segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Trecho de artigo de Shaun Cole, do London College of Fashion, sobre os laços entre Moda e Homossexualidade


(traduzi adaptei o artigo e  acrescentei fotos)
Ao longo do século XX, houve uma associação inegável entre a homossexualidade e moda. Já nos nos dois séculos anteriores, um interesse evidente em moda masculina.   
 

A ilegalidade da homossexualidade e a desaprovação moral  vigente levaram  gays e lésbicas a viver sua orientação sexual  de forma praticamente escondida na Inglaterra,  América do Norte e em muitas outras partes do mundo,mas  encontraram maneiras de expressar suas identidades através de escolhas na moda. 

A adoção de uma série de códigos secretos permitiu  que gays e lésbicas  se reconhecessem mantendo-se invisível para o mundo exterior.  
 Nos anos 1960 e os anos 1970, no entanto, as mudanças na sociedade e na auto-percepção de muitas pessoas gays levaram-nos  a um questionamento na escolha das roupas tradicionais.
 

O papel dos homens gays na indústria da moda também mudou, havendo um reconhecimento da contribuição que trouxeram à  esta indústria .  
O aumento do interesse em moda por homens heterossexuais ao longo dos últimos trinta anos também mudou a percepção do que significa ter interesse em moda  
Códigos Secretos 

Até o movimento dos direitos dos gays nos anos 1960, o desafio mais instigante para os membros da comunidade LGBT era o de ser capaz de  "passar" por  pessoas heterossexuais. 
Existiam códigos e ítens de vestimentas que sinalizavam a orientação sexual,um tipo, uma cor,um acassório específico desnvolvidos e alterados ao longo do tempo. 
 
O significante princpal na época de  Oscar Wilde n (década de 1890), foi o cravo verde. 
A cor verde continuou a ter associação com a orientação sexual em roupas através da primeira parte do século XX.  

Em seu inovador estudo Inversão Sexual (1896), o sexólogo Havelock Ellis observou que os homossexuais tinham uma preferência para a cor verde e que ,em Paris, lenços verdes foram usados ​​como um emblema. 

Antes da Segunda Guerra Mundial. especialmente em Nova York, uma gravata vermelha era um dos significantes mais conhecidos, mencionado por vários dos homens idosos entrevistados por George Chauncey para seu livro  Gay New York (1994).

Na década de 1960, foram os sapatos de camurça particularmente visados na Inglaterra.Qualquer pessoa que os usasse, era vista com desconfiança. 
   
Militância ostensiva
 

Para alguns homens gays,a  escolha do vestuário se tornou um meio de declarar abertamente sua  identidade,escolhendo roupas que faziam sua orientação sexual explícita.. 

Como viviam em uma sociedade onde a crença era que os homens gays tinham almas femininas presas dentro corpos masculinos (e lésbicas almas masculinas presas dentro corpos femininos), alguns tiveram a ousadia de usar itens de vestuário para as mulheres.
 E sobrancelhas depiladas, rouge, olhos maquiados, cabelo descolorido por tinturas, sapatos de salto alto, blusas femininas. 
Adotar tal aparência era perigoso, pois era arriscado ser homossexual abertamente. 

Quentin Crisp (1908-1999)
Em sua autobiografia  Vida Nua  (1968), Quentin Crisp lembra de ter sido parado várias vezes pela polícia por causa de sua aparência afeminada.

Para muitos os riscos valiam a pena. Vestir-se de "rainha flamejante" era um meio de entrar na subcultura da sociedade gay. Além disso, através da adoção de características femininas e adotando regras rígidas de gênero de comportamento sexual,  essas "rainhas" poderiam atrair "normais", os parceiros sexuais héteros.
 

A adoção dos códigos de vestimenta efeminados começou a diminuir com o aumento da libertação gay, mas ele continua a desempenhar um papel na vida da comunidade. 

O debate entre os homens gays sobre comportamento feminino ostensivo pode ser resumido nas seguintes perguntas:  os homens afeminados reforçam os estereótipos que o ativismo gay tentou desmantelar por quarenta anos? Ou será que os homens gays afeminados fazem uma declaração política que celebra a diversidade de culturas e estilos de vida homossexuais?
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(continua)

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