domingo, 21 de abril de 2019

John Keats

 
O filme "Brilho de uma paixão'/Bright Star no original,dirigido por Jane Campion conta a história de um episódio da vida do poeta John Keats — subestimado em seu tempo e um dos maiores nomes do Romantismo.
Na verdade, o filme pertence a Abbie Cornish,atriz australiana que dá um show de sensibilidade como Fanny Brawne que vive um amor sem esperança- mas nem porisso menos profundo.
O filme de Jane Campion foi exibido no Festival de Cannes em 2009.


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"A thing of beauty ( trecho do poema Endymion) 
A thing of beauty is a joy for ever
Its lovliness increases,will never pass into nothingnes
( algo assim como : uma coisa bela é alegria para sempre,seu encanto sempre aumenta e nunca há de se perder)


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O ultimo romântico

 Miséria precoce



Jonh Keats nasceu em Londres em 31 de outubro de 1795. Filho de Thomas Keats,cavalariço que casou com Alice, a filha do patrão Frances Jennings.
O casal teve 5 filhos e o pai morreu de uma queda de cavalo quando John tinha 9 anos.

A mãe casou novamente e se instalou com o novo marido na  casa da avó Jennings

Em 1918,Alice morreu tuberculosa e as crianças se tornaram órfãs e pobres,numa sociedade em que para pessoas dessa “classe” as perspectivas eram zero. 


Mas com herança que veio com a morte da avó,John , seus três irmãos e a irmã escaparam da penúria.
correspondência do poeta não faz menção a essa possibilidade de miséria precoce,ao contrario e dizem seus biografos que vinha de família bem sucedida. 

Matriculado pelo tutor Richard Abbey, na Enfieeeld School, fez amizade com o filho do diretor, que lhe franqueou a biblioteca.
John passava horas devorando o que encontrava pela frente e, assim,aprendeu sozinho latim e francês. 


O tutor, atacadista no mercado de chá e café não aprovava e escolha da literatura como forma de vida e tratou de colocar o pupilo junto ao cirurgião Thomas Hammond para se tornar médico. 

Keats
 operava e compunha sonetos e odes. 


Qualquer momento de librdade era voltado oara a leitura dos clássicos.
Em 1813, estagiou como assistente de cirurgia no Saint Thomas Hospital. 
Concluiu curso de Farmácia e de Medicina (trabalhou no Guy’s Hospital),mas foi na literatura que se realizava.


Vitória da inspiração



En
 1815, capitulou: abandonou a medicina pela arte de escrever. Vence a inspiração.
Publicou seus “Poemas” em 1817 e a critica da época nunca lhe foi favorável arrasando,principalmente, o poema Endymion ,hoje considerado obra-prima.Depois,colocou sua sensibilidade em Hyperion (inacabado), em versos brancos ( possuem métrica, mas não utilizam rimas) sob a influência de John Milton e La Belle Dame Sans Merci.Adivinhava que a trajetória seria curta.



Cada minuto de seu tempo era dedicado `a leitura.

Num dado momento,Keats encontrou Fanny Brawne,uma estilista criativa que desenhava e costurava suas roupas e que parece ter despertado grande paixão.
Keats teve que separar-se dela em 1820, devido à tuberculose que havia contraído.

Foi para a Itália ,em busca de melhores ares e para vivenciar seus últimos momentos com o poeta Percy Sheeley,tentando deter os inevitáveis efeitos da doença, fatal na época.
Morreu poucos meses depois,em 23 de fevereiro
de 1821.

Sobre seu túmulo,no cemitério protestante de Roma, foi esculpida a inscrição que ele mesmo redigiu: Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água".


Em sua memória, Shelley escreveu o célebre poema 
Adonais, baseado na tradição de Milton.
Como muitos de seus amigos e admiradores, Shelley acreditava que Keats morreu enfraquecido de desgosto pelas críticas negativas aos seus trabalhos.
Não foi bem assim,claro,mas os críticos afirmam que essa idéia persistiu no decorrer do século 19.
Hoje há um consenso: obra de Keats foi pedra fundamental da poesia romântica.

