montmartre hoje.
Reformado em 1903, transformou-se em "Templo de Opereta".
Mistinguett,cantora e atriz, ali trabalhou até
1929.
Destruída por um incêndio em 1915, a casa de espetáculos foi reconstruída em 1921.
Convertida em night club na década de 30, tornou-se uma sala de concertos.
Comprado em 1951 por George França, o Moulin Rouge recuperou o espírito original. .
A ainda atual fórmula jantar- show é da década de 60, quando o diretor Jacki Clerico reviveu o espírito Cancan
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a seguir >
minibiografia de "La Goulue" ,musa de Toulouse Lautrec e dançarina do Moulin Rouge
quarta-feira, 9 de março de 2016
Estação Plural -PRIMEIRO PROGRAMA LGBT NA TV ABERTA
Texto de Sayonara Moreno – Correspondente da Agência Brasil
O público soteropolitano, incluindo entidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), assistiu na noite dessa quinta-feira (3), e em primeira mão, o episódio de estreia do novo programa da TV Brasil, Estação Plural. No Teatro SESI, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o público estava animado e cheio de expectativas.
Antes da exibição, o diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Flávio Gonçalves, destacou a importância da representação da comunidade LGBT na TV aberta, pois o Irdeb exibirá o programa, na Bahia, por meio da TV Educadora (TVE). “O Estação Plural é feito com dinheiro público, proveniente do imposto dos cidadãos.
As pessoas LGBT também pagam impostos e têm o direito de se verem e se sentirem representadas nos meios de comunicação. Também devem participar diretamente de um diálogo constante com a produção do programa para opinar sobre o que pode ser melhorado”, disse Gonçalves.
Durante uma hora, os espectadores ficaram atentos ao talk show, apresentado pelas cantoras Ellen Oléria e Mel Gonçalves (Banda Uó) e pelo jornalista pernambucano Fefito. O primeiro convidado a ser entrevistado pelo trio foi o médico infectologista Drauzio Varella, que trouxe o olhar da ciência sobre o estudo biológico da sexualidade e da identidade de gênero. Varela também debateu sobre outros assuntos.
Enquanto apresentadores, convidado e espectadores riam sobre as “mentirinhas contadas no primeiro encontro”, a homofobia foi tratada como assunto sério e condenada, inclusive pelo médico convidado. “Homofobia é fruto básico da ignorância. Como podemos ter controle sobre o desejo das pessoas?”, contestou Drauzio Varella.
A primeiro atração LGBT da televisão aberta brasileira é apresentada, também, por pessoas que se identificam com esse universo. Ellen Oléria é negra e lésbica, Fefito é gay e Mel Gonçalves é mulher transexual. Com isso, o espaço de fala dessas pessoas dá abertura para que possam falar do que vivem, no dia a dia, para os LBGTs e ao público, em geral.
Saiba Mais
Opiniões do público
Após a exibição do primeiro Estação Plural para o público baiano, foi a vez de representantes de entidades e pessoas da comunidade falarem sobre suas primeiras impressões. “Fiquei muito feliz com o programa, porque é divertido e sério, ao mesmo tempo, mostrando a nossa pluralidade. Vai fazer sucesso e espero que dure muitos anos”, disse Millena Passos, transexual, integrante da Rede Trans e coordenadora do Grupo Gay da Bahia.
O psicólogo e integrante do Coletivo Entidades Negras, Gabriel Teixeira, elogiou a diversidade entre os apresentadores, apesar de ter sentido falta de algum representante bissexual. “Foi apenas o primeiro, não podemos esgotar todas as possibilidades em um só episódio. Parabenizo a TV [Brasil] pela iniciativa, por trazer três modelos de vida tão diversos. Admirei a postura de respeito e humildade de Dráuzio Varela e gostaria que toda a sociedade fosse assim. Vida longa ao programa!”.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
A estrada de tijolos amarelos e o Mágico de Oz -Direto do site "CINEMA SECRETO : CINEGNOSE"
As raízes ocultas do filme "O Mágico de Oz"
sábado, maio 18, 2013
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Por que o filme “O Mágico de Oz” (The Wizard of Oz, 1939) teve um impacto tão duradouro na cultura e
comportamento (da música, passando pela moda até chegar no movimento GLBT) após
diversas gerações de crianças e adultos? A imagem de Dorothy com seus amigos em
uma estrada de tijolos amarelos tornou-se uma complexa associação de simbolismos.
