quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Gabriela Mistral








  Poetisa e diplomata chilena, Prêmio Nobel de Literatura 


Ninguém é profeta em sua terra 

Gabriela Mistral viveu muito mais tempo no exterior do que no Chile. Tornou-se destacada educadora , esteve no México colaborando na reforma educacional daquele país, nos Estados Unidos e na Europa. Aplicou no sistema educacional do Chile elementos e métodos que compilou nessas viagens .
Foi professora convidada nas universidades de Barnard, Middlebury e Porto Rico. Durante de vinte anos, a partir de 1933, trabalhou como cônsul do Chile em cidades como Madrid, Lisboa e Los Angeles, entre outras.
 

Em 1941, chefiou a representação de seu país em Niterói, então capital do antigo estado do Rio de Janeiro.
Morou em Petrópolis, cidade distante 75 km do Rio,onde foi vizinha de rua do escritor alemão Stefan Zweig e sua esposa Lotte.Foi a primeira pessoa amiga a chegar ao local quando da morte do casal .
Ia passando pela rua, viu a aglomeração, entrou, reconheceu os corpos.

Foi neste período de tragédias que ocorreu o suicídio por ingestão de arsênico do sobrinho -ou filho adotivo? ou biológico? - Juan Miguel, o Yin Yin, que abalou os pilares da estrutura de sua vida. 


 Em 12 de dezembro de 1945, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura das mãos do Rei Gustavo da Suécia.Veja o vídeo de parte da cerimônia

http://www.youtube.com/watch?v=mEMwnoCy6TA

Consul do Chile em Los Angeles e, em seguida em Santa Barbara, ali comprou uma casa com o dinheiro do prêmio.

A partir de este momento, a França lhe concedeu a Legión d’Honneur e editou antologias de sua obra, a Italia o Doutorado Honoris Causa da Universidade de Florença e Cuba, a medalha Enrique José Varona da Asociación Bibliográfica y Cultural de Cuba.

Somente seis anos depois, em 1951, ganhou o Prêmio Nacional de Literatura de seu país.


Traduzida para o inglês, francês, italiano, alemão e sueco, teve grande influência na produção de escritores latino-americanos. Seus poemas escritos para crianças são recitados e cantados em muitos países.

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Gabriela Mistral é o pseudônimo da poeta, jornalista, educadora e feminista Lucila Maria del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, nascida em 7 de abril de 1889, em Vicuña, Chile, filha de Juan Jerónimo Godoy, professor e de Petronila Alcayaga, costureira e bordadeira.
 

Dias depois do nascimento, a família se mudou para a aldeia La Unión, hoje Pisco, e, mais tarde, para Montegrande.
Lucila cresceu entre as canções de sua mãe, que viriam a ser um elemento importantíssimo em sua poesia, e a ausência do pai que logo abandonou a família.

 Alfabetizada por Emelina, irmã mais velha - filha de outro casamento de Petronila, que dava aulas numa escola rural - dedicou-se aos estudos e tornou-se professora primária.
 

Na escola rural de Parral foi seu aluno o menino Neftalí Reyes Basualto, neto de um latifundiário, mais tarde conhecido pelo pseudônimo Pablo Neruda e também ganhador do Nobel de Literatura.

Em 1914, após o suicídio do noivo, começou a escrever poesia.
Foi premiada nos Jogos Florais Chilenos pelos seus sonetos sobre a morte e, para concorrer, escolheu o pseudônimo Gabriela Mistral em homenagem ao escritor provençal Frédéric Mistral e ao italiano Gabrielle D’Anunzio.
 

Na época, era professora no Liceu Feminino da Província de Los Andes. Ausente na cerimônia de premiação, Gabriela Mistral foi chamada várias vezes ao palco, mas como era conhecida como Lucila Godoy, ninguém identificou a vencedora.
Ao seu primeiro livro de poemas, Desolação (1922), seguiram-se Afeto (1924), Podando (1938), Imprensa (1954) e outros.



Morreu em 10 de janeiro de 1957, em Nova York, após dolorosa luta contra um câncer no pâncreas e, segundo seu desejo, está sepultada em Montegrande, no Chile,junto aos restos mortais do adorado Yin Yin.
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Durante muito tempo, foi considerado um escândalo falar do relacionamento de quase dez anos entre Gabriela Mistral e Doris Dana.
Gabriela e Doris

Mas, ao morrer em 2006 aos 86 anos, Doris tradutora e crítica literária, amiga, secretária, última companheira e herdeira universal da poetisa chilena Gabriela Mistral, guardava em 168 caixas, entre outros documentos, 250 cartas de amor recebidas durante o tempo em que viveram juntas.