Contaminado,Shelley morreu antes que o túmulo definitivo do amigo fosse concluído. 
Keats
, o maior dos reepresentantes do romantismo inglês,inspirou Tennyson,Robert Browning e muitos outros.
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A maior coleção de cartas,manuscritos e documentos de Keats está na Houghton Library ,na Universidade de Harvard  
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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Charles Demuth- (1883-1935) Arte americana de vanguarda



Traduzi o texto de Mark Allen Swede
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Além de ter pertencido à vanguarda dos  pintores modernistas da América, Charles Demuth também foi um dos primeiros artistas no país a expor sua identidade gay através  de representações positivas do desejo homossexual.
Demuth, filho de um comerciante bem sucedido, tinha tranquilidade financeira para prosseguir  sua visão artística sem se importar  com a opinião pública - tanto sobre a estética quanto sobre a sexualidade.
Seu talento assegurou qualidade inatacável  mesmo nos trabalhos mais provocantes.
Nasceu em 08 de novembro de 1883, em Lancaster, Pensilvânia e desde tenra idade, sofria com a  saúde frágil .
Graduou-se Franklin and Marshall Academy e estudou pintura na Academia de Belas Artes da Pensilvânia , onde a prevalecia a inflluência do ex- membro do corpo docente Thomas Eakins,  pintor de obras importantes de conteúdo homoerótico.
  Assim, Demuth começou a trabalhar de uma forma realista, mas sua admiração para o esteticismo de Aubrey Beardsley e Oscar Wilde predispôs  certa estilização expressiva (para não mencionar as atitudes liberais sobre identidade sexual).
Demuth conheceu o cubismo e outras inovações pictóricas durante uma viagem a Paris  em1907,lições que foram reforçadas por visitas posteriores à galeria Alfred Steiglitz ,em Nova York, expoente do modernismo.
Nesse contexto, os estudos das figuras eróticas de Auguste Rodin e aquarelas expressionistas de John Marin foram particularmente inspiradoras, e em 1912 o próprio trabalho de Demuth começou a exibir características modernistas.
Em 1912, começou um relacionamento com o colega e conterrâneo  Robert Locher , que foi o  parceiro de toda a vida.
Na segunda viagem a Paris , também em 1912, iniciou-se  a sua amizade  com Marsden Hartley, um pintor gay um pouco mais velho, que introduziu Demuth no círculo de intelectuais e artistas americanos expatriados , entre eles Gertrude Stein, bem como colegas europeus gays.
Hartley também serviu como um mentor de estilo quando Demuth começou a explorar abstração no final da década .
 Além disso, um trabalho da série ressaltou participação pessoal de Demuth em tais assuntos , mostrando -se nu
Outras séries, como as do vaudeville e do circo (1917-1919) , continham referências simbólicas para a sexualidade gay , enquanto que uma obra como Marinheiros da dança (1918) mostra claramente latente desejo erótico entre homens , mesmo quando dançam com as mulheres.
Demuth é mais conhecido pelo preciosismo de suas  pinturas da década de 1920 , obras inspiradas por paisagens de Cézanne , composições construtivistas e - mais perto de casa - abstrações de Hartley
Sua contribuição histórica mais significativa para a causa LGBT  foi a maneira audaciosa como respondeu à homofobia que   que cumprimentou seu trabalho Distinguished Air ,de 1930 (abaixo).
Demuth retratou uma situação em uma abertura da exposição , em que um casal masculino admira escultura notoriamente priápica de Constantin Brancusi , a princesa X, enquanto um homem aparentemente em linha reta galeria freqüentador admira a virilha de um dos homens gays.
Quando várias exposições recusaram-se a inclui-lo, Demuth respondeu criando abertamente aquarelas homoeróticas de marinheiros que se despiam , se acariciavam e até mesmo urinavamem companhia um do outro .
Estas obras foram executadas durante um período de dois anos, perto do fim de sua vida, quando a debilidade física  forçou a  mudança do seu ambiente cosmopolita para  a pequena cidade natal  conservadora  na Pensilvânia. 
Estas obras constituem uma demonstração de coragem e auto-estima que não se repetiu mais na obra de  outros artistas gays.
Demuth morreu em 23 de outubro de 1935, de complicações da diabetes. 
Legou suas aquarelas para Locher.
 
