terça-feira, 27 de setembro de 2016

O bebê do casal transgênero

    Publicado ontem na seção Comportamento do site do UOL.  
      Bota diversidade nisso !!    


 


 Imagem: Wladimir  Torres/Divulgação
 



Diane Rodríguez e Fernando Machado são um dos casais transgêneros mais famosos da América Latina. E recentemente tiveram seu primeiro filho no Equador.

"Ainda não escolhemos o nome. Talvez já tenhamos, na verdade, mas ainda estamos esperando para anunciá-lo",

Ela e seu parceiro querem esperar que as coisas se acalmem um pouco.
Enquanto isso, o filho do casal chega à 18ª semana. Nascido no último dia 20 de maio, ele é chamado carinhosamente de caraote - "caracol".
Para muitos, Diane e Fernando são o símbolo de uma crescente tolerância sobre a diversidade sexual na região.

Paternidade

O casal se conheceu pelo Facebook.
Diane, nascida Luis, buscava alguém com quem pudesse construir uma família. Queria que sua alma gêmea também apoiasse sua carreira como ativista.
Passou horas passeando por perfis nas redes sociais até que conheceu Fernando, outro transgênero.

Fernando, que nasceu Maria na Venezuela, sorri quando se lembra de como o romance começou: "Depois de alguns dias batendo papo com ela, peguei um ônibus e fui para o Equador".

"Depois de três semanas morando juntos, fiquei grávido", conta.

A gravidez só foi possível porque nem Diana nem Fernando decidiram se submeter à cirurgia de mudança de sexo. Por isso, não precisaram de ajuda médica para conceber o bebê.

Mas para um pai ou mãe transgênero que deseja colocar um filho no mundo, o Equador está longe de ser o paraíso da aceitação.
Episódios de violência contra minorias sexuais, como os transgêneros, ainda são comuns.
Diane, por exemplo, já foi sequestrada inúmeras vezes.
As sedes de sua ONG, a Silueta X, são monitoradas por câmeras 24 horas por dia com o objetivo de garantir condições mínimas de segurança.

Mãe e ativista

Ativistas como Diane acreditam que sua grande visibilidade ajuda a conscientizar o público.
Por exemplo, durante a gravidez, o casal publicou no Facebook um vídeo que mostrava como um médico aconselhava Fernando a não se esquecer de que era uma mulher.

O vídeo viralizou e o hospital foi obrigado a pedir desculpas.
Ser publicamente reconhecido como um transexual não é um problema para Diane. 
No entanto, ela viveu momentos dos quais prefere esquecer. A prostituição e o distanciamento da família são parte de sua história.
Agora, Diane alimenta positivamente seu status de ativista. Frequentemente, publica fotos suas junto com Fernando atraindo milhares de "curtidas".

Mas, para uma parcela da comunidade LGBT no Equador, não se trata apenas de uma vontade nobre.
Segundo eles, Diane tem planos de ingressar na política e estaria usando a plataforma do movimento para alcançar seus objetivos.
Sua relação com o presidente do país, Rafael Correa, dizem, seria próxima demais.

Correa, que é católico, já fez comentários homofóbicos e transfóbicos publicamente.
Diane também foi alvo de críticas por suas tentativas de reconciliar a Igreja Católica com os grupos LGBT. Para alguns integrantes do movimento, isso não é possível.
Por outro lado, ela é vista como um exemplo a ser seguido por muitos: mesmo sendo transexual, ela se recusou a fazer a operação de mudança de sexo, assumiu seu papel de mãe e começou a construir uma família.
Em 2013, Diane foi a primeira transgênero que se candidatou a uma vaga no Congresso equatoriano.
Apesar de não ter sido eleita, atualmente vislumbra o Senado em 2017."

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Elizabeth Bishop e a Arte de Perder

Elizabeth Bishop


O filme "Flores Raras" lotou as salas de cinema, as histórias de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop estão em textes  neste site. 
E , agora,gostaria  lembrar novamente  o clássico poema  "One Art" (A Arte de Perder” na tradução de  Paulo Henriques Britto ) - na voz pungente de Bishop em seus últimos dias -  transformado em vídeo clipe e disponível em


Por experiência própria,posso garantir que olhar as perdas inevitáveis da vida sob este novo ângulo ajuda ... e MUITO.


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One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.


Tradução de Paulo Henriques Britto

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

domingo, 4 de setembro de 2016

Sylvia Molloy -escritora argentina



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Compartilho com vocês,abaixo, o texto editado  da jornalista e poeta  argentina Tes Neuhen -publicado em seu site da internet em 2012-  sobre Sylvia Molloy, a partir de uma entrevista ao El Clarin.