O material, cedido pela sobrinha de Doris Atkinson, foi organizado por Pedro Pablo Zegers, famoso intelectual chileno e responsável pelo Arquivo do Escritor da Biblioteca Nacional do Chile.
A Editora Lumen publicou as cartas em 2009, com o título, “Niña errante: Cartas a Doris Dana”.
O livro causou muitas controvérsias porque desnuda e expõe a figura de “Mãe da Pátria”, até hoje ligada à memória de Gabriela.
Segundo Jaime Quezada, presidente da Fundación Premio Nobel Gabriela Mistral, as cartas demonstram o fervor, ternura, amor e paixão que existiu entre as duas mulheres, desde outubro de 1948.

Doris Dana, quase uma sósia da atriz americana Katherine Hepburn, acompanhou Mistral até seus últimos dias e ficou encarregada de cuidar dos bens deixados pela companheira.
A devoção comum pelo escritor alemão Thomas Mann foi o ponto de partida para o poderoso vínculo que uniu as duas mulheres excepcionais, começado como uma relação de aluna e professora - Doris era 31 anos mais nova que Gabriela.

O livro tem um epílogo da sobrinha da herdeira Doris Atkinson. Sem fazer qualquer tipo de interpretação das cartas, revela alguns aspectos da tia, sua juventude, beleza e forte personalidade que seduziram uma das maiores figuras literárias do século XX.


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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Xq28 ,o gene gay masculino

 

 

Trechos do DNA poderiam influenciar homossexualidade masculina
à esquerda, abaixo, a região q 28 do cromossomo X,ligeiramente maior 

"Em 1993. a revista"Science" trazia os resultados do estudo feito pelo americano Dean Hammer com 114 famílias de homossexuais. 
 
Hammer afirmava com "99,5% de certeza" haver encontrado indícios da existência de um ou mais genes ligados à orientação sexual na região q28 do cromossomo X (ou Xq28). 
Um segundo estudo, realizado pelo mesmo grupo dois anos depois, chegou a resultados semelhantes."  

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 Publicado na "Newsletter"


2004- Os resultados, compartilhados na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Chicago, revelaram que, em um estudo que testou o DNA de 409 homens homossexuais, pelo menos, dois cromossomas podem afetar a orientação sexual. 
 
"A orientação sexual não tem nada a ver com a escolha. Nossas descobertas sugerem que pode haver genes em jogo, e encontramos evidência de dois conjuntos que afetam se um homem é gay ou hetero", disse Michael Bailey, da Universidade Northwestern, que realizou a pesquisa . 
 
O estudo envolveu a retirada de sangue de 409 irmãos gays e heterossexuais membros de suas famílias.   
A análise confirmou que uma área no cromossomo X - que os homens herdam de suas mães - conhecida como Xq28 tem algum impacto na orientação sexual.
 
 Outro trecho de DNA no cromossomo 8 também afeta o comportamento sexual masculino,  
 
Os mais recentes estudos confirmam as descobertas de Hamer e sugere que a orientação sexual de um homem depende de cerca de 30 a 40 por cento de fatores genéticos, enquanto que os fatores ambientais, incluindo os hormônios  a que um feto é exposto no útero, também podem influenciar a sexualidade de um homem.



Controvérsia 


Um  colega de Bailey, Alan Sanders, diz que os resultados não devem ser usados ​​para testar a orientação sexual.

"Quando as pessoas dizem que há um gene gay, é uma simplificação exagerada", disse Sanders.  