 My Egypt


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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Judy Garland



Judy como a Dorothy de " O mágico de Oz"

50 anos de seu falecimento

Judy Garland, nome artístico de Frances Ethel Gumm, foi uma atriz americana considerada por muitos uma das principais estrelas cantoras da "Era de Ouro" de Hollywood dos filmes musicais. 
Nascimento10 de junho de 1922, Grand Rapids, Minnesota, EUA
Falecimento22 de junho de 1969, Chelsea, Londres, Reino Unido

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Da Wikipedia;


Era a filha mais nova de Ethel Marion  Francis Avent "Frank" Gumm. 
Seus pais se estabeleceram em Grand Rapids para administrar um cinema que apresentava espetáculos de vaudeville. 
Irmåa Gumm,Judy é a 1a à direita

 Herdou o talento da família para a música e a dança. Sua primeira aparição aconteceu aos dois anos e meio, quando ela se juntou às irmãs mais velhas Mary Jane "Suzy / Suzanne" Gumm e Dorothy Virgínia "Jimmie" Gumm no palco do cinema de seu pai durante um show de Natal e cantou um coro de "Jingle Bells". [

As irmãs Gumm se apresentaram lá pelos anos seguintes, acompanhadas por sua mãe no piano.

A família mudou-se para Lancaster, na Califórnia, em junho de 1926, após rumores de que o pai havia abusado sexualmente de homens. 
 Frank comprou e administrou outro teatro em Lancaster, e Ethel começou a gerenciar suas filhas e a trabalhar para colocá-las em filmes. Garland estudou no Hollywood High School e depois se formou na University High School.

Em 1928, as Irmãs Gumm se matricularam em uma escola de dança dirigida por Ethel Meglin, proprietária da trupe de dança Meglin Kiddies. Eles apareceram com a trupe em seu show anual de Natal.
O trio percorreu o circuito de vaudeville como "The Gumm Sisters" por muitos anos quando se apresentaram em Chicago no Oriental Theatre com George Jessel em 1934. 
Ele sugeriu ao grupo a escolher um nome mais atraente depois que "Gumm" foi recebido com risos de a audiência.  
 Existem várias versões sobre a origem de seu uso do nome Garland. Uma delas é   ,  a personagem de Carole Lombard, Lily Garland, no filme Twentieth Century (1934), 
que tocava no Oriental em Chicago.Outra é que as meninas escolheram o sobrenome após serem anunciadas como o trio " que parecia mais bonito do que uma guirlanda (garland)de flores".

  No final de 1934, as irmãs Gumm haviam mudado seu nome para Garland Sisters [Frances mudou seu nome para "Judy" logo depois, inspirada por uma canção popular ] O grupo se separou em agosto de 1935.

Patinho feio 

Em setembro de 1935, assinou um contrato com a MGM, mas  o estúdio não sabia o que fazer com ela, aos treze anos, ela era mais velha para ser estrela infantil tradicional e  muito jovem para as papéis adultos
Sempre   preocupada com a aparência,Judy se comparava a Ava Gardner, Lana Turner, Elizabeth Taylor, as verdadeiras beldades da época . A insegurança foi  aumentada por Louis B. Mayer, que se referiaa a ela como seu "pequeno corcunda" .
Esta baixa autoestima permaneceu pelo resto da vida,semente do vício em drogas e bebida,alimentado pela MGM que fornecia regularmente anfetamina para que semantivesse acordada e outras para que pudesse dormir..   e o estúdio negou, afirmando que era escolha da própria atriz.

 Foi criada uma fórmula,juntando Garland com Mickey Rooney em uma sequência dos   "musicais de quintal".  
 Judy e Mickey Rooney
O duo apareceu pela primeira vez juntos como personagens de apoio no filme B Thoroughbreds Don't Cry (1937). Garland  entrouno elenco do quarto filme da Hardy Family como a garota ao lado de Andy Hardy, personagem de Rooney, em Love Finds, Andy Hardy (1938),  m Babes in Arms (1939),  incluindo os filmes de Hardy Andy Hardy Meets Debutante (1940) e Life Begins para Andy Hardy (1941).