Muito do impacto desse filme estaria nas raízes no Ocultismo no livro escrito
por Frank Baum “The Wonderful Wizard of Oz” há mais de cem anos. Baum era um
reconhecido membro da Sociedade Teosófica de Madame Blavatski e um profundo
conhecedor das escolas herméticas e esotéricas.
Ao longo dos anos o filme “O
Mágico de Oz” de 1939 transcendeu sua condição de produto cinematográfico para
se firmar como um poderoso arquétipo cultural de pelo menos três gerações de crianças
e adultos. Lançado simultaneamente com o filme “E o Vento Levou” (“Gone With
Wind”), foram consideradas na época duas grandes produções hollywoodianas: a
primeira voltada para crianças e a segunda para adultos. Mas a imagem de
Dorothy e seus amigos (o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão) caminhando em
uma estrada de tijolos amarelos tornou-se muito mais complexa em associações e
simbolismos do que o romantismo de “E o Vento Levou”.
Há algo de oculto e misterioso
em um livro infantil escrito há mais de 100 anos, que resultou na adaptação
cinematográfica definitiva em 1939 e que criou um impacto ao longo das décadas
em todos os setores da cultura, moda e comportamento. Linhas de diálogo do
filme como “Estou derretendo! Estou derretendo!”, “Nunca mais voltaremos para
Kansas” aparecem em variados filmes e gêneros como “O Campo dos Sonhos”,
“Avatar”, “Matrix” e “Depois de Horas” de Scorsese onde um personagem gritava
outra linha de diálogo (“Renda-se Dorothy”) toda vez que tinha um orgasmo.
Elton John com o disco e o hit
“Goodbye Yellow Brick Road” de 1971, os sapatos mágicos de cristal de Dorothy
em uma óbvia referência para a moda Disco dos anos 1970 e o fato de Judy
Garland ter se tornado um ícone gay em um filme repleto de simbolismos para o movimento
GLBT. O enigmático filme de ficção científica “Zardoz” de John Boorman cujo
título é uma contração dos termos “Wizard” e “Oz”. Isso sem falar na mãe de
todos os boatos e teorias conspiratórias sobre o filme: a suposta sincronia
entre o disco do Pink Floyd “The Dark Side of the Moon” de 1973 e o timing da
edição do filme “O Mágico de Oz”.
O caso do filme “O Mágico de Oz”
parece ser mais um exemplo de um
Vamos refrescar um pouco a
memória sobre o plot do filme. “O Mágico de Oz” acompanha a trajetória de uma
menina de doze anos, Dorothy Gale, que vive com a sua família em uma fazenda no
Kansas, mas sonha com um lugar melhor “Somewhere Over the Rainbow”. Após ter
sido golpeda na cabeça e perder os sentidos no momento em que um tornado levanta
sua casa para o céu, ela e seu cão Toto acordam na terra mágica de Oz. Lá a
Bruxa Boa do Norte aconselha Dorothy a seguir a estrada de tijolos amarelos
para encontrar a Cidade de Esmeralda onde habita o Mágico de Oz que lhe ajudará
a retornar a Kansas. No caminho encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão
que se reúnem na esperança de conseguirem o que acha que lhes falta –
respectivamente um cérebro, um coração e coragem. Tudo isso enfrentando a Bruxa
Má do Oeste que quer os sapatos de cristal mágicos de Dorothy dados pela Bruxa
Boa.