"Há mais de um gene, e a genética não é toda a história. Seja qual   for o gene que  contribui para a orientação sexual, você pode pensar que também pode  contribuir para a heterossexualidade"

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Cantor alemão gay Daniel Kublbock desaparece durante cruzeiro, hipótese: suicídio






Daniel Dominik Kaiser-Küblböck  cantor pop alemão e ator que alcançou celebridades de curta duração em 2003, no circo da mídia que cercou a primeira temporada de Deutschland sucht den Superstar,(Alemanha procura um superstar) a versão alemã de Pop Idol, em que ele ficou em terceiro lugar.
 *27 de agosto de 1985  Hutthurm,Alemanha 
 + provavelmente 9/9/2018


Filme: Daniel – Der Zauberer

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"O cantor alemão de 33 anos pulou de um navio em cruzeiro após revelar no Facebook seus dramas como vítima de bullying e está desaparecido no mar. 
A informação foi noticiada pelo jornal inglês The Sun. De acordo com a publicação, Daniel Küblböck pulou do quinto andar do navio em que estava há apenas algumas semanas após um post emocionante falando sobre como vinha lidando recentemente com ataques constantes nas redes sociais. “Eu suportei meses de bullying que abalaram profundamente a minha alma”, escreveu o artista.
O cantor alemão Daniel Küblböck (Foto: Instagram)

Revelado ao estrelato em 2003 após participar do reality show alemão ‘Pop Idol’ e depois participante da versão local do programa ‘Dança dos Famosos’, o músico foi dado como desaparecido no meio do cruzeiro entre as cidades de Hamburgo e Nova York. 

“Eu ainda tenho esperanças de que, de alguma forma, tudo ainda vai ficar bem”, disse o pai do músico em entrevista à imprensa internacional.
Em sua última mensagem no Facebook, o artista escreveu: “Queridos fãs, infelizmente eu ainda não me sinto melhor fisicamente e mentalmente. Eu tenho precisado lidar com essa dor ao longo dos últimos meses”. 

Essa é a segunda tragédia recente vivida pela família de Daniel Küblböck. Em janeiro de 2013, o irmão do músico foi vítima de uma overdose de heroína em Berlim. 
Parceira de Daniel Küblböck no 'Dança dos Famosos' alemão, a dançarina e cantora Oti Mabuse compartilhou um post no Instagram com uma foto do músico lamentando o desaparecimento do colega: "Eu estou com o coração partido com a tragédia do desaparecimento do meu parceiro no oceano. Eu tenho tentado não pensar no pior e torcendo para que você seja encontrado! Você é muito amado e eu espero que saiba disso".
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https://www.entertainmentwise.com/pt-br/bio/daniel-kublbock/

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Petrônio,árbitro da elegância

Rei da etiqueta e autor de "Satiricon" 


"Citius flammas mortales ore tenebunt, quam secreta tegant" "É mais fácil um mortal engolir chamas do que guardar um segredo"
O "Satiricon" de Petrônio, obra que vem interessando gerações de leitores, escritores, críticos, antropólogos, historiadores, filólogos e linguistas durante os últimos vinte séculos, ganhou novíssima edição em português (Cosac Naify, 2008).

A tradução direta do latim e posfácio são de Cláudio Aquati. O posfácio, que contextualiza a obra, é um presente à parte para o leitor. "Satiricon" - no título original "P.A. Satiricon libri", as iniciais correspondendo a Petrônio Arbitro, foi elaborado com a intenção de ridicularizar a oposição a Nero e tornou-se uma das origens da novela moderna.

Primeira reunião de histórias fragmentadas a chegar à nossa era é, da mesma forma, considerado o primeiro romance realista da literatura universal.
Escrito num momento em que a economia do Império Romano estava meio cambaleante (governado por Nero, entre 62 e 66 d.C.), focaliza a liberalidade dos costumes e a decadência já instalada.

Petrônio fez uma paródia das obras gregas que estavam na moda, com apelos sentimentalistas e ações sensacionalistas. No lugar dos heróis épicos, escolheu três vagabundos como protagonistas.

Utilizou mistura de prosa e verso e foi do latim mais vulgar ao mais sofisticado para contar, de maneira irônica e amoral, as façanhas dos vigaristas Encólpio, seu amigo Ascilto, e o garoto Gitão na Itália, entre Nápoles e Roma. 
Mesmo fragmentado, o texto não perdeu a beleza plástica. Prende a atenção do leitor até a última linha e influenciou autores de gerações sucessivas: Tácito, Bocaccio, Proust, Nietzsche, Henry Miller, Casanova, Henry Miller, Bucowsky, T.S.Elliot.
A lista é imensa e eclética. Em 1664, saiu a primeira edição impressa dos originais da Idade Média, incluindo a Festa de Trimalchio.
Graças aos esforços do editor Pierre Petit, Satiricon foi traduzido em várias línguas e tornou-se um dos bestsellers da literatura ocidental.