 Apesar do sucesso, precisava de uma garantia constante de que era talentosa e atraente.

O Mágico de OZ





  
(continua)

terça-feira, 12 de março de 2019

Aimée e Jaguar -Primavera de 1943

 


 




Além da vida e da morte uma linda história de amor

Em Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial,Lilly(Elisabeth) Wust, 29 anos,era o exemplo de mulher alemã,com foto do Fuhrer na parede,condecorada pelo Terceiro Reich pelos quatro filhos que teve e casada com um oficial nazista, vivendo a entediante rotina de uma dona de casa comum.

Felice Schragenheim (à esquerda na foto acima) era avançada para a sua época, jovem judia inteligente e culta. Trabalhando para um semanário nazista, escondida por um pseudônimo,passava preciosas informações para a Resistência.

O acaso uniu as duas mulheres e iniciou uma história que foi mais do que uma aventura de amor .

Lilly percebe que é o objeto de desejo de Felice, uma pessoa diferente de todas as que havia encontrado em sua vida.
 Felice
Com a convivência nasce um amor apaixonado.
As duas se encontram e se comunicam quase todos os dias,trocando cartas,bilhetes e poemas.Usam os nomes fictícios de Aimée (Lilly) e Jaguar (Felice)

 Lilly -Aimée
Ao saber que Felice era judia, Lilly não hesitou em pedir o divórcio e convidou a companheira para morar em sua casa.
A relação , temperada principalmente pelo humor de Felice nas correspondências ainda em poder de Lilly,mostra que o amor pode existir e sobreviver mesmo em situações extremas,dando sentido `a vida.
Estiveram juntas da Primavera de 1943 ao verão de 1944 porque Felice recusou a oportunidade de exílio para a neutra Suíça para não se separar de Lilly.
Após um delicioso dia de sol no campo, do qual restaram as últimas fotos de Aimée e Jaguar, a Gestapo invadiu a casa para prender a judia.
Apesar da busca desesperada, Lilly nunca mais teve notícias de Felice,que provavelmente morreu no campo de extermínio de Teresienstadt,atual República Tcheca.
Seu destino se mistura ao dos milhões de judeus que foram perseguidos,presos e exterminados nestes tempos cruéis que a Europa viveu.
Felice-Jaguar
Após o desaparecimento de Felice Lilly passa a colaborar -ela mesma- com a Resistência.

Em 1981 foi condecorada pela Alemanha Ocidental com a mais alta medalha destinada a civis aBundesverdienst Kross por ter escondido Felice e mais 3 mulheres judias durante a Guerra,
A escritora Erica Fischer contou em livro a história de Aimée e Jaguar em 1996. O livro serviu como roteiro básico para documentários para a Tv francesa, para a BBC ,parauma peça teatral suíça e para a película de mesmo nome dirigida por Max. Färberböck,em1999,tendo Julianne Köhler como Lilly e Maria Schneider como Felice 


A crítica internacional aponta as cenas de amor do filme como das mais belas jamais exibidas nas telas.


Lilly Wust .ainda viveu décadas em Berlim, casou-se uma segunda vez ,mas sempre declarava nas entrevistas que permaneceu fiel em espírito a Felice até morrer (31/3/2006)



Lilly em seus dias finais

O filme alemão recebeu recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, de Melhor Filme Estrangeiro em 1999
e as duas atrizes dividiram o prêmio de melhor desempenho feminino, no Festival de Berlim. do mesmo ano.


Aos 85 anos, a verdadeira Lilly Wust compareceu ao Festival de Berlim de 1999, para ajudar na publicidade do filme.

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quarta-feira, 6 de março de 2019

Diana Nyad e a travessia do Estreito da Flórida





Diana Nyad. aos 64 anos,  fez história ao se tornar a primeira pessoa a  nadar os 180 km que separam Cuba da Flórida , "um sonho ao longo da vida",sem a segurança de uma gaiola de tubarão  e após 53 horas ,entre 2 e 3 de setembro de  2013.  