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 Sylvia Molloy,conhecida como a pioneira da literatura lésbica argentina, no entanto, é muito mais do que isso; está longe de estereótipos e espera que seu trabalho seja reconhecido não só pelo público homossexual feminino.Este artigo menciona algumas das coisas que ela compartilhou com seus leitores  em uma entrevista do jornal Clarin e destaca alguns aspectos da sua pessoa e  de seu trabalho como escritoraA censura não poderia derrubá-lo 
O  começo de Sylvia foi extremamente difícil, silenciado pelo setor intelectual. 
Quando, em 1981, seu romance foi rejeitado por todos os editores argentinos por ser considerado subversivo ou inapropriada, aceitou a decisão, mas não abandonou a luta . O texto circulou em fotocópias e, assim, tornou-se conhecido e a  autora descobriu um grupo de leitores que claramente não pensavam como os  editores.
Continuou tentando e, em 1998, a editora Simurg  decidiu publicá-lo.
 

Em uma entrevista profundamente íntima, a autora do romance "En breve cárcel" se atreveu a falar sobre estas questões e seu trabalho em geral.    
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Estilo Molloy
Sylvia Molloy nasceu em Buenos Aires e atualmente reside nos Estados Unidos, trabalhando como professora da Universidade de Nova York dirigindo cursos de escrita criativa.  


O principal interesse da autor está relacionado com as poses, atitudes, vestido e todos os elementos que cercam um escritor e leitores são de grande importância para o trabalho. 

Recentemente publicou com Eterno Cadence um trabalho intitulado "Poses final do século"  em que faz uma análise profunda sobre o escritor Oscar Wilde e  o significado do seu vestuário de veludo e  na tela brilhante de sua sexualidade. 
Quando escreveu "En breve cárcel", Molloy estava vivendo no exterior e passando por uma fase muito difícil da   vida; concentrada em  se esconder em vez de se mostrar. 
 Nesta situação, encontrou o título que parecia muito apropriado   descrevendo como ela se sentia, escrevendo a partir do confinamento de seu quarto e assume que este é um trabalho muito pessoal.  
Está escrito na terceira pessoa, mas de uma forma tão magnífica, você não sente a distância que, por vezes, impõe essa voz narrativa, mas lê como algo muito próximo. 

Indagada do por que da idéia de usar esta voz, Molloy disse que precisava,para criar, dar ao personagem uma certa autonomia, não tão identificado com ela para que pudesse 'jogar" com as palavras; como se fosse uma máscara que permite inventar e distorcer eventos e espaços. 
Neste trabalho há muitos aspectos :não apenas a prosa requintada da autora, mas também a sua capacidade de expor as emoções do protagonista, começando a simpatizar com ela a ponto de viver a sua vida.
 (continua)

domingo, 28 de agosto de 2016

29 de agosto- Dia da Visibilidade Lésbica-20 anos

Em 29 de agosto, é comemorado em todo o país o Dia da Visibilidade Lésbica, data que faz referência ao  1ºSeminário Nacional de Lésbicas, na cidade do Rio de Janeiro .que aconteceu entre 29 de agosto e 1º de setembro de 1996,há exatos 20 anos.

O evento histórico foi organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro e pelo Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher e reuniu mais de 100 ativistas vindas de diferentes estados brasileiros

A Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres ( ONU Mulheres) reafirmou estar comprometida com a defesa dos direitos das lésbicas e bissexuais e de todas as mulheres no mundo.

 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Diabo Vestia Farda -2 ( Ou "Ainda bem que os tempos estão mudando")



  Miriam Ben-Shalon



Quase uma década de luta para ter o direito de ser o que é
            
Miriam Ben-Shalon foi a primeira pessoa  recolocada no serviço militar depois de ter sido excluída em função da orientação sexual. Segundo a Suprema Corte Militar dos Estados Unidos, que a inocentou, ela “não teria violado a primeira, a quinta e a nona Emenda da Constituição Americana”, argumento usado para condená-la. 
Embora não tenha conseguido a total reintegração, voltou em 1990 no posto de Sargento e detonando o argumento do exército de que homossexuais não serviam como exemplo de honra e dignidade
 A peregrinação pelos tribunais durou quase uma década. 