Em 1969, o cineasta italiano Frederico Fellini dirigiu uma película homônima, inspirada na novela de Petrônio. Fiel ao texto, Fellini recria o ambiente de corrupção e libertinagem da época, inserindo no contexto do roteiro, como sempre, sua visão criativa.A Trama
A peça de Petrônio, um mestre na prosa da literatura latina, faz uma crônica da vida na Roma Antiga ao contar as peripécias de Encolpio e seu amigo Ascilto que disputam o afeto do jovem Gitão.

Encolpio, um ex gladiador, punido com impotência pelo deus Priapro que acha exageradas suas atividades com o amigo e amante Ascilto (que, etimologicamente, significa "infatigável") protagoniza extravagâncias em companhia do jovem Gitão, um adorável efebo de dezesseis anos.

Petrônio mostra como a sociedade focada no prazer vive cada dia como se fosse o último.
O rejeitado Encolpio empreende longa jornada onde encontra todos os tipos de pessoas envolvidas em todos os tipos de situações.
Entre elas, uma orgia e um desfile de prostitutas na Roma Antiga, triângulos amorosos circulando num ambiente de vagabundos, corruptos, sacerdotisas fofoqueiras e novos-ricos grosseiros obcecados por sexo e prestígio. (A gente já ouviu este samba, não é, meu leitor?) Durante a orgia organizada por Trimalchio(cena do filme de Fellini),um ex escravo que enriqueceu ilicitamente e passou a ser considerado um self made man (a parte mais conhecida da obra),

Petrônio faz uma reflexão sobre a sexualidade masculina e suas variações.


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Gaius Titus Petronius, nasceu em Marselha (27 d.C.) em família aristocrática e foi competente nos cargos de governador da Bitínia, atual Turquia, e depois, no de cônsul.

Assessor de Nero, foi nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância) no ano 63 d.C. porque era uma verdadeira autoridade em assuntos de bom gosto, etiqueta e refinamento.

Acusado de participar na conspiração contra o imperador, foi condenado ao suicídio no ano 65. Passou suas últimas horas de vida numa festa em Cumas, antiga colônia grega que ficava a cerca de vinte quilômetros de Nápoles.
Nessa ocasião, fez uma lista dos vícios de Nero, discursou sobre eles, enviou-lhe uma carta contendo essas aberrações e, em seguida, cortou os pulsos.


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sábado, 25 de agosto de 2018

Alemanha aprova projeto de lei que reconhece sexo "diverso"



 

 Da Agência EFE Alemanha


 Material de divugação por uma terceira opção
"O governo da Alemanha aprovou na quarta-feira  15/8/2018,um projeto de lei para introduzir no registro de nascimento um terceiro sexo, além do masculino e feminino, sob a determinação de “outro” ou “diverso”. Estima-se que na Alemanha há aproximadamente 80 mil intersexuais, algo menos de 1% da população.

A decisão cumpre sentença do Tribunal Constitucional de 2017 que determina a introdução de uma terceira opção no registro de nascimento. A nova lei vai permitir ao registro de pessoas que não pertencem aos sexos masculino e nem feminino.

O porta-voz do governo, Stefen Seibert, informou que o Parlamento deve ainda analisar a lei e acredita que em 2019 entrará em vigor. “É hora de modernizar de uma vez a legislação vigente”, apontou a ministra de Justiça, a social-democrata Katarina Barley.

A mencionada sentença do Tribunal Constitucional argumentava que, de acordo com o direito constitucional à proteção da personalidade, as pessoas que não são nem homens e nem mulheres têm direito a inscrever a identidade de gênero de forma 
“positiva” no registro de nascimento. A decisão é mais um passo para o reconhecimento dos direitos dos intersexuais na Alemanha.

Em 2013 foi aprovada uma reforma legal que permitia aos pais de recém-nascidos que não tivessem que registrar obrigatoriamente dos filhos como homens ou mulheres no registro civil se não podia determinar com clareza o gênero.
reforma de 2013, que seguia a recomendação do Comitê Ético Alemão, estabelecia que “se um bebê não pode ser identificado como pertencente ao gênero masculino ou feminino, se deixará sem encher a seção correspondente no registro de nascimento”. O objetivo dessa lei era evitar pressões sobre os pais e que não tivessem que determinar imediatamente depois do nascimento do bebê o sexo deste ou ter de adotar decisões precipitadas."

domingo, 19 de agosto de 2018

Queermuseu no Parque Lage

Uma meia dúzia de gatos pingados ,supostamente da organização de ultra direita Deus,Pátria e Família ,tentou impedir a reinauguração da exposição Queermuseu no Parque Lage  (foto)
Essas atitudes sempre fazem o efeito contrário.
Como resultado,o público lotou o espaço cultural nobre  até a noite.
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Além das obras de arte, haverá uma intensa programação cultural paralela, com shows musicais, debates e espetáculos de dança. A visitação é gratuita. Os horários são: de segunda-feira a sexta-feira, de 12h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h.