Como um bom teosófico, Frank
Baum certamente baseou o argumento dessa busca dos personagens em uma frase
Madame Blavatski: “não há perigo que a intrépida coragem não consiga
conquistar, não há prova que a pureza imaculada não consiga passar, não há
dificuldade que um forte intelecto não consiga superar”. Intelecto, pureza de
sentimentos e coragem, três elementos que comporiam a nossa “centelha” interior
que nos conecta à Plenitude. E a busca dessa descoberta interior inicia em uma
jornada espiritual representada pela estrada de tijolos amarelos.
A Espiral: o início do caminho espiritual
É interessante notar que a
estrada começa com uma espiral em expansão, da mesma forma como o tornado
conduziu Dorothy a um mundo mágico. No simbolismo oculto a espiral representa a
auto-evolução, a alma ascendente, da matéria ao mundo espiritual. Além disso, a
espiral partilha de uma complexa
simbologia do eixo e da verticalidade. Enquanto forma ela enquadra-se
perfeitamente no tema da identidade. Por ser uma forma logarítmica, isto é, por
crescer de modo terminal sem modificar a forma total constitui-se no ícone da
temporalidade, da permanência, do ser através das mudanças.
Os protagonistas vão encontrar muitos perigos e mudanças na estrada, mas
devem descobrir aquilo que lhes é eterno e imutável: coração, inteligência e
coragem.
Além disso, a alegoria da “estrada de tijolos amarelos” é uma evidente
associação com o termo do Budismo (importante componente dos ensinamentos
teosóficos) “Caminho Dourado” como a jornada da alma para a iluminação.
O Mágico/Deus é uma farsa
Assim como no filme “Matrix”
onde Neo se decepciona com o aspecto do Oráculo (uma simples dona de casa
fazendo biscoitos no fogão) que vai determinar se ele é de fato o Escolhido, da
mesma forma em “O Mágico de Oz” o Mágico é desmascarado por Dorothy que
descobre ser tudo uma farsa cercado de artifícios e efeitos especiais. Mas, apesar
disso, desempenham papeis centrais na jornada espiritual do protagonista.
Em “Matrix” fica evidente que o
Oráculo não possuía o dom da profecia, mas trabalha com uma espécie de
psicologia reversa: ao dizer para Neo que ele não era o Escolhido sabia que ele
faria de tudo para lutar contra esse destino, tornado-se o Salvador que todos
esperavam. Com isso o Oráculo inseria o acaso e o livre-arbírio na
previsibilidade dos códigos da Matrix.
![]() |
| Os dois eixos que estruturam a narrativa de "O Mágico de Oz": eixo espiritual versus eixo material das religiões tradicionais |
Em “O Mágico de Oz” todos vão em
busca do Mágico (Deus?) para conseguir alguma coisa: voltar para casa, coragem,
coração e inteligência. É nessa jornada que descobrirão que tudo isso já está
dentro deles. No combate contra a Bruxa Malvada do Oeste demonstrarão todas
essas qualidades. Então, quem precisa do Mágico?
A sequência em que Dorothy abre
a cortina e encontra quem realmente é o Mágico de Oz (um homem cruel, rude e
inseguro que, como um Demiurgo, manipula um sistema que projeta a imagem de um
Deus ameaçador em meio a trovões e jatos de fogo) é repleta de significados
teosóficos e, principalmente, gnósticos.
Oz corresponde ao Deus das
religiões convencionais para manter as massas na escuridão espiritual. Um
charlatão que criou dispositivos para assustar as pessoas e fazê-las adorá-lo.
Oz certamente seria incapaz de ajudar os protagonistas na sua missão. Na
literatura das escolas de mistérios esse é o ponto de vista em relação ao deus
pessoal dos cristãos e judeus. E depois de tudo isso, o cérebro, o coração e a
coragem foram encontrados em cada um dos protagonistas: as escolas de mistérios
ensinam que se deve confiar em si mesmo para se obter a salvação.