Alistair Jamieson e Connor Tracy da NBC News,reportaram  o aspecto da atleta:" a língua e os lábios estavam inchados pelo sol e pela água do mar, e ela teve escoriações na boca de  por conta de uma máscara de silicone especial destinada a manter a água-viva afastada,na baía".  

Antes ,uma nadadora australiana, Susie Maroney , já havia atravessado o estreito da Flórida em 1977.mas  usando uma gaiola de proteção.

 Diana ficou famosa como nadadora de longa distância e,mais tarde,tornou-se respeitada comentarista esportiva na televisão e no rádio nos Estados Unidos. Nos últimos anos, dedica-se `as questões de direitos LGBT, especialmente nos esportes.
Nadou no Canal de Suez, no Mar do Norte ,  no  rio Nilo , no rio Paraná, na Argentina, na Baía de Nápoles , e ns Grande Barreira de Corais da Austrália.

Em 1979,seus 102,5 quilômetros a partir das Bahamas para a Flórida estabeleceram um recorde que tinha permanecido  até agora como o mais longo mergulho por um atleta sem  usar uma gaiola de tubarão 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Clóvis Bornay,ícone do Carnaval carioca


 


 TRIBUTO


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Vencer concursos de fantasia nunca foi novidade para Clóvis Bornay que era e continuará sendo sinônimo de Carnaval Carioca e símbolo da alegria da Cidade Maravilhosa.
Ano após ano, sua imagem colorida e triunfal alegrava os espectadores do Sambódromo.


Caçula de doze irmãos, Clóvis nasceu em 10 de janeiro de 1916 em Nova Friburgo (município da região serrana do Rio de janeiro), filho de mãe espanhola e pai suíço. Em 1928, ainda menino e frequentador dos bailes do Fluminense Futebol Clube, manifestou uma grande vocação de folião.

Em 1937, inspirado nos nos bailes de máscaras dos carnavais de Veneza convenceu o então diretor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Silvio Piergilli, a instituir um Baile de Gala em que fantasias de luxo seriam premiadas. Diante dos deslumbrados membros do júri do concurso, Clovis se apresentou de “Príncipe Hindu” e ganhou o primeiro lugar.


Juventude, beleza e disposição não eram suficientes. Bom gosto e criatividade iigualmente contavam pontos. Mais tarde,as fantasias foram agrupadas por categoria: luxo e originalidade. Em 1953, com um original Arlequim, dividiu o prêmio com Zacharias do Rego Monteiro, que vestia um de seus belíssimos e tradicionais pierrôs.

O maior concorrente de Bornay no Municipal era, entretanto, o costureiro baiano Evandro de Castro Lima. Artistas como Jésus Henriques, Mauro Rosas, Wilza Carla, Marlene Paiva., Guilherme Guimarães, Flavio Rocha, Marcos Varella e tantos outros criaram, confeccionaram ou vestiram fantasias que eram verdadeiras jóias.

O baile do Teatro Municipal resistiu até 1972. A platéia era coberta por estrutura de madeira revestida de compensados e o piso ficava na altura dos camarotes. Ali brincavam cerca de oito mil foliões. No dia seguinte à festa noturna, acontecia o baile infantil, quando também era realizado um concurso de fantasias.

Os primeiros carnavais.

A introdução do carnaval ao Brasil é atribuída às celebrações populares para comemorar a chegada da Família Real Portuguesa.
Os já festeiros cariocas saíram às ruas cantando músicas, usando máscaras e fantasias. O registro do primeiro baile carnavalesco no Brasil é de 1840, no Hotel Itália, por iniciaiva dos proprietários, que desejavam reproduzir aqui os grandes bailes de máscaras do carnaval da Europa.

O sucesso foi tão grande que muitos outros se seguiram. O carnaval era o espelho da desigualdade social na sociedade brasileira. Nos clubes e teatros estava a classe média emergente, nas ruas, ao ar livre a festa popular.