O Parque Henrique Lage é um parque público da cidade do Rio de Janeiro, localizado aos pés do morro do Corcovado, na rua Jardim Botânico. , 414 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ, 22461-000


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Abaixo,matéria  da Agência Brasil, publicada hoje no site do G1.Texto de Vladimir Potanow, fotos de Tomaz Silva.







Queermuseu reabre no Rio, sob protesto conservador

Publicado em 18/08/2018 - 17:39
Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro




A reabertura da exposição Queermuseu – Cartografia da Diferença na Arte Brasileirafoi novamente palco para polêmica. Enquanto um grupo de conservadores protestou do lado de fora, os responsáveis pela mostra discursaram contra a censura e o fundamentalismo político e religioso. Banida em setembro do ano passado do Santander Cultural, em Porto Alegre, a exposição foi montada na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no bairro Jardim Botânico.
Assim como na capital gaúcha, houve protestos de integrantes de grupos religiosos e políticos de direita. Os manifestantes ficaram separados dos demais presentes à cerimônia de inauguração, neste sábado (18), por uma grade de ferro, mas em vários momentos interromperam os discursos dos organizadores.
Ativistas ligados à causa LGBT chegaram a discutir com os manifestantes, mas não houve violência física. A organização do evento contratou 20 seguranças para garantir a ordem durane o evento de abertura. Uma viatura da PM foi chamada, mas os policiais se limitaram a observar de longe o protesto.




Exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasil é aberta ao público no Parque Lage, na zona sul do Rio.
Exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasil é aberta ao público no Parque Lage, na zona sul do Rio. - Tomaz Silva/Agência Brasil
O curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, discursou por 15 minutos e criticou a censura à arte, inclusive a autocensura. Uma decisão da Justiça, expedida ontem, proibiu a entrada de menores de 14 anos na exposição, mesmo que acompanhados dos pais. Determinou ainda que adolescentes de 14 e 15 anos só podem ver as obras junto com seus responsáveis.
“Este momento é da democracia, da gente fazer frente ao obscurantismo. A sociedade brasileira mais progressista reabriu esta exposição, esta possibilidade da gente ter acesso ao conhecimento. O fascismo não terá espaço e o fundamentalismo, muito menos. O Rio de Janeiro está de parabéns, porque historicamente sempre esteve à frente dos movimentos, da vanguarda da arte e da política. O Rio representa muito bem a diversidade da arte brasileira”, disse Gaudêncio.
O diretor-presidente da EAV, Fábio Szwarcwald, demonstrou inconformidade com a decisão judicial de proibir menores de 14 anos na exposição e disse que vai recorrer da medida. Ele mesmo veio acompanhado por dois filhos pequenos e não pôde entrar com eles nos espaços da mostra.
“Eu vejo isso como uma atuação muito triste [da Justiça]. O próprio Ministério Público indicou que deveríamos colocar recomendação para maiores de 14 anos e menores de 14 anos acompanhados de seus pais. Estão cerceando, de novo, a liberdade das pessoas terem a oportunidade de verem a exposição. É uma decisão dos pais se eles querem ou não levar seus filhos para ver uma exposição de arte. Cada um educa seus filhos da forma que achar melhor”, disse Szwarcwald.




O curador, Gaudêncio Fidelis (D) e o diretor-presidente da EAV, Fabio Szwarcwald abrem oficialmente a mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, no Parque Lage, no Rio.
O curador, Gaudêncio Fidelis (D) e o diretor-presidente da EAV, Fabio Szwarcwald abrem oficialmente a mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, no Parque Lage, no Rio. - Tomaz Silva/Agência Brasil
Sobre os manifestantes conservadores, ele considerou que, na verdade, os ativistas estão buscando espaço para aparecerem na mídia: “Já foi dito várias vezes que [a exposição] não possui vilipendio religioso, pedofilia ou zoofilia. Só que eles querem palco para aparecer. Ficam com esse discurso antiquado de que fere valores da família brasileira, o que não é verdade”.