E essa voz intuitiva interior de
Dorothy é justamente o cãozinho Toto que, ao longo do filme, sempe está certo
em seus latidos de advertência a Dorothy. É ele que, com seus latidos, denuncia
alguém atrás da cortina controlando os efeitos especiais do charlatão Oz.
E é Toto que ao final late e
pula fora do cesto do balão em que Dorothy viajaria com o mágico Oz para retornar a
Kansas. É a transformação final e a gnose de Dorothy para a descoberta dos seus
poderes internos. O passeio de balão seria a viagem de volta representativa das
religiões tradicionais, enquanto fora dele Dorothy encontra a magia e a
revelação final da Bruxa Boa do Norte: ela teve que derrotar as bruxas malvadas
do Oriente (Leste) e Ocidente (Oeste) – o eixo horizontal do mundo material e
das religiões. Ela soube ouvir o eixo vertical (as bruxas boas do Norte e do
Sul), a dimensão espiritual.
![]() |
| Dorothy descobre a farsa de Oz por trás da cortina: Deus é um Demiurgo que impõe a adoração por meio do medo |
E Dorothy consegue a gnose final
ao afirmar com convicção para Tia Ema: “Não há lugar melhor do que em nosso lar”,
ou seja, tudo que precisamos já está dentro de nós mesmos. Foi necessária toda
uma jornada em busca da ilusão do Mágico/Deus/Demiurgo Oz para criar o
desencanto e a transformação final dentro de si mesma.
Princípio da Correspondência
Também fica evidente em “O
Mágico de Oz” o Princípio da Correspondência da Filosofia Hermética, presentes
na Antiguidade tanto na Astronomia como na Alquimia: “O que está em cima é como
está em baixo, e o que está em baixo é como está em cima”. Embora as sequências
de Kansas e do reino de Oz sejam visualmente opostas (preto e branco versus
colorido), são mundo espelhados e invertidos com os mesmos atores fazendo
personagens diferentes, mas que, de certa forma, têm uma correspondência
espiritual.
O trio de trabalhadores da
fazenda de Dorothy formará, mais tarde, o trio de companheiros de jornada da protagonista;
e a megera Sra. Gulch será a Bruxa Malvada do Oeste. Gulch na vida real quer
retirar Toto (o simbolismo da intuição que levará à iluminação espiritual) dos
braços de Doroth para matá-lo, enquanto no mundo de Oz a bruxa quer roubar os
sapatos mágicos de Cristal.
Oz é o Plano Astral da
humanidade onde estão expressos de forma arquetípica os conflitos e batalhas no
mundo físico. Os conflitos e buscas do Homem de Lata, do Leão e do Espantalho correspondem
aos mesmos dilemas e personalidades mostradas nas primeiras cenas do trio de
trabalhadores nos afazeres do dia-a-dia da fazenda.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Rio Sem Homofobia suspende serviços e demite:religião x assuntos de Estado
Programa é ligado à secretaria comandada por pastor evangélico
Matéria de Rafael Galdo para "O GLOBO"
16/02/2016 5:00 / Atualizada 16/02/2016 5:00
A fachada da sede do programa Rio Sem Homofobia, na Central do Brasil: no letreiro, o número do telefone do Disque Cidadania LGBT está desativado - Antonio Scorza / Agência O Globo
O letreiro do Rio Sem Homofobia e as cores do arco-íris continuavam na fachada do prédio da Central do Brasil. Mas, ao chegar ao sétimo andar do edifício, onde funciona a sede do programa estadual, um empresário de 36 anos encontrou a realidade de uma política jogada para escanteio, sem a visibilidade que já teve um dia. Expulso de um táxi durante o carnaval, após outro rapaz botar a cabeça em seu ombro para descansar, ao tentar denunciar o caso ele se deparou com um longo corredor desocupado, com apenas um gabinete aberto no fim de uma sequência de salas trancadas.