Um novo elemento foi agregado para abrilhantar a festa: o desfile dos carros alegóricos, depois incorporados pelas escolas de samba.O escritor José de Alencar foi o idealizador dos desfiles e um dos fundadores da Sociedade Sumidades Carnavalescas.

O ”Abre Alas” foi a primeira música especialmente composta para carnaval, por Chiquinha Gonzaga, para o Cordão Rosa de Ouro.
O século 20 traz também os mascarados, o lança perfume, as batalhas de confete e os bailes infantis.

Em 1928, foi fundada a primeira escola de Samba “Deixa falar” e, logo depois, a Mangueira. Os primeiros desfiles começam em 29 e foram realizados na Praça Onze até 1942, quando passaram para a Avenida Presidente Vargas.


Carnaval do Quarto Centenário



A partir de 1963, as escolas assumem a posição de maior atração do carnaval carioca e, em 1965 - Carnaval do 4º Centenário - Clóvis Bornay surge triunfal fantasiado de Estácio de Sá, o fundador da cidade.
Os bailes de fantasia do Iate Clube (“Baile do Havaí”), do Hotel Copacabana Palace e os concursos de fantasia do Clube Federal, no Leblon e do Clube Monte Líbano, na Lagoa ainda resistiram por algum tempo.

Depois de ter recebido a distinção de “hors concours”, que lhe concedeu o direito de se apresentar em qualquer concurso de fantasias sem ser julgado, a arte de Clóvis Bornay chegou à Passarela do Samba. Ele foi o carnavalesco da Portela em 1969 e 1970 e da Mocidade Independente em 1972 e 1973 . 

A partir daí as fantasias de luxo foram para o asfalto, passaram a ser destaques, apresentadas por artistas e figuras populares da cidade.

Em 1974, o desfile das escolas de samba passa para a Avenida Rio Branco, por causa das obras do metrô. Fica lá até 1984, quando foi inaugurado o sambódromo, onde as escolas desfilam até hoje.

Museólogo - trabalhou no Museu Histórico Nacional e em outras entidades culturais – morador da Prado Junior, em Copacabana, esta doce figura era uma atração diária da paisagem carioca.

Suas fantasias, verdadeiras obras de arte são expostas constantemente pelo Brasil e algumas já pertencem ao acervo de museus na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1996, Clóvis Bornay recebeu da Assembléia Legislativa a Medalha Tiradentes, honraria concedida a personalidades que, de alguma forma, tenham prestado serviços ao Estado do Rio de Janeiro.
Ele nos deixou no dia 9 de outubro de 2005,aos 89 anos,vitimado por uma parada cardiorrespiratória

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


Carnaval 3- Clóvis Bornay - Tributo


Pequena homenagem ao museólogo competente e ser humano da melhor qualidade que conheci quando já quase se aposentava-mas ainda trabalhava- no Museu Histórico Nacional, aqui no Rio.

Saudades, Clóvis.

Vencer concursos de fantasia nunca foi novidade para Clóvis Bornay que foi e continuará sendo sinônimo de Carnaval Carioca e símbolo da alegria da Cidade Maravilhosa. Ano após ano, sua imagem colorida e triunfal alegrava os espectadores do Sambódromo.

Caçula de doze irmãos, Clóvis nasceu em 1916 em Nova Friburgo (município da região serrana do Rio de janeiro), filho de mãe espanhola e pai suíço. 

Em 1928, ainda menino e frequentador dos bailes do Fluminense Futebol Clube, manifestou uma grande vocação de folião.

Em 1937, inspirado nos nos bailes de máscaras dos carnavais de Veneza convenceu o então diretor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Silvio Piergilli, a instituir um Baile de Gala em que fantasias de luxo seriam premiadas. Diante dos deslumbrados membros do júri do concurso, Clovis se apresentou de “Príncipe Hindu” e ganhou o primeiro lugar.
Juventude, beleza e disposição não eram suficientes. Bom gosto e criatividade iigualmente contavam pontos. Mais tarde,as fantasias foram agrupadas por categoria: luxo e originalidade. Em 1953, com um original Arlequim, dividiu o prêmio com Zacharias do Rego Monteiro, que vestia um de seus belíssimos e tradicionais pierrôs.
O maior concorrente de Bornay no Municipal era, entretanto, o costureiro baiano Evandro de Castro Lima. Artistas como Jésus Henriques, Mauro Rosas, Wilza Carla, Marlene Paiva., Guilherme Guimarães, Flavio Rocha, Marcos Varella e tantos outros criaram, confeccionaram ou vestiram fantasias que eram verdadeiras jóias.
O baile do Teatro Municipal resistiu até 1972. A platéia era coberta por estrutura de madeira revestida de compensados e o piso ficava na altura dos camarotes. 