Protestos

Marlon Aymes, coordenador político do grupo Templários da Pátria, uma entidade criada para “dar segurança” a grupos conservadores e liberais durante protestos, assim como faziam os Cavaleiros Templários durante as Cruzadas, sustentou que não se tratava de um protesto contra pessoas LGBT.
“Nós estamos aqui contra algumas obras que estão sendo expostas, incentivando as práticas de pedofilia, zoofilia e o vilipendio religioso. Não temos nada contra a pauta LGBT. O Templários da Pátria surgiu como um movimento político para proteger os manifestantes conservadores e liberais nas manifestações de rua. Nós defendemos os valores da cultura ocidental, que são Deus, pátria e família”, explicou Marlon.
A exposição Queermuseu foi inaugurada em Porto Alegre, em 15 de agosto do ano passado, com previsão de seguir até 8 de outubro, no Santander Cultural. No entanto, protestos de ativistas conservadores provocaram o cancelamento da mostra em 10 de setembro. Posteriormente, cogitou-se a reabertura da exposição no Museu de Arte do Rio (MAR), mas o prefeito Marcelo Crivella vetou a iniciativa.
São 214 obras, de 82 artistas. A reabertura no Rio foi possível graças a doações de 1.659 pessoas, que totalizaram R$ 1,081 milhão. Em outra iniciativa para arrecadar verbas, o cantor e compositor Caetano Veloso fez um show e reverteu a totalidade da renda para a exposição.
Além das obras de arte, haverá uma intensa programação cultural paralela, com shows musicais, debates e espetáculos de dança. A visitação é gratuita. Os horários são: de segunda-feira a sexta-feira, de 12h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Marlene Dietrich

Feita da cabeça aos pés para amar sem preconceito 


“Sou feita da cabeça aos pés para amar “ ( Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt) é a primeira estrofe de “Lili Marleen", canção que se tornou famosa entre os combatentes dos dois lados, durante a 2ª Guerra Mundial.

Era interpretada pela não menos famosa Marlene Dietrich, musa que estrelou o primeiro filme falado alemão, dona do rosto mais expressivo da época e do par de pernas mais lindas do cinema de todas as épocas.

De sua autobiografia “Marlene D” - cheia de proibições de reprodução e com a advertência de que não era dedicada a ninguém, escorrem mágoas e críticas ferinas. Em 1984, a obra foi publicada no Brasil pela Nórdica. 

Ali, Marlene Dietrich recorda sua infância aristocrática e detona praticamente toda Hollywood.
 

Salvos pelo gongo, Josef von Sternberg que a descobriu e que ela julgava ser o maior diretor de cinema que existiu e mais Jean Gabin, Ernest Hemingway (com quem teve um tórrido romance,mas há controvérsia), Erich Maria Remarque, Nöel Coward, Orson Welles, Billy Wilder, Burt Bacharach e Sir Alexander Fleming, o da penicilina, de quem ganhou amostra da primeira cultura da descoberta. 

A beldade que fez mais de 500 apresentações na linha de frente da Segunda Guerra Mundial, foi atriz de "Julgamento em Nuremberg", de Stanley Kramer, sobre dos crimes dos nazistas
 

Recusou um cheque em branco de Hitler quando tentava trazê-la de volta à Alemanha, em 1938. Vendeu milhões de dólares em bônus pró forças aliadas, gostava de usar fraque e uniforme militar e seu túmulo em Berlim é agredido por neonazistas com pichações de traidora e prostituta. 


Militante desde sempre
Marie Magdalene "Marlene" Dietrich nasceu em 27 de dezembro de 1901, filha do oficial prussiano Louis Erich Otto Dietrich e de Wilhelmina Elisabeth Josephine Felsing. 