O motivo desse vazio tem a ver com uma polêmica e com a crise financeira do estado. Dois meses depois de o pastor Ezequiel Teixeira, do Partido da Mulher Brasileira (PMB), assumir a Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, o Rio Sem Homofobia, ligado à pasta, foi desmantelado. No começo de janeiro, mais de 60 funcionários do programa já tinham sido demitidos. Agora, os principais serviços foram suspensos. Sem pessoal, os quatro centros de Cidadania LGBT que prestavam atendimento psicológico, jurídico e social no estado (um deles no prédio da Central) fecharam as portas. E o Disque Cidadania LGBT (canal por telefone para denúncias de agressão, por exemplo) parou de funcionar.
— Primeiro, tentei contato pelo 0800, mas ninguém atendia. Depois, pelo site do programa. Com a ajuda de uma equipe de TV, funcionários do Rio Sem Homofobia chegaram até mim. Fui atendido com muito profissionalismo e solidariedade. Mas, ao me deparar com as salas do centro trancadas, fiquei imaginando quantas pessoas poderiam não estar tendo a ajuda adequada — afirmou o empresário, que foi recebido pelo próprio coordenador do Rio Sem Homofobia, Claudio Nascimento, e por um advogado que trabalhava voluntariamente.
Contrato não foi renovado
Críticas de ativistas
Contrato não foi renovado
Carlos Nascimento, coordenador do Rio Sem Homofobia. “O secretário (Ezequiel Teixeira) já se manifestou a favor da cura gay e se posiciona contra a adoção de crianças por casais homossexuais. O programa e eu representamos tudo ao contrário do que ele defende” - Guilherme Pinto / Agência O Globo
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A secretaria alega a crise no estado para explicar a paralisação dos serviços. Mas Nascimento afirma que nem o contingenciamento na pasta, de cerca de 30% dos recursos, justificaria a situação. Ano passado, diz ele, o Rio Sem Homofobia tinha 78 profissionais terceirizados e sete cargos nomeados. Os terceirizados, no entanto, não receberam os salários de setembro a dezembro, nem o 13º. E, desde o início de janeiro, não foi renovado um convênio com a Uerj, pelo qual eram feitos os pagamentos.
— Eu não tinha mais capacidade moral para pedir a permanência dos profissionais, pois não tínhamos sequer um calendário de previsão de pagamento. Mês passado, cerca de 20 pessoas se ofereceram para trabalhar nos centros de cidadania, e conseguimos manter o atendimento de casos de emergência. Agora, em fevereiro, esse número caiu para sete, oito pessoas — contou Nascimento. — Diante da crise, poderíamos entender até uma redução deles, mas não essa interrupção. Isso gera um prejuízo enorme. Não há razão para uma política LGBT existir se ela não está atendendo às demandas da população.
Nascimento lembra que o primeiro centro de cidadania (o da Central do Brasil) e o Disque Cidadania LGBT foram criados em julho de 2010 para acompanhar a investigação de crimes motivados por homofobia. Desde então, foram mais de 23 mil atendimentos por telefone, e cerca de 25 mil pessoas procuraram os quatro centros existentes (além do Rio, há postos em Duque de Caxias, Niterói e Friburgo). Os números não garantiram a manutenção dos serviços.
Por enquanto, Nascimento diz não ser possível associar a interrupção às convicções religiosas do secretário — ligado ao Projeto Nova Vida e que, ano passado, enquanto deputado federal, se posicionou contra ações do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos LGBTTT, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Nascimento afirma até ter solicitado ao governador Luiz Fernando Pezão a mudança do programa para outra secretaria do estado, segundo ele, por incompatibilidade política e ideológica entre o pastor Ezequiel e os objetivos do Rio Sem Homofobia.
— Nossa área é mais vulnerável diante de uma relação como essa. Mesmo se houver a renovação do contrato com a Uerj e a continuidade do programa, teremos, sim, do ponto de vista conceitual e estratégico, uma impossibilidade de trabalhar juntos. O secretário já se manifestou a favor da cura gay e se posiciona contra a adoção de crianças por casais homossexuais. O programa e eu representamos tudo ao contrário do que ele defende — diz Nascimento, lembrando que a cada dia um homossexual é assassinado no Brasil. — A continuidade desses serviços não é uma questão de luxo ou vaidade. É uma necessidade para garantir direitos básicos para as pessoas.
