quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ada "Bricktop"Smith




O gênio de Woody Allen conseguiu transformar em meros figurantes de seu   "Meia Noite em Paris" alguns nomes fundamentais da arte e da cultura que estavam 
 baseados na Cidade Luz nos mágicos anos 20,como Ada Smith, a Bricktop





Ada “Bricktop” Smith

Ao começar este texto sobre Bricktop (Ada Beatrice Queen Victoria Louise Virginia Smith)  - certamente levada pelo meu inconsciente - caiu a ficha: ela é a versão franco-americana da Tia Zulmira. Personagem de Stanislaw Ponte Preta, codinome do jornalista, crítico musical e expert em jazz  Sergio Porto (1923-1968).
Tia Zulmira era demais: filósofa atemporal de humor ferino e picante, contava, modestamente, que havia ensinado psicanálise a Freud, teoria da relatividade a Einstein, música a Chopin, etc.

Terminada a guerra de 1914/18, muitos ‘inferninhos” de negros animavam Montmartre e eram frequentados por americanos desencantados e milionários  que faziam História.
Assim também Bricktop - (“Cabeça de tijolo”, negra retinta com os cabelos pintados de vermelho), dançarina, cantora, proprietária do nightclub  Chez Bricktop“em Paris, de 1924 a 1961 (a financiadora dessa empreitada foi a figurinista Elsa Schiaparelli) - foi classificada como “uma das mais legendárias figuras e importante formadora de opinião da história cultural americana no século 20”. Em seu alentado currículo amoroso está o nome de Josephine Baker, entre outras e outros.
Frank Sinatra declarou que, com ela, aprendeu a fazer sua perfeita divisão de sílabas nas canções, o  que facilitava o entendimento de qualquer ouvinte, em qualquer região do mundo.

“Cabeça de tijolo“ prospera

Nascida em West Virginia (14 de agosto de 1894), mais nova de 4 filhos, quando da morte do pai, precisou começar a trabalhar muito cedo. Aos 16 anos e já famosa participante das turnês TOBA (uma associação de proprietários de teatro) e do vaudeville, Ada Smith passou a ser conhecida pelo apelido.
Aos vinte anos, a fama  levou-a à Nova York .
Quando trabalhava na  Barron's Exclusive Club, uma casa noturna no Harlem, recomendou ao proprietário um rapaz, compositor de jazz e  pianista que ela achava talentoso, chamado  Duke Ellington(1899- 1974). 
Já em Paris, ensinou a um outro compositor chamado Cole Porter o “charleston”, então a dança da moda. 
Porter, morador da Cidade Luz, encantado, dedicou -se  a divulgar a nova dança transgressora  em ”deliciosas festas”  no The Music Box, no Le Grand Duc e, depois, no"Chez Bricktop”, clubes que a moça dirigiu com grande competência,
Bricktop  trabalhou para o governo francês nas emissões radiofônicas durante a segunda guerra mundial e saiu de Paris nessa época, deixando saudosos o Duque e Duquesa de Windsor e F. Scott Fitzgerald, que ambientou no Chez Bricktop seu conto Babylon Revisited (1931).
(Fitzgerald escreveu que seu maior trunfo na vida foi ter descoberto Bricktop antes de Cole Porter.)
Teve um doce caso de amor com uma dançarina iniciante, Josephine Baker, contado por um dos filhos da própria, Jean Claude Baker, em seu livro .Josephine: The Hungry Heart


A canção de Cole Porter


"Miss Otis Regrets” foi escrita especialmente para ela, também a inspiradora de   Django Reinhardt e Stephane Grappelli numa canção chamada, adivinhem...."Brick Top".
Nossa biografada foi citada, elogiada, descrita, recomendada como grande artista por Howard  Hughes, Ernest Hemingway, Maya Angelou, Evelyn Waugh e T. S. Eliot.
Em 1972, gravou seu único disco "So Long Baby," com Cy Coleman.  Por incrível que pareça, Bricktop achava que não tinha talento e preferia ser chamada de  “performer”.  
  Em 1974,  atuou no filme Honeybaby, Honeybaby onde fazia papel dela mesma cuidando da boate  "Bricktop's" em Beirute, Líbano.
Em 1983, fez pequeno papel no filme Zelig, de Woody Allen. Na cena que protagonizou, Bricktop,que recebia Zelig en seu clube, esperava por Cole Porter  para que alterasse a letra de “You’re the top” para "You're the top, you're Leonard Zelig."
Bricktop by Bricktop, autobiografia escrita com   James Haskins foi publicada em 1983 pela  “Welcome Rain Publishers” ( registro ISBN 0-689-11349-8 e “traz piadas sobre ricos, poderosos e famosos como John Barrymore, Jelly Roll Morton, Jack Johnson, Legs Diamond, John Steinbeck, Django Reinhardt, Frank Sinatra, Edward G. Robinson, Tallulah Bankhead, Gloria Swanson, e fofocas sobre reis e princesas ."
No final de 2008, foi apresentado o musical “Bricktop”, no Lorraine Hansberry Theatre, em San Francisco. A vida de Ada "Bricktop" Smith na visão de Calvin A. Ramsey, com música original de S. Renee Clark, letra e roteiro de Ramsey and Thomas W. Jones  e coreografia de   Dawn Axam. A ação se passa  no momento em que a artista deixa Paris e prepara a volta aos Estados Unidos.
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 Bricktop  teve o fim dos escolhidos pelos Deuses: morreu dormindo em seu apartamento de Nova York, em 1º de  fevereiro de 1984. 

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Ada 'Bricktop' Smith -St Louis Blues (1970)

 clique aqui
https://www.youtube.com/watch?v=-LqA0AttDI4
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