Pisou o palco pela primeira vez aos 16 anos, vestida com roupas masculinas, transgredindo as normas vigentes desde cedo e tocando violino com talento, até uma tendinite interromper a carreira que mal começava.
Foi a primeira mulher a usar calças publicamente, na década de 20 .Matriculada numa escola de arte dramática, terminado o curso, estréia nas telas. em 1921 .
Depois de muitas aparições no cinema mudo, estrelou o primeiro filme falado alemão Der Blaue Engel – “O Anjo Azul“ ( UFA - Universum Film Aktiengeselleschaft.) lançado em 1º de abril de 1930 em Berlim dirigido por Josef von Sternberg e baseado no romance de Heinrich Mann, “Professor Unrat” . 
Gloriosa em sua terra, casou-se com Rudolf Sieber , assistente de direção teatral com quem manteve uma relação aberta. O casal, que jamais se divorciou, teve uma única filha, Maria, nascida em 1924.

Marlene fez mais seis filmes com von Sternberg e, juntos, foram para os Estados Unidos. 
Depois de rodar mais alguns longa metragens dirigida por Sternberg, que permanece por perto como guru e chevalier servant, recebe a visita de um diplomata alemão, emissário de Hitler, com um convite para Marlene: protagonizar filmes pró-nazismo.

 E,conta a lenda , a proposta teria sido acompanhada de um cheque em branco. Marlene não só recusou o convite, o que foi interpretado como desrespeito ao Führer, como imediatamente naturalizou-se cidadã norte-americana (9 de junho de 1939) passando a ser considerada uma “vergonha ambulante e traidora da pátria alemã”. 

Durante 1944/1945, realizou shows para as tropas americanas estacionadas na Europa. No front, cantava para distrair os soldados e compartilhava com eles toda espécie de desconforto físico, doenças e fome.

Terminada a Guerra, condecorada por bravura, começou a explorar a voz, além de atuar como atriz e apresentadora. Fez várias participações em rádio e foi figura pioneira em programas de televisão.
Em 1953, aconteceu o primeiro show solo em Las Vegas, como atração principal do Sahaar Hotel e foi homenageada com uma estrela na Calçada da Fama, no 6400 Hollywood Boulevard. Em 1958, foi indicada ao Globo de Ouro, na categoria de melhor atriz de cinema - drama, por Testemunha de Acusação (1957).
Em diversas turnês mundiais, visitou inúmeros países.
Esteve no Brasil em 1959, quando se apresentou no Golden Room do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro . 


A convite do presidente Juscelino, foi conhecer uma Brasília ainda em fase de início de projeto.

Julgamento em Nuremberg, condenação em casa

Quando tentou voltar para a Alemanha, em 1962, Marlene Dietrich não foi bem aceita e chamada de traidora, ainda no aeroporto. 

Talvez porque as feridas ainda estavam abertas e, no ano anterior, ela havia participado do elenco de “Julgamento em Nuremberg” - roteiro de Abby Mann e realização de Stanley Kramer – uma película sobre o holocausto, o nazismo e o processo realizado na cidade de Nuremberg, que chocou o mundo. Marlene recolheu-se em seu apartamento parisiense e anunciou que escreveria suas memórias.
Em 1978, estrelou o último filme – “Apenas um Gigolô” - contracenando com David Bowie.


Sobre a morte em Paris, aos 91 anos, permanece a versão do suicídio : a não aceitação do envelhecimento, inconformismo com a devastação causada pelo Mal de Alzheimer teria provocado uma overdose de calmantes.

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A propósito da sempre apregoada vida amorosa de Dietrich, a jornalista americana Diana McLellan escreveu um livro apelativo com conteúdo mais bombástico ainda.
Em The Girls: Sappho Goes to Hollywood (As Garotas: Safo vai a Hollywood), a autora descreve o relacionamento lésbico, iniciado em 1925, entre Garbo e Marlene e diz que, depois, as duas passaram a negar que se conheciam.

Maximilian Schell lançou um documentário (1984) com participação da voz da atriz e imagens rastreadas em arquivos.

Em 2001, foi realizado um filme biográfico sobre Marlene, dirigido por seu neto Peter Riva com depoimentos, entre outros, da filha Maria Riva, da amiga Hildegard Knef, de Burt Bacharach e do filho de von Sternberg.

Encontra-se em produção, nos estúdios Dream Works, um filme sobre a vida da atriz, baseado no livro escrito pela filha Maria Riva, estrelado por Gwyneth Paltrow.

A atriz foi escolhida pelo neto Peter, porque “ela -Gwyneth –tem ar aristocrático, porque pode ser profunda sem excesso de emoção e, naturalmente, Gwyneth é melhor cantora”.

Que fofo.
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Marlene canta
  Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt 

https://www.youtube.com/watch?v=y3ycyyv20z4