Política do “Don’t ask, don’t tell”  
Nascida em Waukesha, Wisconsin em 3/5/1948, dividiu a infância e adolescência entre Big Bend e East Troy, também no Wisconsin. Depois de terminar o 2º grau em 1967, casou-se, teve uma filha e logo se divorciou.

Enquanto durou o casamento, viveu em Israel por 5 anos, fez uma total imersão cultural e civil; tornou-se cidadã e serviu no exército do país. Divorciada, voltou a Wisconsin e completou seus estudos na Universidade Estadual Milwaukee.
Em 1974, começou seu tempo de serviço militar, servindo na 84ª Divisão de Treinamento do Exército, completou um curso para ministrar instrução e tornou-se uma das duas únicas mulheres instrutoras sargentos da Divisão.

Militante de organizações feministas, expôs sua orientação sexual e, ao saber do caso do Sargento Matlovich, que saiu do armário e virou capa do Time, perguntou à sua superiora: “Por que não me mandam embora?” Resposta da Comandante: “Porque você é um bom quadro do exército”
Foi neste momento da vida, ao terminar seu curso de instrutora que , decidiu não mais esconder sua vida pessoal e tentar entender a forma ambígua como a Polícia do Exército tratava gays e lésbicas. 

Era atribuição destes policiais investigar a vida privada dos soldados, sub-oficiais e oficiais e, caso encontrassem alguma irregularidade, recomendar seu afastamento. Existia, entre a comunidade militar, uma orientação no sentido de expor e falar sobre a vida sexual, chamada “não pergunte e não conte (Don't ask, don't tell). 

Em 1993, o Presidente Bill Clinton, cumprindo compromisso de campanha, anulou esta política discriminatória. Ben-Shalom percebeu rapidinho como funcionava a hipocrisia do Comando, que tolerava a vida privada de sua sargenta, mas não se sentia confortável com a a sua divulgação. 
Em 1976, foi oficialmente dispensada do Exército, mas decidiu iniciar um procedimento judicial e pedir a reintegração.

Afastamento  e  reintegração

 O direito à liberdade de expressão foi crucial para o caso Miriam Ben-Shalom.
O afastamento não foi baseado na conduta sexual, mas no fato de ela ser lésbica assumida.
Muito bizarro.Tão bizarro que o próprio Juiz Evans deixou claro que a primeira emenda ( a que rege a liberdade de pensamento) concede a gays e lésbicas o direito de servir à pátria.
O Exército dos Estados Unidos apelou e mesmo com a sentença favorável do Juiz Evans recusou-se a recebê-la em seus quadros. A batalha durou mais de uma década .
Em setembro de 1989, Miriam Ben Shalom foi reintegrada, apesar do parecer contrario do Juiz. Harlington Wood, Jr. Vitória com vida curta. 
Em 2 de fevereiro de 1990, a Suprema Corte se recusou até a tomar depoimento da militar, o que encerrou sua carreira. 
Mas ela se tornou militante das causas dos direitos políticos dos gays e lésbicas e fundou a Associação de Veteranos Gays Lésbicos e Bissexuais. Atualmente, ensina inglês nas escolas públicas de sua cidade natal, Milwaukee, onde trabalha, como voluntária, na recuperação de adolescentes problemáticos. 
Em 11 de junho de 2005, Miriam recebeu o Prêmio Stonewall de Militância.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O amor em tempos de Olimpíada

Pedido de casamento na arena de Deodoro

clique aqui:  http://globoplay.globo.com/v/5221832/


e, do site da VEJA,


"Após cerimônia de entrega de medalhas do rugby, que decretou a seleção feminina da Austrália como grande campeã, uma surpresa tomou conta do gramado: mesmo sem medalhas para o Brasil (que ficou em 9º lugar), a atleta brasileira do rugby, Isadora Cerullo foi a grande atração do local ao ser pedida em casamento por Marjorie Enya, voluntária nos Jogos Olímpicos.
Enquanto Izzy (como Isadora é conhecida) achava que ia conceder uma entrevista depois da cerimônia, Marjorie pegou um microfone da organização do local e pediu a amada em casamento. Acompanhado por grandes balões em forma de coração e pelas atletas da seleção, o pedido foi aceito prontamente. Um detalhe chamou atenção: a falta de uma aliança foi suprida por um grande laço amarrado no dedo de Izzy e Marjorie, selando o “amor olímpico”."
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Caio Julio Cesar, latin lover - O imperador era bi

    “Non nova, sed nove” Não coisas novas, mas tratadas de modo novo. Caio Julio Cesar  nasceu no dia 13 do mês Quintilis (que depois de sua...