Ali brincavam cerca de oito mil foliões. No dia seguinte à festa noturna, acontecia o baile infantil, quando também era realizado um concurso de fantasias.
Os primeiros carnavais. 

A introdução do carnaval ao Brasil é atribuída às celebrações populares para comemorar a chegada da Família Real Portuguesa.

Os já festeiros cariocas saíram às ruas cantando músicas, usando máscaras e fantasias. 

O registro do primeiro baile carnavalesco no Brasil é de 1840, no Hotel Itália, por iniciaiva dos proprietários, que desejavam reproduzir aqui os grandes bailes de máscaras do carnaval da Europa.
O sucesso foi tão grande que muitos outros se seguiram. O carnaval era o espelho da desigualdade social na sociedade brasileira. Nos clubes e teatros estava a classe média emergente, nas ruas, ao ar livre a festa popular.
Um novo elemento foi agregado para abrilhantar a festa: o desfile dos carros alegóricos, depois incorporados pelas escolas de samba.O escritor José de Alencar foi o idealizador dos desfiles e um dos fundadores da Sociedade Sumidades Carnavalescas.

O ”Abre Alas” foi a primeira música especialmente composta para carnaval, por Chiquinha Gonzaga, para o Cordão Rosa de Ouro. O século 20 traz também os mascarados, o lança perfume, as batalhas de confete e os bailes infantis.

Em 1928, foi fundada a primeira escola de Samba “Deixa falar” e, logo depois, a Mangueira. Os primeiros desfiles começam em 29 e foram realizados na Praça Onze até 1942, quando passaram para a Avenida Presidente Vargas.

Carnaval do Quarto Centenário

A partir de 1963, as escolas assumem a posição de maior atração do carnaval carioca e, em 1965 - Carnaval do 4º Centenário - Clóvis Bornay surge triunfal fantasiado de Estácio de Sá, o fundador da cidade.
Os bailes de fantasia do Iate Clube (“Baile do Havaí”), do Hotel Copacabana Palace e os concursos de fantasia do Clube Federal, no Leblon e do Clube Monte Líbano, na Lagoa ainda resistiram por algum tempo.

Depois de ter recebido a distinção de “hors concours”, que lhe concedeu o direito de se apresentar em qualquer concurso de fantasias sem ser julgado, a arte de Clóvis Bornay chegou à Passarela do Samba. 

Foi o carnavalesco da Portela em 1969 e 1970 e da Mocidade Independente em 1972 e 1973 .
A partir daí as fantasias de luxo foram para o asfalto, passaram a ser destaques, apresentadas por artistas e figuras populares da cidade.

Em 1974, o desfile das escolas de samba passa para a Avenida Rio Branco, por causa das obras do metrô. Fica lá até 1984, quando foi inaugurado o sambódromo, onde as escolas desfilam até hoje.

Museólogo - trabalhou no Museu Histórico Nacional e em outras entidades culturais – morador da Prado Junior, em Copacabana, esta doce figura era uma atração diária da paisagem carioca.

Suas fantasias, verdadeiras obras de arte são expostas constantemente pelo Brasil e algumas já pertencem ao acervo de museus na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1996, Clóvis Bornay recebeu da Assembléia Legislativa a Medalha Tiradentes, honraria concedida a personalidades que, de alguma forma, tenham prestado serviços ao Estado do Rio de Janeiro.

Ele nos deixou no dia 9 de outubro de 2005,aos 89 anos,vitimado por uma parada cardiorrespiratória.

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