segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Roland Barthes


Escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês 



Canhoto num mundo de destros, protestante num país católico como a França e deletado de sua classe social.
Órfão de pai - um oficial de marinha falecido na primeira guerra – foi sustentado pela mãe que trabalhava como encadernadora de livros.

Expatriado nos anos 50, seguiu firme na contramão da sociedade conservadora .

Assim foi Roland Barthes - escritor, semiólogo, pensador, crítico literário - nascido em Cherbourg, Normandia, em 2/11/1915.
Com a morte do Comandante Barthes, Henriette e o filho mudaram-se para Bayonne e, em seguida, para Paris onde Roland se formou na Sorbonne (1939) em literatura clássica, gramática e filologia.

Ao mesmo tempo em que estudava linguística e lexologia, Barthes participou do grupo "Defesa Republicana Anti Fascista", reagindo aos movimentos de extrema direita que sacudiam a Europa

A alma voa

A luta contra uma tuberculose renitente o obrigou , entre 1934 a 1947, a ser internado em diversos sanatórios. Enquanto tinha que manter o corpo em repouso, a alma voava : lia as obras de Marx e produzia artigos para o "Combat" - importante jornal esquerdista na época da resistência aos nazistas. A partir de 1948, trabalhou como professor convidado e bibilotecário na Universidade de Bucarest ( Romenia ) e foi conselheiro literário na Universidade de Alexandria (Egito)

De1952 a 1959, foi pesquisador de lexicologia e sociologia do Centre National de la Récherche Scientifique em Paris, participando do lançamento de revistas como "Argumentos" e "Quinzena Literária ". Inspirado na linguística de Saussure e Bloomfield é o animador do movimento da Nova Crítica e funda a revista "Teatro Popular".

Reconhecimento oficial


Dificuldades materiais e questões de saúde,o fizeram perder o exame “agrégation”, que o direcionaria às carreiras ditas 'ortodoxas".
No entanto, aos 44 anos foi indicado, graças ao conjunto de sua obra, para ocupar um posto na École Pratique des Hautes Études.
Aos sessenta, já consagrado mundialmente por mudar a forma de ver e entender os significados e significantes, passou a ensinar no prestigioso Collège de France.

Para Barthes, o significado seria a representação psíquica de uma "coisa" e não a "coisa" em si.
O significado de uma imagem é sua representação gráfica .
O significante materializaria a figura do significado ( a figura propriamente dita) com seu significado segmentado e entendido de várias formas, segundo as diferenças culturais de cada leitor ou observador.

Publicou livros em linguagem acessivel ao grande público, o que contribuiu para que suas idéias vanguardistas fossem divulgadas além da comunidade acadêmica : Mitologias, Ensaios Críticos, Roland Barthes por Roland Barthes (autobiografia irônica) e Fragmentos de Um Discurso Amoroso (estudo linguístico sobre o sentimentalismo).

Foi figura de referência em semiologia, estruturalismo e crítica literária .Em 1976, criou a cadeira de Semiologia Literária no Collège de France. Suas aulas e conferências eram frequentadas por um público sempre perplexo e extasiado.

Arquiintelectual


A gama dos temas abordados pelo semiólogo era imensa : moda, o império dos signos (título de uma obra), música, fotografia, mitologia, diversões, cinema, arte em geral e arte japonesa em particular, culinária, discurso amoroso ( outro título de obra, no qual o semiólogo explica o que deve ser dito e quando, para incrementar um relacionamento amoroso), imagens visuais, literatura, teatro, as mensagens da propaganda e a força do marketing.
Pintor, erudito, professor, escritor, teórico social, crítico e amante da vida,chocou a burguesia francesa,abordando de seu ponto de vista privilegiado a política, a sociologia e a teoria literária.

De acordo com seus textos autobiográficos, muito discretamente, percebe-se que teve uma infeliz vida amorosa.
No livro "Barthes is Back", de 2002, o jornalista do "The Independent" de Londres, Stephen Bayley comenta que,"se Barthes estivesse entre nós, estaria escrevendo sobre o bigode de Sadam Hussein, sobre os cruzamentos de bola de Beckham, sobre os Simpsons, já que seus interesses incluíam todas as formas de comunicação e, também, rapazes marroquinos".

Morte na Rue des Écoles
'

Os últimos trabalho de Roland Barthes foram dedicados à sua vivência pessoal "Barthes by Barthes", autobiografia organizada em ordem alfabética e ,não-cronológica.
"Câmara Lúcida - notas e reflexões sobre a fotografia", derradeira obra, é um diário, homenagem à mãe e autoepitáfio.( Câmara Clara, Editora Nova Fronteira).

Henriette,mãe e companheira de toda vida, morreu em 25/10/1977  
e Barthes sentiua perda de uma permanente fonte feminina de amor.Barthes dizia que, sem a mãe, parecia "ter perdido a alma".
Este luto é o ponto central da obra e deve ser observado pelos leitores.
O interesse de Barthes pela fotografia passa pelo parodoxo de possuir uima prova material do objeto para sempre perdido ( a presença da mãe, no caso).

Jacques Derrida, filósofo falecido , comentando esta obra disse que se trata de “uma forma de vigília e de encarar a morte jamais capturada em toda a história da literatura"
Ao sair de uma aula em 25/2/1980, foi atropelado por um carro de entregas de uma lavanderia, nas Rue des Écoles, em frente ao Collège de France.

Em 6 de março, nove dias depois, morreu em consequência dos ferimentos e lesões. O Centro Georges Pompidou (Paris) apresentou, de 2002 a 2003, uma exposição multimídia sobre cada etapa da obra de Roland Barthes
.Quadros, objetos pessoais, vídeos e gravações de sua expressiva voz. No centro da exposição, junto à sua biblioteca, foi construído um jardim zen. 
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