Apesar de a reportagem ter feito pedidos de entrevista com o pastor Ezequiel, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos se manifestou apenas por nota. No texto, afirmou que “todos os esforços são para que a situação seja normalizada o mais breve possível”. Além disso, a assessoria de imprensa do órgão informou que outros dois serviços foram paralisados devido aos cortes: o da Casa de Direitos e o da Casa da Mulher de Manguinhos. O GLOBO já mostrou nos últimos meses que os atrasos dos repasses da secretaria provocam o temor de fechamento de outros três centros de atendimento à mulher, ligados à Subsecretaria de Políticas para as Mulheres. A crise também levou a mudanças no cardápio de restaurantes populares, onde refeições com carne viraram raridade.
No Rio Sem Homofobia, foi paralisado também um projeto de formação de policiais militares para que eles lidassem melhor com casos envolvendo a população LGBT. O último curso seria para mil PMs. Cerca de 500 policiais da Região dos Lagos se formaram. Mas as turmas de dezembro e janeiro tiveram de ser canceladas.
Nesse quadro, o orçamento para a Assistência Social em 2015 era de cerca de R$ 625 milhões. Desse valor, o Rio Sem Homofobia ficaria com R$ 2,4 milhões (pouco menos de 0,4% do total da secretaria). Mas o programa, segundo Nascimento, não recebeu nem o que estava previsto.
Embora já tivesse uma estrutura enxuta, o coordenador do trabalho lembra que, nos últimos anos, o Rio Sem Homofobia serviu de inspiração para projetos parecidos em cidades de outros estados do país. Ganhou também reconhecimento internacional, como o certificado de boas práticas em políticas públicas para LGBT, concedido pela União Europeia.
Críticas de ativistas
A interrupção dos serviços gerou críticas de ativistas ligados às causas LGBT. Houve quem lembrasse que, no Rio, estão sendo repetidas as polêmicas geradas em Brasília, quando o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi nomeado presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Presidente do Grupo Arco-Íris, Almir França lembrou que, no Rio, o modelo de atendimento do Rio Sem Homofobia serviu de base para programas como o Brasil Sem Homofobia. E, além de prestar apoio a vítimas de agressões física e verbal, por exemplo, representou um avanço ao acolher pessoas com HIV.
— Concretamente, era a única política pública efetiva que tínhamos no estado. É um retrocesso grande no que vem sendo trabalhado nas últimas duas décadas no estado. Isso nos leva a ter que voltar a um processo de ir às ruas de novo, não só para reivindicar, mas para pensar em novas soluções. Não dá para admitir movimentos fundamentalistas nos poderes estadual e federal. A gente entende que existe uma crise econômica.
Coordenador especial da Diversidade Sexual do município, Carlos Tufvesson também lamenta a situação do programa estadual.
— É grave a situação como um todo, mas especialmente para as cidades do estado que não têm um serviço de atendimento ao público LGBT. O fechamento desse serviço interrompe o contato direto de quem faz as políticas públicas com o cidadão fluminense. Esse contato é importante como termômetro, para verificação de ações que precisam ser desenvolvidas pelo estado — diz ele.
Para a historiadora e ativista Rita Colaço, a nomeação do pastor para a secretaria é o resultado de negociações políticas. Ela condena o fato de um político com posições tão marcadas assumir a pasta de direitos humanos:
— É catastrófico. Nesse caso, o estado laico se torna uma falácia, em nome de um arranjo político. Infelizmente, os homossexuais continuam sendo uma moeda de troca. Não venha dizer que é falta de dinheiro. Não é. Não tem dinheiro, mas empresta para empresas privadas cobrirem dívidas? E ainda mistura religião com assuntos de estado, inviabilizando uma das poucas políticas públicas para contornar a ausência de leis que garantam os direitos dos homossexuais"
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